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Artigo: Pai

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“Pai / Pode ser que daqui algum tempo / Haja tempo pra gente ser mais / Muito mais que dois grandes amigos / Pai e filho talvez” … Assim começa uma das canções de maior sucesso da carreira de Fábio Júnior. Lançada num dos episódios da série “Ciranda, Cirandinha”, exibida mensalmente pela TV Globo em 1978, a canção de Fábio, com versos aparentemente simples, conseguiram exprimir o sentimento de amor entre um pai e seu filho.

O Dia dos Pais no Brasil, segundo matéria do Mestre Claudio Fernandes, no site Brasil Escola, foi comemorado pela primeira vez em 1953, no dia 16 de agosto, e, ao contrário do que aconteceu nos EUA, em 1910, essa data não foi pensada como forma de homenagem local e simples, que se firmou sem planejamento. No Brasil, ela foi pensada pelo publicitário Sylvio Bhering, que, àquela época, era diretor do jornal O Globo e da rádio de mesmo nome.

Ainda segundo Fernandes, o objetivo de Bhering era tanto social quanto comercial. A tentativa, no início, foi associar a data ao dia de São Joaquim, pai de Maria, mãe de Jesus Cristo, que é comemorado em 16 de agosto, no calendário litúrgico da Igreja Católica; no entanto, nos anos seguintes, a data também foi deslocada para um domingo, o segundo domingo do mês de agosto, e assim permanece até hoje. Porém, para além do comércio, existe a emoção.

Emoção de pensar que, da mesma forma que todos temos uma mãe, todos temos um pai. E pai não é somente aquele que ajuda a gerar e empresta sua semente a favor da vida em evolução (não é, Darwin?). Não. Pai, mesmo sendo clichê o que vou dizer, é aquele que ajuda a criar, a dar de comer e de beber a seu filho e também acorda no meio da noite a fim de ver se a fralda está suja, se a criança está bem, se é preciso niná-la um pouco, até que a Cuca se toque.

“Pai / Pode ser que daí você sinta / Qualquer coisa entre esses vinte ou trinta / Longos anos em busca de paz”, continua Fábio Júnior em sua canção. Na verdade, ser pai é também ser chamado ao “não” nosso de cada dia, porque amar também significa dizer não em muitas, inúmeras ocasiões em que esse vocábulo tão sonoro se faz presente. Hoje em dia, a julgar pela quantidade de livros sobre educação de filhos que temos tido, o “não” tem sido muito mal visto.

Meu pai, também Olivaldo, mora na cidade de Aguaí, São Paulo, e, embora eu já tenha há muito tempo idade suficiente para ser pai, sempre que ele vem a Mogi Guaçu, lembra-se de ir até à escola em que eu trabalho para me dar um “Oi!”, um “Como vai?”, sem se esquecer de trazer algum doce, ou bolachinha que seja, para mim. Não me esqueço de que, quando eu era criança, gostava que ele preparasse uns lanchinhos de pão francês com manteiga, de manhã.

“Pai / Senta aqui que o jantar tá na mesa / Fala um pouco, tua voz tá tão presa / Nos ensina esse jogo da vida / Onde a vida só paga pra ver”, prossegue Fábio nessa música. Fruto de uma cultura essencialmente patriarcal e machista, nem sempre o homem tem a chance de falar o que sente, principalmente a outros homens, num estado de igual carência afetiva, cuja voz com outro homem só fala dos assuntos mais corriqueiros, como futebol e outras paixões.

Há um belo artigo publicado dia 06 de agosto, no site Papo de Homem, que se chama “Como a paternidade do meu pai influencia o pai que sou hoje”. Nele, seu autor, o mineiro, jornalista e fotógrafo Ismael dos Anjos, abre de forma sincera a caixa de Pandora do relacionamento com seu pai. Dentre outras confissões, Ismael se recorda de que, a exemplo de muitos de nós, a relação com o pai foi construída em cima de preconceito e silêncio mútuos.

“Pai / Você foi meu herói, meu bandido / Hoje é mais, muito mais que um amigo / Nem você nem ninguém tá sozinho / Você faz parte desse caminho / Que hoje eu sigo em paz / Pai / Paz”, diz Fábio Júnior ao fim de sua obra-prima. Obra-prima. Talvez seja isso o que todo pai gostaria que seu filho fosse. Mesmo que esse pai seja, na verdade, mãe, tio, tia, padrasto, ou irmão. Mesmo que esse pai seja Deus. Mesmo que esse pai seja “apenas” … pai.

 

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