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Artigo: Para superar a violência

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Entra ano, sai ano e as notícias trazem fatos que nos assustam pelo requinte de violência e desrespeito pela vida e pelas pessoas. Na noite de Natal, um menino ferido por bala perdida, na orla de Copacabana, um homem atropela várias pessoas… aqui entre nós uma pessoa assassinada com vários tiros, a agressividade no trânsito, a falta de paciência na fila do caixa num supermercado lotado… uma mãe sacudindo uma criança que chorava copiosamente e ofendia a mãe com palavras nada elogiosas… Tais situações mostram o quadro geral de nosso dia a dia em que o “grito” manda mais que o respeito; aliás, essa situação clama por respeito à dignidade de cada pessoa, criada por Deus à sua imagem e destinada a ser feliz.

A violência que nos assusta não começou hoje e não vai ter fim enquanto nos mantivermos indiferentes, como se nada disso nos afetasse, como se não fizéssemos parte deste povo sujeito a sofrer violência de qualquer natureza. Enquanto não organizarmos uma reação concreta, permanente e perseverante contra a violência; esta vai crescendo a passos largos e esse crescimento tem muito a ver com a omissão dos poderes públicos.  Creio que a sensação de insegurança é fruto da “impunidade” alarmante em nosso país.

Mesmo com a crescente onda da violência, creio que com algumas medidas simples o combate ao mal pode prosperar, lembrando-nos que somos irmãos também dos que “nos roubam a blusa, aos quais devemos entregar também a camisa” (cf. Mt 5,40); dessa forma penso que o início da superação da violência está no “desarmamento” do ódio e da raiva, por vezes presentes em nossos coração; é preciso “pagar ao mal com o bem”, “fazer aos outros o que desejamos o que os outros nos façam”, pois “o amor é a plenitude da lei” (Mt 7, 12; Rm 12,1-20).

Outro degrau a ser alcançado visando à superação da violência é vencer a desconfiança, afinal, os outros são irmãos. É preciso vencer a desigualdade, a discriminação, o olhar superior como se o saldo bancário fosse sinônimo de virtude; é urgente diminuir a distância entre a minoria milionária e a maioria miserável; é preciso que os gastos públicos contemplem mais as escolas, os hospitais, a segurança e a previdência que os fundos partidários já abarrotados com o dinheiro sofrido dos altos impostos que pagamos.

Para superar a violência é necessário também ouvir certas palavras que o Papa Francisco, com sua didática jesuíta, não se cansa de repetir: primeiramente lutar contra a cultura do “descarte”, afinal, as pessoas não são objeto; investir na “cultura do encontro”, celebrar a fraternidade, abrir o coração às surpresas de Deus, criar ambientes de reconciliação, pois Deus não se cansa de perdoar. E não desprezar as periferias humanas, existenciais e urbanas.   

O beato Paulo VI, em seu célebre discurso na ONU, afirmou com corajoso espirito profético: “se quereis a paz, destruí vossas armas de guerra!” E Pio XII já advertia o mundo com a sua bela exortação que diz: “nada se perde com a Paz. Tudo pode ser perdido com a guerra!”.

Comecemos a alimentar a cultura da paz, da concórdia, da fraternidade e da amizade sincera. São, a meu ver, bons antídotos contra a violência.

 

João Paulo Ferreira Ielo é pároco na Igreja Matriz Imaculada Conceição

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