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Artigo: Aquele da lua e dos amigos

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O título deste artigo remete a uma famosa série da televisão norte-americana cujo nome faz jus à data que celebramos todo 20 de julho, no Brasil e em várias partes do mundo: o Dia Internacional do Amigo. Não se lembra de que série estou falando, nem o que o título deste artigo tem a ver com ela? Bem, meu caro amigo, querida amiga, estou falando de nada mais, nada menos do que a série que batizava seus episódios assim: “Aquele disto”, “Aquele daquilo”, a série “Friends”! Lembra-se dela?

Aliás, 20 de julho, especialmente o deste ano de 2019, tem um motivo a mais para ser lembrado por todos que acreditam num feito histórico protagonizado pela equipe da Apolo 11, que, em 20 de julho de 1969, nas palavras do astronauta Neil Armstrong, deu “um pequeno passo para o homem, mas um gigantesco passo para a humanidade”: a chegada do homem à Lua. Sei que há pessoas que dizem não acreditar nesse feito e, com efeito, criaram até grupos de dissidentes na Internet, incrédulos na NASA.

Amigos e lua. Uma insólita combinação? Pode até não parecer que sim, mas amigos e lua têm tudo para serem par. Nunca ouviu falar em luau? Pois bem, lua, amigos e música… Há melhor combinação para uma noite de amizade e muita risada em comum? Não, duvido que haja melhor pretexto para umas horas em que a gente se esquece dos males e se deixa cair no colo de quem muitas vezes anda no mundo da lua, mas sempre nos faz ficar mais firmes na Terra, na vida de todo santo dia.

Dia 20 de julho de 1969, o dia da chegada do homem à Lua, teve, no entanto, pouco a ver com amigos, com amizade. A não ser pelos homens e mulheres astronautas que se uniram pelo esforço de atingirem o que seria até então o momento máximo da realização humana, o de chegar, descer e andar num solo que não fosse o da Terra, esse dia é conhecido como a vitória norte-americana sobre os soviéticos na famigerada Guerra Fria, que esquentava os ânimos em busca da supremacia pós-Guerra.

O jornal O Globo, em matéria publicada no último domingo, 14 de julho, devidamente assinada por Roberto Maltchik e Cesar Baima, promete uma cobertura completa sobre o assunto da aventura espacial que deu certo e mostrou ao mundo que, ao contrário do que eu acreditava quando criança, São Jorge não está na Lua, numa eterna briga com o dragão. Não, na lua americana não há São Jorge, nem selenitas, que é como seriam chamados os habitantes lunares, caso existissem. Sabia que há um plano de voltar à Lua?

O Dia Internacional do Amigo, criação do argentino Enrique Ernesto Febbraro (1924-2008), tem tudo a ver com a chegada do homem ao satélite natural da Terra, pois nosso hermano Febbraro considerou esse fato como um símbolo de união entre todos os seres humanos. Não foi bem isso que aconteceu àquela época, mas, através de campanhas de divulgação realizadas por Febbraro, aos poucos, o Dia do Amigo e Dia Internacional da Amizade, passou a ser comemorado em várias partes do mundo.

“Amigo é coisa pra se guardar / Debaixo de sete chaves / Dentro do coração / Assim falava a canção que na América ouvi”, decretaram Fernando Brant e Milton Nascimento na indefectível Canção da América (em inglês, Unencounter), que Milton Nascimento compôs em homenagem ao seu amigo sul-africano Ricky Fataar, multi-instrumentista do Cabo Malay. Dei um Google, e lá veio para mim toda a história da canção. Internet. Rede social. Twitter, Facebook, Instagram. Hoje se fazem amigos assim.

“Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua / Merecia a visita não de militares, / Mas de bailarinos / E de você e eu”, dizem os versos de Herbert Vianna e de Tete Tillet em Tendo a lua, canção que faz menção a essa musa impassível de poetas e românticos do mundo todo, que não passam incólumes pela lua. Lua à qual Cecília Meireles, em Lua adversa, se comparou: “Tenho fases, como a lua / Fases de andar escondida / Fases de vir para a rua…”. Ambígua, feminina, mutável, eis a “blue moon”.

Amigos. Não sei quantos deles eu tenho. Mas sei que os tenho. Alguns deles vêm sempre comigo em meu peito. Sei que, como disse Cazuza, “eu sou um poeta e não aprendi a amar”, mas me esforço para deixar de lado minha síndrome de Gasparzinho e sentir que nem todos saem correndo quando enxergam este fantasma camarada, que, apesar dos pesares, se deixa ser visto, mesmo que, parafraseando Caetano, de perto ninguém seja mesmo normal. Aliás, o que é mesmo normal? Não sei.

“Você meu amigo de fé, meu irmão camarada / Amigo de tantos caminhos e tantas jornadas / Cabeça de homem mas o coração de menino / Aquele que está do meu lado em qualquer caminhada”, diz Roberto Carlos a seu amigo Erasmo Carlos, como pode ser visto no filme “Minha fama de mau”, recém-lançado nos serviços de streaming, em diversas plataformas digitais. Biografia autorizada do “Tremendão” Erasmo, o filme retrata sobretudo a amizade entre esses dois ícones da Música Popular.

“O tempo passa e engraxa a gastura do sapato / Na pressa a gente não nota que a lua muda de formato / Pessoas passam por mim pra pegar o metrô / Confundo a vida ser um longa-metragem”, diz Ana Carolina em O avesso dos ponteiros. E me lembro da cena clássica de E.T. – O extraterrestre, em que meninos em bicicletas voadoras tentam levar o dócil estrangeiro interespacial de volta ao lar. Lar é onde estão nossos amigos? Friends, hermanos, amigos. Felipes, Henriques, Irineus. E la luna no bolso.

 

 Olivaldo Júnior é poeta, escritor, músico popular, professor e trabalha como Oficial Administrativo Júnior na Secretaria da Escola “Professor Cid Chiarelli” da Feg

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