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Artigo: O assassinato da deputada Edna Lott

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Edna Lott, filha do Marechal Henrique Lott, teve uma brilhante trajetória política, mas com um fim trágico. Wagner William, no livro “O soldado absoluto”, a página 408, faz essa revelação: “Edna Marília Lott de Moraes Costa sempre viveu intensamente ligada ao Exército. Seu marido era militar. Os filhos estudaram em colégio militares. (…) Durante a campanha do pai, tomou gosto pela política. (…) Nas eleições de 1962, elegeu-se deputada estadual pelo PTB da Guanabara, com o voto das professoras. Tornou-se admirada em uma época de raras mulheres no plenário. Candidatou-se novamente em 1966, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Na eleição para a Assembleia Legislativa da Guanabara, o MDB deu uma surra no partido do governo e ficou com 40 das 55 cadeiras.

Edna puxou a fila dos vencedores. Foi a deputada mais votada com 29.000 votos. (…) Durante a campanha fez uma comparação que veio acompanhada por uma crítica direta aos colegas: “Eu faço política por gosto, meu pai por patriotismo. Ele é um símbolo nacional, como todo mundo sabe, e costumava me prevenir que a política é uma piscina de crocodilos, mas nem isso me desanimou”. (…) O despojamento e a capacidade de comunicação que faltavam em Lott (sic), sobravam em Edna. Definitivamente, seu talento para comunicação não fora herdado do pai”. Adiante o autor revela a cassação da deputada: “Por um decreto do dia 17 de outubro de 1969, Edna sofreria uma injustiça que custaria a entender. Os ministros militares, “tendo em vista indicação do Conselho de Segurança Nacional”, usaram suas “atribuições” – garantidas pelo artigo terceiro do AI-5 – para aposentar e dispensar funcionários, cassar o mandato e suspender direitos políticos por dez anos de uma leva de deputados. Edna Lott estava entre eles. Jamais iria se conformar com essa decisão”.

Um caso amoroso terminou em assassinato de Edna Lott. Wagner William assim relata o fato: “Eduardo Fernandes da Silva era um dos secretários e motorista de Edna. (….) Com o estreitamento da amizade, Edna o convidou para ser seu assessor.  (…) Mesmo depois da cassação de Edna, ele se manteve ao seu lado. Como secretário e motorista. Só que ela descobriu que Eduardo não estava honrando os negócios que realizaram.” Edna esteve em Lambari, onde tinha um sítio. Aí ela discutiu com o amante, que a matou. Segundo o autor: “Para a população de Lambari, que via Edna sempre seguida por Eduardo, eles tinham um romance. A maioria dos jornais do dia seguinte também apontava como motivo do crime o fim do relacionamento. (…) Quando Edna descobriu sobre o passado de Eduardo, foi aconselhada pelas irmãs a deixar o Rio de Janeiro, mas ela preferiu ficar porque não queria abandonar Nelson [filho].

Ao tornar-se secretário de Edna, Eduardo alcançou um status que nunca tivera antes. Participou de encontros e reuniões políticas. Ascendeu socialmente e passou a levar uma vida tranquila. Ao assassinar quem lhe abriu tantas portas, ele, que se apresentava como seu namorado, jogava fora todas as regalias que conquistara. Um ato impensado que não combinava com seu modo de agir”. Por esse crime, Eduardo ficou preso por apenas cinco anos e nove meses!

Quando das eleições presidenciais, a deputada Edna Lott esteve em São João da Boa Vista, fazendo um comício para o pai no Bairro do Rosário. Izabel e eu assistimos a esse memorável e histórico comício. Tinha uma foto dele, mas a perdi. Por isso, não posso precisar a data desse comício.

 

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

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