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Autor de feminicídio é condenado a 13 anos

Pai de Itamara Dias de Oliveira acompanhou o julgamento na quinta-feira e se diz decepcionado com a pena

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“Eu estou revoltado. Não concordo com este resultado. Por que só 13 anos para um crime tão brutal?”. Essa é a indagação de José Carlos Dias de Oliveira, de 59 anos, que no final da tarde de quinta-feira (7) viu o assassino confesso de sua filha, Irédio Turati Junior, ser condenado a 13 anos e 14 meses de prisão em regime fechado pelo crime de feminicídio que cometeu contra a esposa Itamara Dias de Oliveira, 30, em março de 2017, no Jardim Alto dos Ypês.

O pai da jovem morta asfixiada dentro da própria casa disse que não esperava uma pena tão branda para o autor do crime. “Além de ser pouco tempo, eu não acredito que ele vai ficar esses anos na cadeia, vai acabar saindo antes. É revoltante, ele cometeu um feminicídio. Eu esperava pena máxima para ele, que ele ficasse pelo menos 30 anos na cadeia”.

Abatido, seu José disse que vai procurar a promotoria para encontrar explicações para a condenação. “Eu vou lutar para aumentar a pena dele, vou ficar em cima até conseguir, não importa se vai demorar, não vou deixar a morte da minha filha em vão”, ressaltou o pai da jovem que também contou como foi encontrar com o ex-genro no tribunal. “Eu perguntei para ele por que ele fez isso. Falei que ele não matou apenas a minha filha, mas matou também o meu pai que não aguentou perder a neta e morreu 40 dias depois de tanta dor. E ele? Só abaixou a cabeça”.

jose carlos pai vitima caso itamara morta pelo marido
Pai de Itamara

Ainda contando como havia sido o julgamento, o pai de Itamara relatou que o assassino chegou a chorar dizendo que estava arrependido. “Ele falou que a amava”. Questionado se acredita no arrependimento revelado, seu José foi categórico. “Chorou, amava, mas fez o que fez, agora não adianta!”.

O pai de Itamara ressaltou que vai continuar a lutar por justiça e disse que os quase dois anos sem a filha tem sido de pura tristeza. “São dois anos chorando, principalmente quando eu tenho que ir lá na casa dela dar uma limpada no imóvel, não é fácil”.

O julgamento

O operador de máquina Irédio Turati Junior, de 32 anos, foi julgado na quinta-feira, durante seis horas, no Fórum de Mogi Guaçu, onde o júri popular formado por sete pessoas concordou com a condenação imposta pelo juiz. A família da vítima, que não tem advogado contratado, foi defendida por um promotor de justiça. Já o autor confesso do crime teve sua defesa feita pelo advogado criminalista Luiz Eugênio Pereira que disse que para ele o resultado do julgamento foi melhor do que o esperado. “Eu já havia orientado a família dele e o meu próprio cliente de que ele pegaria uns 16 anos de cadeia, mas ele pegou 13 anos e 14 meses, sendo que seis meses foram relacionados à fraude processual, já que ele tentou forjar o suicídio da vítima”.

O advogado explicou que o cliente foi condenado por homicídio, sendo que o feminicídio é um qualificador do crime junto com o meio cruel, já que a jovem foi asfixiada. “No entanto, o fato dele ter confessado a autoria do assassinato também fez com ele conseguisse uma redução de um sexto em sua pena, mas a pena para esse crime costuma ser de 12 a 30 anos”, completou Luiz Eugênio que informou que o cliente está no Centro de Detenção Provisório (CDP) de Piracicaba, de onde será transferido para uma penitenciária assim que surgir vaga.

Acusado e a esposa
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