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Artigo: Temer e o Porto de Santos

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Uma reportagem no Estadão (11/6), sob o título “Questões da PF a Temer resgatam caso de porto – Esquema foi “delatado” nos anos 2000 por ex-mulher de afilhado político de presidente”, trouxe à baila uma denúncia sobre o Porto de Santos. É o que vamos ver a seguir. Na referida reportagem, consta essa revelação: “No início dos anos 2000, a PF [Polícia Federal] instaurou inquérito para apurar ocorrência de supostos pagamentos de propinas ao então presidente da Câmara, Michel Temer, e ao presidente da Companhia de Docas de São Paulo (Codesp), na ocasião, Marcelo de Azevedo.

O processo, na parte que investigava a prática do crime de corrupção supostamente praticado por Temer, foi arquivado em 2011. (….) “Se o inquérito tivesse seguido adiante, nós já poderíamos estar vivendo um outro capítulo da nossa história política. Muito do que a Lava Jato está desvendando hoje já estava insinuado na investigação que fiz”, afirmou ao ESTADO o delegado da Polícia Federal responsável pelo caso, Cássio Nogueira. (…) “Esse é um inquérito fantasma. Mesmo depois de muito tempo, ele volta para assombrar os envolvidos. Acho que pode servir de base para novas investigações”, disse o delegado, hoje com 52 anos e aposentado. “O relevante para mim é que nós estamos falando dos mesmos personagens e do mesmo modus operandi, que fazem as mesmas coisas, do mesmo jeito há anos”, afirmou. (…) Essas ligações foram investigadas no inquérito presidido por Nogueira, que tem origem inusitada: uma briga entre marido e mulher. Em um processo de reconhecimento de união estável em uma Vara de Família, datado de 1999, a então estudante de Psicologia Érica Santos acusou o marido Marcelo de Azevedo e Temer de corrupção. (….) No processo, ela afirma que “o grosso” dos rendimentos de Azeredo era oriundo de “caixinhas” que empresas pagavam a ele para operar no porto. E que metade desses valores ilícitos era repassada ao “padrinho político” do presidente da Codesp, o então deputado Michel Temer.

Conforme relato que consta do processo, “essas caixinhas” ou “propinas” eram negociadas com vencedores das licitações ou com os concessionários e repartidas entre o requerido, seu “padrinho político” o deputado federal Michel Temer, hoje presidente da Câmara dos Deputados e um tal de Lima”. (…) O delegado aposentado afirmou que, na época, não conseguiu identificar quem seria o “Lima” citado no processo. “Só agora, vendo o noticiário, percebi que se tratava do sócio da Argeplan, o coronel João Baptista Lima Filho, apontado como braço direito de Michel Temer”. (…) Lima é investigado pela PF, sob suspeita de ter recebido R$ 1 milhão em dinheiro da JBS. O valor seria supostamente destinado a Temer. A Argeplan faz parte de um consórcio que ganhou concorrência para executar serviços relacionados a Usina de Angra 3 – cujas obras são investigadas na Lava Jato (sic)”.

O jornalista Bernardo Mello Franco, ao comentar o assunto em artigo à Folha, sob o título “Na estrada de Santos”, escreveu: “Em junho de 1999, o senador Antonio Carlos Magalhães disparou: “Se abrirem um inquérito sobre o porto de Santos, Temer ficará péssimo”. Dezoito anos depois, a profecia de ACM volta a assombrar o presidente. O tema aparece em 9 das 82 perguntas que a Polícia Federal enviou ao Planalto [que se negou a responder]. Ao levantar a lebre, ACM afirmou que “as coisas morais nunca foram o forte do senhor Michel Temer”. O presidente devolveu de bate-pronto: “Em matéria de moral, dou de dez a zero nele. Comigo ele não vai avacalhar”. O senador baiano respondeu com outra provocação: “Eu não poderia avacalhá-lo, porque avacalhado ele já é. Não me impressiona sua pose de mordomo de filme de terror”.

O Estadão publicou: “Assessoria da Presidência diz que é “inverídica” a versão de que Temer foi beneficiado por propinas no Porto de Santos”. A razão está com quem? No momento não se sabe. Vamos esperar a conclusão do inquérito!

 

 

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

 

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