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Artigo: O Partido Novo e as velhas práticas

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Fundado em 2011 e oficialmente registrado no TSE em 2015 o partido Novo chega para a disputa de sua primeira eleição presidencial propondo uma agenda econômica centrada no liberalismo de mercado como forma de desenvolvimento para o Brasil. Difundido na contemporaneidade como um dos símbolos do desenvolvimento as primeiras teses do liberalismo remontam a um passado muito mais distante do que as dinâmicas propagandas disseminadas pelo Novo podem aparentar, originado antes mesmo do marxismo, esta doutrina econômica tem sua origem através das obras de John Locke e Adam Smith, célebre autor da obra A Riqueza das Nações, uma das bases teóricas mais importantes desta doutrina econômica.

Tendo como seu principal alicerce a liberdade econômica, isto é, a não interferência do estado no funcionamento do mercado, o liberalismo acredita que desprovido da tutela pública este reger-se-ia naturalmente, garantindo um sistema capitalista competitivo e meritocrático que por consequência traria bem estar social a totalidade da sociedade. A defesa de um estado omisso e um sistema econômico regido ao bel-prazer dos interesses dos capitalistas não tem nada de novo e trouxe como resultado ao longo da história a desigualdade social imensa a qual estamos submetidos na contemporaneidade.

O Brasil já viveu na década de 90 e início dos anos 2000 as mazelas da experiência liberal, período no qual durante os oito anos de governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) o país assistiu atônito ao entreguismo de nossas riquezas através do processo de privataria tucana e do esquartejamento de nossa soberania nacional diante acordos firmado junto ao FMI. Derrotado seguidamente nas urnas desde 2002, o projeto entreguista e privatizador que tanto mal fez ao nosso povo tenta agora sob o aspecto de uma nova sigla, voltar ao poder.

Personificado na figura de seu fundador e principal expoente João Amoedo, o partido NOVO diz corresponder a uma nova forma de fazer política, rompendo com a estrutura vigente na administração pública brasileira atual, ex-executivo do setor bancário, Amoedo não possui experiência alguma na gestão do estado e se propõe de imediato a ser o outsider da vez e conquistar a Presidência da república. Conservador nos costumes como se já se definiu em entrevista ao Roda Viva na TV Cultura, os ideais dos liberais históricos no que diz a respeito da liberdade individual ficam de lado quando o assunto são as pautas progressistas, para Amoedo o estado não é capaz de zelar pelo bem-estar econômico da sociedade, mas é competente o suficiente para poder delimitar, por exemplo, o que as mulheres fazem com o seu próprio corpo.

Trajado de novidade e defendendo a manutenção dos velhos interesses capitalistas burgueses o NOVO tem se aproveitado da estupefação da população com a política para vender o seu projeto liberal pautado em uma agenda de retrocessos e de prejuízos a grande massa trabalhadora. O sistema econômico dominante segue gerando suas ramificações, criando novas lideranças e tentando camuflar em supostas inovações suas velhas práticas já conhecidas por todos nós e que por tantas oportunidades levaram nações para o caminho da desigualdade, da miséria e da injustiça.

 

Victor Hugo Batista Alves é servidor público municipal em Mogi Guaçu

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