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Artigo: Então é Natal…

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Perambulando pelas ruas e comércios das nossas cidades, podemos já ouvir o tradicional mantra: “Então é Natal, e o que você fez? O ano termina e renasce outra vez…”. O final do ano sempre exige de nós um exame de consciência, pois é tempo de corrigirmos os erros que cometemos para, assim, renovarmos as esperanças para o ano que se inicia. O termino de 2018 deixará cicatrizes profundas no brasileiro, muito maiores que o 7×1 para Alemanha. Ainda não nos esquecemos disso! Mas a eleição que definiu os novos representantes do país a partir de janeiro de 2019 desperta forças ocultas que sempre militaram nos quartéis ou nos tribunais. Como dizia o velho e sábio doutor Ulysses Guimarães, quando questionado acerca do novo Congresso: “Vai ser pior”. É isso. Vai ser pior…

É certo que o descontentamento com a classe política é de longa data e por diversos motivos. A operação Lava Jato tratou de criminalizar a política, despertando a ira do povo brasileiro contra os representantes desta. Após o processo de impeachment que derrubou a presidenta eleita Dilma Rousseff, nós, brasileiros, voltamos às urnas para elegermos nossos representantes. Uma parte do eleitorado vitorioso dessas eleições resolveu dar um cheque em branco para o presidente eleito Jair Bolsonaro. Talvez o Globo Repórter, antes de findar o ano, deveria dedicar um especial sobre o governo Bolsonaro. O que o presidente eleito pensa sobre economia (na verdade sabemos que ele não sabe muito sobre o tema), mas o que fará Paulo Guedes? E a educação, sr. presidente? A Saúde? Enfim, passamos uma campanha inteira discutindo o periférico, aquela velha moralidade que garante o avanço da direita, quando os reais assuntos importantes do país passaram à deriva. A começar pelas trapalhadas do sr. Paulo Guedes, futuro ministro do governo Bolsonaro, o doutor Ulysses tinha razão: “Vai ser pior”.

Na verdade, eu gostaria de escrever um outro artigo, gostaria de ter visto o presidente eleito falando de reunificação do país, mas ele prefere continuar a campanha bélica. Ataca os seus adversários com unhas e dentes e fala manso com o deus mercado. Tudo indica que o seu governo adotará o neoliberalismo mais cruel e predador que já vimos. Logo aqui, em terras tupiniquins, onde a nossa elite conservadora, antiprogressista, antinacionalista nunca reconheceu e se reconciliou com o seu povo, como nos lembra José Honório Rodrigues. Sobre a nossa elite colonial ou contemporânea, apraz-me o que dizia o reverendo Antônio Vieira: “Não sei qual lhe faz maior mal ao Brasil, se a enfermidade, se as trevas”.

O Natal para a tradição cristã é festa de luz, porém, tudo indica que iremos celebrar tempos escuros. É a treva brasileira que nos acompanha por mais de 500 anos. Ao longo das últimas semanas, ouvi vários relatos de famílias rompidas por causa das eleições. Talvez seja esse o motivo que o presidente eleito Jair quer criar o ministério da “Família”, com um ministro de perfil questionável. Emprego, Saúde, Educação você entrega para o mercado, mas a família você reconcilia.  Espero que o novo ministério transforme o próximo Natal em luz, pois nesse permanecerá às trevas. “Então é Natal, e o que você fez?”… 

 

 

Leandro Roberto Longo é cientista social e comerciante em Mogi Guaçu

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