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Artigo: Lições de Amoedo Campos

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Devo assinalar neste mês de julho, o centenário de nascimento de Luizinho Amoedo – Luiz Gonzaga de Amoedo Campos, ex-prefeito de Mogi Mirim, que foi casado com uma guaçuana, que se notabilizou por decisões exponenciais avançadas além do seu tempo. Sua passagem pela vida pública, em cima de convicções próprias, lhe conferiu a outorga de líder agraciado por unanimidade insuspeita de tantos que passaram admirá-lo sem restrições por uma vertente auspiciosa que contrastava, posso garantir, com o provincianismo sonolento da época.

Não tardou para que as lideranças regionais de seu tempo assimilassem seus atos e iniciativas integrados em modelo único e funcional, dentro de uma ótica ampla e adequada à praticidade, com notável transparência. Por muitas vezes ouvi de Luiz Franklin Silva, meu tio e ex-prefeito de Mogi Mirim, considerações lisonjeiras e oportunas quando se referiam a Luizinho Amoedo.

Mas sua conduta político-administrativa, embasada na retidão, não o livrou do açodamento invejoso de seus adversários poucos, porém, alinhados no cordão dos invejosos que não queriam reconhecê-lo pujante e determinado. Passei boa parte de minha adolescência auscultando as vozes de políticos locais e da região, pois gostava do burburinho fermentado de assuntos atualíssimos. Lembro-me de tudo o que diziam de Luizinho Amoedo, sempre com uma carga insuspeita de bons adjetivos.

Havia motivos para isso. Nos dias que se seguiram à sua posse como prefeito de Mogi Mirim, ele convocou técnicos altamente credenciados, do melhor gabarito, chefiados por Heitor Ferreira de Souza. Queria, expondo fundamentos, estabelecer o que se chamou depois de Plano Diretor do Município, que contemplava o desdobramento gerenciado da cidade através de uma ousada e inédita cirurgia urbanística capaz de “sacudir” o casario estacionário para um salto modernista conjugado com qualidade de vida e bem-estar. Foi quando surgiu o projeto das Avenidas de Fundo de Vale, de inquestionável alcance.

As expectativas eram tão evidentes que muitos buscavam explicações vislumbradas e semelhantes ao encorajamento das obras de Oscar Niemayer. Mas Luizinho Amoedo aceitou discutir seu plano de governo, chegando a abrir brechas de diálogo livre até para o que acometiam com pobres e falidos argumentos. Ele balançou as estruturas antes acomodadas e dormentes de conceitos envelhecidos.

Vale pontuar aqui que Luiz Amoedo, por sua formação municipalista, revelava-se um cultor do bom diálogo, praticante de um relacionamento bem enraizado de amizades. Pelo jeito simples de fazer com que suas idéias fluíssem, contabilizou amizades e simpatias pessoais, sem atritos ou distanciamentos.

Sua atitude como o primeiro a realizar um plano diretor na região estimulou outros Prefeitos a seguirem seus passos, como o ex-Prefeito Waldomiro Calmazini aqui na nossa cidade, com o arquiteto Joaquim Guedes e que até hoje serve de orientação aos alcaides.

Soube, e a boataria sórdida se encarregou de testemunhar, que Amoedo Campos foi alvejado pela sanha de seus poucos inimigos que não queriam vê-lo jubilado. Tudo isso serviu para engrandecê-lo, tantas eram as evidências de um líder que se consagrou defendendo a linha dinâmica cujas diretrizes eram alavancadas por certezas palpáveis que o tempo esculpiu para sempre.

Faço destas minhas considerações um depoimento daquele jovem adolescente que aprendeu a cultuar a memória de um homem público que fez escola de seus feitos. Consagrá-lo, aqui, é fazer coro com o testemunho inflexível da história.

 

Mário Vedovello Filho é cirurgião-dentista, professor universitário e ex-vereador em Mogi Guaçu

 

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GAZETA GUAÇUANA, 15 de julho de 2017

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