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Artigo: Mamãe, mamãe, mamãe!…

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“Ela é a dona de tudo / Ela é a rainha do lar / Ela vale mais para mim / Que o céu, que a terra, que o mar” … Assim nos dizem os versos iniciais de Mamãe, canção de David Nasser e Herivelto Martins, que Ângela Maria gravou em 1956 e se tornaria o hino do Dia das Mães. Acha essa música antiga? E pode haver algo mais (e)terno que mãe? Alguém cuja presença consiga acalmar o mais feroz dos bandidos, o mais atroz dos humanos? Se existir, me diga.

Sou homem e, mesmo que um dia venha a ser pai, nunca saberei o que é trazer no ventre por nove meses, ou menos, um ser, outro ser que, semente, germina nas águas da vida e, fôlego a fôlego, aprende a nadar e, chorando, emerge como um deus, para ser homem ou mulher na luta (in)sana da vida. Luta? Sim, luta. Mesmo suave, mesmo que não se sinta lutar, nossa vida é sempre uma luta; seja por tempo, seja por espaço, vivemos em luta. As mães sabem disso.

Há uma frase de Cazuza que, aliás, se tornou o título do livro que conta a história dele com a mãe, Lucinha Araújo: Só as mães são felizes. Ironia? Pode ser, Cazuza era mestre nisso. Felizes… Talvez sejam mesmo. Afinal, só quem deu à luz e acompanhou os primeiros passos de um filho pode se dar ao luxo de sentir-se ao menos um pouco criadora da vida, coautora de Deus, que, mesmo sendo Pai, é feminino ao extremo em sua criação intermitente do mundo.

Mundo. Só estamos nele por causa da mãe: você, da sua, e eu, da minha. Tem mãe para todos os gostos. Dizem que elas só mudam mesmo é de endereço. Minha mãe é uma peça, e a sua, também. Toda mãe é uma peça, um filme, uma novela. Vide Dona Hermínia, Dona Xepa, Dona Lola, Aurora Greenway (Shirley MacLaine) em Laços de Ternura (1983), Erin (Julia Roberts) em Erin Brockovich – Uma mulher de talento (1999), dentre tantas outras, rainhas.

“Fosse eu Rei do Mundo, / baixava uma lei: / Mãe não morre nunca, / mãe ficará sempre / junto de seu filho / e ele, velho embora, / será pequenino / feito grão de milho.”. Pode haver coisa mais linda que esses versos de Carlos Drummond de Andrade sobre as mães? O nome do poema é Para sempre. Para sempre, aliás, é o tempo que eu gostaria de ficar com a minha mãe, Maria de Jesus, ou Maria Paula, nome pelo qual também é conhecida. Ela nasceu no Natal.

Por falar em Natal, a mãe das mães, a senhora de todas as horas, Maria de Nazaré, com certeza, em sua imagem clássica, a Pietà (do italiano, mas, em português, Piedade), de Michelangelo, é uma das imagens mais fortes e mais representativas do quanto o amor de uma mãe por um filho é vital, pois, no fundo, toda boa mãe que se preze, mesmo que tão somente no peito e na alma, carrega seu filho a vida inteira nos braços, velando por ele dia após dia.

“Maria, Maria / É um dom, uma certa magia / Uma força que nos alerta / Uma mulher que merece viver e amar / Como outra qualquer do planeta”… Milton Nascimento, Elis Regina e muitos outros já cantaram essa música que fala sobre a força da mulher simples, do povo, que é mesmo a mulher que levanta a bandeira do sol e estende o varal das estrelas, porque há tantas que ainda lavam roupa para fora, limpam as casas de outras mães, para dar aos filhos amor.

Porque amar também é dar de comer aos pequenos, quem sabe, esperando que, um dia, nunca se sabe, num futuro que vive distante, mas vem a galope, os meninos de hoje possam lhe fazer o mesmo e dar a elas, mães, que os embalaram com tanto carinho, um pouco de pão, de amor e carinho, em vez de simplesmente relegá-las ao léu do esquecimento, sem nem ao menos uma mensagem no What’sApp, um olá, uma carinha feliz que as emocione um pouquinho.

“Mamãe, mamãe, mamãe / Eu te lembro o chinelo na mão / O avental todo sujo de ovo // Se eu pudesse / Eu queria, outra vez, mamãe / Começar tudo, tudo de novo”… Pois é, a culpa não é sempre das mães, como querem alguns. Freud explica. Mãe também é mulher, trabalha fora de casa (e, quase sempre, dentro de casa, também), mãe também é gente. Gente que não apenas em maio merece carinho e respeito. É por ela que chegamos aqui. Por ela, pela mãe.

 

Olivaldo Júnior é poeta, escritor, músico e trabalha como oficial administrativo júnior na escola “Professor Cid Chiarelli” da Feg

 

 

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