Home»Artigos»Artigo: Mogi Guaçu, uma cidade com medo!

Artigo: Mogi Guaçu, uma cidade com medo!

1
Compartilhamentos
Pinterest Google+

Mogi Guaçu, infelizmente, é hoje uma cidade com medo, nas minhas andanças pelo nosso município percebo que as pessoas não tem segurança para sair às ruas, levar os filhos na escola, ir para o trabalho, no mercado, está todo mundo com medo, comerciantes vivem reféns de assaltantes que chegam apontando armas de fogo ou facas e levam o suor de seus trabalhos quando não os atacam na sua integridade física. A segurança pública é dever do Governo do Estado, está na Constituição Federal, sei disso, mas o município pode colaborar de várias formas e iniciativas. Quando fui prefeito trabalhei bastante e efetivei vários projetos de segurança municipal, em complemento ao trabalho das Polícias Civil e Militar, no entanto, o atual governo não deu continuidade à maioria desses projetos, em especial o de descentralização da Guarda Municipal por meio das Bases Comunitárias de Segurança, hoje o que se vê é o total abandono e descaso do projeto inicial e o desperdício de recursos públicos que foi inclusive matéria na imprensa recentemente, cujo noticiário deu ênfase ao total abandono da Base de Segurança do Jd Fantinato que não foi terminada e hoje está lá toda quebrada e pichada.

A Base da Zona Sul passaram para o Samu, a Base dos Jardins Ipês vive fechada com o mato e escuridão tomando conta; a única que estaria funcionando é a de Martinho Prado, mas de forma precária e sem manutenção do prédio que está se deteriorando, pois nem pintura do imóvel fizeram nos últimos 4 anos e meio de governo.  Não tem desculpa para uma atitude dessas de destruir o projeto das Bases Comunitárias de Segurança, que é uma tendência mundial de policiamento onde ocorre uma proximidade da população e dos agentes da lei, tornando-os conhecidos e amigos do povo, os quais por conta dessa aproximação comunitária obtêm mais informações com o cidadão de bem e, com isso, acabam fazendo mais prisões e apreendem maior quantidade de armas e drogas, sem contar que é a maior a sensação de segurança do povo por ter guardas fixos que atuam por região. Com esse projeto durante meu governo conseguimos reduzir indicadores criminais à época (2009 a 2012) conforme pode ser verificado no site da Secretaria Estadual de Segurança Pública (www.ssp.sp.gov.br). Portanto, foi lamentável a descontinuidade de um projeto tão bonito e eficiente que consumiu, sim, recursos públicos, mas que estava dando bons frutos para o povo guaçuano porque foi bem pensado, planejado e executado com maestria.

Enquanto prefeito contratei e formei de uma só vez o maior número de guardas civis municipais, nos últimos 20 anos. Um pelotão de 33 agentes e os equipei com uniformes, viaturas 0 KM e armamento de primeira,  criei a patrulha rural que era um sonho antigo da população do campo, investi em cursos de formação, porte de arma, promoções e treinamentos para que tivéssemos um efetivo motivado para trabalhar nas ruas, cuidar dos próprios municipais e apoiar o trabalho das Polícias Civil e Militar naquilo coubesse ao município. E sabe qual foi o resultado disso à época? Segurança, sensação de segurança e evidentemente redução dos principais índices criminais, notadamente crimes contra a vida (homicídios) e o patrimônio (furtos e roubos). Muitos dos guardas que contratei pediram exoneração e foram para outras corporações porque o atual governo não valoriza seus profissionais de segurança e os trata com total descaso, conforme tive conhecimento ao conversar com alguns desses profissionais.

Hoje o cenário é crítico, triste, a população vive com medo, além dos roubos o consumo e tráfico de drogas dominam quase que o Guaçu inteiro e a sensação que temos é que parte da nossa juventude está indo para um caminho tenebroso e sem volta que é o caminho do crime e da violência. Enquanto prefeito ainda criei o Programa Municipal de Valorização da Vida “Pró-Vida” por meio do qual guardas treinados visitavam as escolas municipais e durante as rondas faziam palestras e orientações junto aos alunos, pais e professores. Era um programa similar ao Proerd da Polícia Militar que ajudava na prevenção ao uso de drogas e à violência. Os guardas tinham curso de formação, viatura para deslocamento, cartilhas e todos os equipamentos necessários para que o trabalho fosse feito com qualidade. Sabe o que fizeram? Acabaram com o programa e deixaram nossas crianças sem esse trabalho de orientação, conscientização e prevenção ao uso de drogas. Isso foi uma grande maldade que fizeram para a segurança das nossas crianças!

Recentemente tive conhecimento que até um religioso da nossa cidade foi vitima de assalto à mão armada em sua paróquia, o que mostra a sanha e a periculosidade desses marginais que não tem compaixão com nada e com ninguém e precisam ser contidos pelas nossas autoridades.  Todo guaçuano sabe que Mogi Guaçu recebeu de “presente” do atual Governo do Estado um grande cadeião feminino que custou aproximadamente 60 milhões de reais, porém ao que consta da contrapartida do governo estadual foi apenas 5 milhões que serviram somente para recapear duas avenidas da nossa cidade. Ora, a contrapartida do governo não teria que ser no mínimo de 60 milhões? Afinal, recebemos um baita presente de grego! O impacto social foi muito grande para o município que teve que absorver o atendimento às presas em várias áreas de atuação municipal, sem contar o efetivo da Polícia Militar que é usado diariamente para transportar presas para audiências judiciais e atendimentos médicos. Esses policiais não poderiam estar protegendo a população em rondas pela cidade ao invés de condução de presas em escoltas? O atual governo deveria cobrar como contrapartida do Estado os 60 milhões e o aumento significativo do efetivo das Polícias Civil e militar, porquanto policiais para a cidade que é bom nada, de vez em quando chegam na cidade alguns poucos  agentes (gatos pingados) que estão muito aquém do que a cidade precisa e merece.

Por fim, gostaria de frisar que foi divulgado na imprensa local no início deste ano que havia sido elaborado um Plano Municipal de Segurança pela Prefeitura, Polícia e Conseg, porém qual medida prática foi adotada por esse governo que está indo para o seu 5º mandato? Ao que sei nenhuma, e o pior, a nossa população continua refém do medo e da insegurança sem nenhuma luz no fim do túnel…

O que precisamos, na verdade, é da efetivação de propostas concretas, consistentes e plenamente viáveis para serem implantadas na cidade e já num curto prazo para que tenhamos mais segurança e sensação de segurança. O povo está cheio de blá, blá, blá! Precisamos de proteção de fato!

 

Paulo Eduardo de Barros é ex-prefeito de Mogi Guaçu

Post anterior

Medida protetiva tem de ser mais rigorosa

Próximo post

Fotografia é foco de exposição; mostra começa hoje