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Artigo: Defender quem? Defender o quê?

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Corruptos?

Incompetentes?

Mal intencionados?

Não, de forma nenhuma.

Não há o que defender em termos de governabilidade nessas últimas décadas, independente da sopa de letrinhas. Como exemplo, qualquer um sabe que subsídio social, situação que não há nada contra, é meritório, mas subsídio social, sem que haja um programa de resgate do cidadão, não tem o menor sentido, penso até que é uma crueldade. É uma condenação a miséria do nosso irmão que não teve as oportunidades que lhes são de direito.

Expansão de crédito sem os cuidados e as análises necessárias consistem em enorme irresponsabilidade. Certa vez, um rapaz me perguntou o que eu achava desses créditos fáceis? A título de ilustração, eu respondi com várias perguntas: (admitamos que tenha hipoteticamente havido subsídio).

Você comprou uma geladeira este ano? Diante do sim, tornei a perguntar: você irá comprar outra geladeira o ano que vem? Você já calculou quantas geladeiras “irá pagar” nessa única compra? Você já calculou o tamanho dos juros que irá pagar?

O que poderá ocorrer com a fábrica de geladeira nos próximos anos? Irá vender poucas ou muitas geladeiras? O que poderá ocorrer com os empregados daquela fábrica no curto e médio prazos? Passado algum tempo encontrei com o rapaz que disse-me: professor, agora, entendo a sua resposta.

Ora, estava anunciado o problema futuro. Qualquer pessoa sem nenhum conhecimento de economia, como eu, poderia ver que a expansão de crédito que assistimos só poderia dar nisso, que estamos assistindo agora. Qualquer pessoa poderia prever o que estamos vendo agora. Por certo também em virtude de muitos outros equívocos.

Estava evidente que assistiríamos a essa tremenda inadimplência. Quem sobrevive ou sobreviveu a esses juros de 300%, 400% ao ano? Não há como sobreviver a tamanha imoralidade. Ora, renúncia fiscal ou subsídio com fundo eleitoreiro e com outros objetivos! Como?

E a segurança, então? Não há o menor sentido em elaborar leis que ficam no papel. É preciso a força da espada para garantir o cumprimento da lei, caso contrário, tudo torna-se letra morta como esta, onde está a espada?

O que estamos vendo neste exato momento, como ressaltei, era anunciado e altamente previsível. Só não viu quem não quis ver. Observo aqui o assunto que está sento tratado pela Campanha da Fraternidade. Quer seja: Políticas Públicas. Precisamos, sim, questionar os políticos sobre as suas políticas públicas. Como estão sendo feitas, como estão sendo cumpridas, se estão adequadas? Nós, o ” povão “, temos que nos ater, sim, quanto as políticas públicas. Questioná-las, questionar os políticos, pois eles não têm o direito de elaborar de “qualquer jeito as políticas públicas”. Eles não têm o direto de elaborar as políticas públicas virando as costas aos problemas públicos.

Eles não têm o direito de ser incompetentes quanto à gestão da coisa pública e, muito menos, com vistas a elaboração de leis, que não atendam a minimização ou solução dos problemas públicos, e diminuam o sofrimento do povo.

Enquanto nós, “povão”, não entendermos essas coisas estaremos condenando as futuras gerações ao desalento, principalmente dos jovens, o que é grave, ao abandonarem o nosso país, procurando outros ares, outros países, muitas vezes, “lá fora “, com grande sofrimento.

Até quando?

Defender quem?

Meu irmão, preste atenção nisso.

 

João Pansani é professor aposentado

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