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Artigo: Pretta

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Meu nome é Pretta e eu sou uma cachorra “srd” que possui uma família humana de estimação, sem pedigree é verdade, mas bonitinha, tem o pai, a mãe e um filhote de dezenove anos.

A mãe é uma dessas mulheres lutadoras que acordam cedo e fazem o café, antes das seis, põem ordem na casa e lixo para fora, beija o marido e o filho e sai para trabalhar; quando volta lá pelas cinco da tarde, inicia a sua segunda jornada: a doméstica, então lava, passa e cozinha para nós.

Dos três é a que menos brinca comigo, mas, nunca se esquece de por comida e água para mim, até me comprou um vestido soft, outro de malha azul e um conjuntinho de saia e blusa cor-de-rosa.

Por falar em brincar, o filhote é o meu preferido. Ensinei-o a coçar as minhas costas e jogar coisas para eu buscar. Às vezes quando ele fica muito tempo na frente do computador vou até lá e dou uns latidos, pois, afinal que graça tem passar a vida, naquela janela luminosa; quando há tantas coisas importantes aqui fora para se fazer, como por exemplo: tirar pulgas e carrapatos de mim.

Adoro ser chacoalhada e jogada para cima, ai meu Deus! Que frio na barriga! Mas nem tudo é adrenalina, também tenho meus momentos “cults”. É quando eu deixo que ele leia para mim, aqueles infindáveis trabalhos da “facul”, lugar que, aliás, ainda vou dar uma incerta.

Não, por favor; não quero que imaginem que sou controladora e possessiva, estou apenas cuidando do meu patrimônio, afinal, quando aquelas meninas vêm por aqui, eu sempre dou uma “cheiradinha” nelas e prefiro as que têm unhas grandes e colos quentes.

Dos três tenho me preocupado mais com o pai, depois que ficou doente e está afastado do serviço, anda meio deprimido; ele coitado não sabia que depois de seis meses desaparece qualquer network, pois as pessoas se relacionam mais com o cargo do que com as pessoas que os ocupam.

Às vezes, quando todos saem, ele fica macambúzio e entra no quarto, tenho a impressão de que chora escondido, então sou obrigada a por em prática meus conhecimentos de psicologia animal, vou até a porta e arranho, não adianta ele dizer: “Pára Pretta!”, pois, enquanto ele não sai de lá eu não paro.

Pior ainda, pego o tapete da sala e corro para o quintal, daí brincamos de “cabo-de-guerra” e só solto, quando vejo a pontinha de um sorriso, na cara dele. Chegamos ao objetivo central desse artigo, orientar você canídeo na relação com seus humanos de estimação, eis algumas dicas:

  • Levante uma das patas traseiras quando for urinar; mesmo que você seja uma fêmea, como eu, pois é muito ruim ficar cheirando a “xixi”, caso isso aconteça vá até o tapete da porta da sala ou da cozinha e esfregue o pé molhado e o “popô”;
  • Latir e rosnar para o carteiro todas as vezes, pois tenho acesso a alguns estudos estatísticos que demonstram que os carteiros são os responsáveis pela tristeza de nossos humanos, eles quase nunca trazem cartas de parentes e amigos, a maioria daqueles envelopes são contas para pagar; 
  • Nas horas em que você não estiver comendo, bebendo, latindo ou brincando pratique a meditação; procure um lugar na sombra e feche os olhos, relaxe completamente o corpo e tente enxergar o seu “eu” interior, caso não consiga, simplesmente durma.
  • Nunca despreze um assovio, isso significa brincar e aqui vai a dica mais importante, enquanto você estiver brincando deixe que imaginem serem eles os donos, isso os torna felizes.

 

Notria Chibo Siomáda é o pseudônimo de Airton Bochi Damasio, capitão da reserva PM, docente de Administração Geral e Gestão de Pessoas no Senac de Mogi Guaçu e capelão voluntário.

 

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