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Artigo edição de sábado- dia 5: A Venda do Tarico

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Corria o ano 1956. Nessa época, as brincadeiras mais praticadas pelos meninos eram: Pique, onça, estrear sela nova, um na mula, quatro cantos, pião e birola (bolinha de gude), mas a preferida era “Abrir- cadeia”, e o local ideal para brincar era em frente à “Venda do Tarico”.

Antes de continuarmos, vou dar uma ideia para os que não conheceram o local, como ele era, e também para aqueles que o conheceram possam se lembrar.

Naquela época a praça já tinha, acho eu, o nome que tem hoje, “Praça Padre Armani”, e onde hoje só há árvores, alamedas e bancos havia um prédio, o “Posto de Puericultura”, nome que não gostávamos muito de pronunciar,dada  a dificuldade de falar, mas dá no mesmo, para nós era  o “Posto das Crianças”, e , ao redor,  em forma de triângulo, havia como que uma espécie de cerca viva sem espinhos, era onde nos escondíamos. O Posto de Puericultura, com o tempo foi anexado pelo Posto de Saúde, lá perto da linha da Mogiana (Posto da Malária) e em seu lugar veio se instalar o SAMDU (Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência). Gozado, o povo na sua ingenuidade, logo deu um novo significado à sigla SAMDU, que passou a ser: “Somos assassinos matamos diariamente um”.

Posteriormente o prédio foi demolido cedendo lugar à praça dos dias de hoje.

Onde hoje se tem os fundos do Bradesco, havia um armazém: a “Venda do Tarico” e ao lado os fundos da casa do Dr.Waldomiro.

Esse era o nosso santuário, digo nosso porque dele compartilhávamos, disputávamos cada pedaço, cada recanto, cada desvão; eu, “Luizinho  Scaramello”, seu irmão “Alvinho”, Marcílio Donegá, Serginho Menezes, “Netinho do Zé da Pesca”, Beto da Dna. Arinda, seu irmão “Montezi, Vicente Assenço, “Birola”, “Bilú”; Chabregas, “Dinhão”, seu irmão “Peta” e muitos outros, perdoem-me aqueles de quem não me lembro agora.

Às vezes tínhamos de mudar de ponto, não sei se porque o barulho incomodava a vizinhança ou outro motivo, íamos para a Siqueira Campos, em frente ao Grupo Padre Armani, às vezes ao Jardim Velho.

Para brincar dividia-se a turma em dois grupos. No “par ou ímpar” se escolhia  quem seriam os presos(os bandidos)  o outro grupo teria um delegado e seus guardas que ficariam na cadeia vigiando os presos.

A brincadeira começava quando um ou mais presos conseguiam escapar da cadeia. Tinha que saber se esconder e ter velocidade para poder escapar dos guardas.Às vezes conseguíamos tão bons resultados que os adversários não nos achavam e a brincadeira acabava por falta de gente.

Certa vez quando estávamos presos, vigiados pelos guardas, fomos libertados por uma velhota que passava defronte a “cadeia”. Era um nosso colega disfarçado de velha, naquele momento, e ainda sem entender o que estava acontecendo, saímos correndo da cadeia.

Bons tempos aqueles!

É tudo passa. E hoje será que os “moleques” sabem o que é brincar de “abrir – cadeia”?  Talvez não tenham tempo, pois estão jogando videogame, com seus tablets ou smartphones conectados na internet.

 

Diamantino Gaspar é membro da Academia Guaçuana de Letras

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