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Assassino de Ana Gabrielly é condenado a 25 anos

A menina tinha seis anos quando foi morta pelo vizinho e escondida embaixo da cama

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Foi condenado a 25 anos de prisão o trabalhador rural Marcelo Petroni que, em agosto de 2015, matou Ana Gabrielly dos Santos Ferreira, à época com seis anos. O crime ocorreu no apartamento dele, no condomínio popular Sol Nascente, em Conchal. Petroni morava no mesmo condomínio da tia de Ana Gabrielly, onde a garota passava o fim de semana. O julgamento ocorreu na quarta-feira (26) e durou o dia todo. Dois policiais civis e dois guardas municipais, que atuaram na ocorrência, participaram do julgamento como testemunhas de acusação.

A juíza Erika Folhadella Costa fixou a pena em 25 anos, 6 meses e 15 dias de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver. Petroni não terá o direito de apelar da decisão do júri em liberdade.

Ao proferir a sentença, a magistrada destacou que “há elementos que admitem uma maior valoração negativa acerca de sua personalidade, pois, consoante prova oral, o réu manifestou particular frieza ao simular solidariedade quando do pretenso sumiço da vítima, inclusive auxiliando seus familiares em buscas que sabia serem fatalmente infrutíferas”.

Petroni se negou a comparecer ao julgamento e foi representado pelo advogado de defesa. O fato de ele não comparecer também contribuiu para a segurança dentro e fora do Fórum, uma vez que são esperadas manifestações do lado de fora.

Guardas civis da região enviaram viaturas para manter a segurança em Conchal. O comandante Adorno, da Guarda Civil de Mogi Guaçu, foi para o local, nesta quarta-feira, juntamente com as viaturas ROMU (Ronda Ostensiva Municipal) e Patrulha Ambiental.

Em 2015, na ocasião em que o corpo da menina foi achado, houve tumulto e vandalismo pelas ruas de Conchal. A população depredou prédios públicos e queimou a casa do assassino. Até hoje o local onde ele está preso é mantido em sigilo a fim de evitar linchamento. (Com informações do Departamento de Comunicação do TJ-SP).

 

População se revolta em frente a delegacia
População se revolta em frente a delegacia, em 2015

Relembre

Ana Gabrielly iria dormir na casa da tia e faria companhia à priminha Júlia, de 10 anos. A tia da menina contou à Gazeta que, além de Ana Gabrielly, também estava cuidando do bebê de três meses de outra irmã. Esta, ao chegar, não entrou no condomínio e pediu para que levassem o bebê até onde estava esperando, estacionada.

Rosângela disse que desceu com o bebê e deixou a filha e a sobrinha no apartamento. “Elas estavam comendo bolo”. Mas, como se esqueceu de levar a bolsa do bebê, pediu à filha que descesse. “Então, voltei para o apartamento com minha filha e percebemos que a Ana Gabrilly não estava. Ela deve ter ido atrás da minha filha. Foi uma questão de minutos”, lamentou a tia.

Segundo apurado pela reportagem, o condomínio onde a tia de Ana Gabrielly reside é constantemente local de ocorrências policiais. São sete blocos de apartamentos populares.

Petroni disse que estava sob efeito do álcool e do crack. “É um caso de extrema gravidade e merece ação à altura. Um crime horrível, hediondo, ainda mais contra uma criança que não tem como se defender. Ele falou sobre tudo como se estivesse falando de qualquer outro tipo de assunto, não esboçou reação, nada. Que ele seja responsabilizado e não volte à liberdade para não colocar em risco a vida de outras pessoas”, desabafou o delegado da época, Daniel Pinho.

Petroni matou a garotinha no mesmo dia de seu desaparecimento, no sábado (15 de agosto de 2015). A menina desceu as escadarias para ir atrás da prima de 10 anos, no momento em que foi vista pelo assassino. Ele morava no condomínio há cerca de um ano. Petroni disse que simplesmente viu a menina passar em frente ao seu apartamento, que estava com a porta aberta. Ele a puxou para dentro e a jogou no chão. Com o joelho, se debruçou sobre a criança e tapou a boca dela com o que achou ao redor. A brutalidade provocou uma fratura na cabeça, além de ter quebrado duas costelas da menina. O mais chocante foi o corte no pescoço e a faca enfiada na boca, como que empurrando objetos que o homem usou para silenciá-la.

À época, o delegado suspeitou que um dos motivos para ter se livrado do corpo cinco dias depois do crime seja devido ao cheiro exalado da decomposição ou porque o caso tomou uma proporção maior do que ele esperava, uma vez que a polícia estava todos os dias no condomínio. Embora amasiado e com duas crianças pela casa, uma delas doente mental, Petroni manteve o corpo escondido debaixo da cama no dia do crime. Cinco dias depois, em um terreno baldio, próximo ao condomínio, a menina foi encontrada dentro de um saco tipo bag, desses de ensacar laranjas. Na boca havia cravada uma faca de cabo de madeira. Mas outra faca pequena, de serra, estava junto ao corpo de Gabrielly no saco. A menina estava enrolada em um cobertor.

corpo_crianca

Pistas

O delegado conta que chegou a suspeitar de Petroni na sexta-feira (24), um dia após achar o corpo. “Mantive contato com os peritos e com informações relativas ao corpo tivemos elementos que nos deram uma ideia do cenário do crime, como o provável local, e que nesse local havia criança e mulher”.

Com investigadores, o delegado foi até ao apartamento da tia da menina refazer o caminho percorrido pela garotinha e sem dar detalhes, o delegado disse que foi até ao apartamento de Petroni e conversou com a amásia dele. Dentro do imóvel, ele e a equipe encontraram mais provas, algumas inclusive que Ana Gabrielly trazia no corpo.

Petroni estava trabalhando e não apresentou resistência quando a polícia chegou. Ele confessou o crime. Ao saber da prisão, os moradores do condomínio se revoltaram e destruíram o apartamento dele e foi preciso levá-lo para Araras e terminar por lá a prisão.

O delegado ressalta que se não tivesse ido com os investigadores aquele dia no apartamento e colhido provas, ficaria difícil fazer qualquer trabalho de perícia no local. A população enfurecida não pensou que ao destruir a cena do crime poderia acabar com uma investigação. Na delegacia, aparentemente o prejuízo foi apenas das vidraças que foram depredadas, sem prejuízo ao inquérito de investigação. Em depoimento, o assassino negou que tenha estuprado a menina. “Informalmente, pelo que soube do material genético coletado do corpo dela, não há indício técnico de que houve abuso”, disse o delegado, à época.

Petroni tem antecedente criminal por roubo.

 

 

 

 

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