Home»Artigos»Artigo: Atitude mesquinha de David Nasser

Artigo: Atitude mesquinha de David Nasser

0
Compartilhamentos
Pinterest Google+

No livro “Cobras Criadas – David Nasser e O Cruzeiro”, Luiz Maklouf Carvalho revela: “David Nasser foi o jornalista mais famoso dos anos 50, tempos áureos da revista O Cruzeiro. Morreu aos 63 anos, no Rio de Janeiro, em 10 de dezembro de 1980, rico (sic) e ainda influente como articulista da revista Manchete”. David Nasser era, portanto, muito poderoso. Com o Golpe de 64, que ele apoiou, tornou-se ainda mais poderoso. E aproveitou esse poderio, como vamos relatar em um episódio que, em minha opinião, manchou sua biografia.

Na página 554 do livro, o autor faz uma revelação, que merece ser contada. A história se refere ao motorista particular de Nasser, José Luís Pinto. Eis o que conta Maklouf: “Certa ocasião, em uma das inúmeras viagens que fizeram juntos [David Nasser e José Luís], não conseguiu enrolar o policial rodoviário que o fizera parar por excesso de velocidade (sic). Nasser desceu do carro, tentou o sabe-com-quem-está falando, mas o policial, inflexível, lavrou a multa. O jornalista anotou seu nome. (…) Alguns quilômetros depois, em Mogi Guaçu (sic), deu de cara com Laudo Natel, então governador de São Paulo, que visitava a prefeitura. Passou-lhe o nome do policial e pediu sua transferência para a maior lonjura possível. Dias depois, Zé Luís viu o rapaz pedindo clemência na sede da fazenda Bela Vista. Explicou a Nasser que morava ali perto, em Espírito Santo do Pinhal, e que a mudança seria um transtorno. Desculpou-se, humilhou-se (sic), mas o fazendeiro não recuou”. Um parêntesis: Natel foi governador em 1971 a 1975. Se realmente o fato relatado ocorreu nesse período, o prefeito de Mogi Guaçu era Carlos Nelson Bueno. Natel hoje está com 97 anos.

No livro citado, à página 556, Luiz Maklouf Carvalho informa que David Nasser deixou uma herança, em testamento, à viúva Isabel Nasser: nove imóveis urbanos, seis fazendas, títulos de renda fixa, cadernetas de poupanças, fundos de investimentos e ações, saldo de contas corrente em seis bancos (duas com saldo negativo) e cinco automóveis. O que era uma simples multa para um homem tão rico? Nada! Já a transferência do guarda rodoviário para a maior lonjura possível era um transtorno para si e sua família. Foi, sem dúvida, um ato mesquinho do poderoso jornalista! Atitude que manchou sua biografia.

 

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

 

Post anterior

Seis suspeitas de estupro chegam ao Conselho

Próximo post

Pneus são deixados em vala onde seria corredor de ônibus