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Artigo: Que tiro foi esse?

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 No momento em que os vereadores deveriam dar seu recado para o Governo Municipal, o reverso aconteceu e foi a Administração quem deu seu recado para os vereadores. Recado claro e objetivo. A ida da secretária municipal de Saúde, Clara Alice Franco de Almeida Carvalho, ao plenário da Câmara na segunda-feira (16) serviu para isso. Mostrar o preparo e a união do governo de Caveanha. Clara foi convocada e, ao contrário de um convite, a convocação tem um tom mais espinhoso e não pode ser rejeitado. Ao convocar a secretária, os vereadores tentaram mostrar ao prefeito Walter Caveanha (PTB) a prerrogativa da Casa de Leis e a união entre eles. Mas só tentaram…

A convocação dava sinais de que iriam de fato pressioná-la e trazer à tona informações novas e que realmente fizessem a diferença. Mas aqui caberia o hit do momento: “Que tiro foi esse?”. Alguns vereadores não questionaram nada. Outros fizeram perguntas de praxe e outros utilizaram o microfone para enaltecer o trabalho da secretária, o que é natural quando a fala é feita pelo líder do prefeito na Câmara. Enquanto os vereadores faziam perguntas previsíveis das quais Clara tinha a resposta pronta para oferecer, o clima na Casa de Leis ia ficando estranho.

Afinal, foi uma convocação. Cadê as perguntas que até então estavam sendo temidas porque ninguém sabia o que irá pautar tais questões. A secretária até sabia os temas que seriam abordados, mas não sabia as perguntas que seriam feitas?

Clara Alice estava acompanhada de oito secretários municipais, além do vice-prefeito Daniel Rossi (PR) e do marido Denis Camilo de Carvalho, que é médico na rede municipal de Saúde. Munida de relatórios e números, Clara respondeu perguntas sobre vários patamares da saúde pública, defendeu o SUS (Sistema Único de Saúde) e foi aplaudida pelos funcionários da Secretaria de Saúde que acompanharam atentos as explicações feitas por ela.

Sabe-se que a saúde pública está soterrada de problemas, falta de dinheiro e tudo mais. No entanto, alguns vereadores sequer aproveitaram a oportunidade para questionar a secretária sobre estes assuntos. Simplesmente passaram a vez numa atitude evidente de evitar qualquer confronto com o Governo Municipal. É sabido que nem todos os vereadores assinaram o pedido de convocação de Clara. Mas já que a secretária estava ali, à disposição para responder dúvidas, era condizente com o momento que os vereadores – todos – cumprissem o papel que exercem de representar o povo e questionassem.

O que a secretária de Saúde fez não foi diferente do que ela já faz quando apresenta prestação de contas à população. Embora não haja participação dos munícipes, os vereadores são comunicados destas audiências com antecedência e podem participar se assim quiserem.

A união dos vereadores tão defendida por eles mesmos não se fez tão forte assim na segunda-feira. Convocações de secretários municipais como esta devem ser pensadas, repensadas, pensadas novamente à exaustão para que não coloquem a Casa de Leis, que já está tão desacreditada pelos eleitores, numa situação como a de segunda-feira. Foi muito barulho para pouca chuva.

 

Michele Domingues Tressoldi é jornalista e repórter de Política da “Gazeta Guaçuana”

 

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