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Artigo: Ao amigo Arlindo Marquesi

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Tim Maia tinha razão: “Não sei por que você se foi, quantas saudades eu senti, e de tristeza vou viver… Você marcou em minha vida, viveu, morreu na minha história… E eu… gostava tanto de você”. Confesso que é bem difícil escrever essas linhas, meu amigo Arlindo Marquesi. Ainda penso que vou encontrar com o senhor na ponte vermelha, na Papelândia, ou no Big Bom, fazendo compras, sempre com o dedo em riste me dizendo: “Chefe, o seu PT não está com nada”. Às vezes eu fecho a minha loja no domingo e acho que vou passar a tarde toda ouvindo o senhor contar as histórias da nossa cidade… E quantas tardes de domingo nós passamos juntos, mas o tempo foi implacável e aquele dia triste de setembro chegou, e o senhor resolveu encantar-se no Reino da Vida. Deixou-nos fisicamente, mas permanece vivo em nossos corações, no caderno da minha vida.

Jamais vou me esquecer do mês de dezembro do ano 2000: o senhor sentado na mesa da Papelândia, sério, bravo, mas me acolheu como um pai. Deu-me a oportunidade do primeiro emprego, eu tinha 15 anos. De lá até o seu encantamento, eu fui crescendo e nossa amizade também foi. De patrão, o senhor tornou-se meu amigo. Quando fui para o seminário, era o senhor que me enviava semanalmente esse conceituado jornal, pois dizia que eu não podia me afastar da minha cidade. Cada vez que eu ligava em casa, eu tinha que ligar para o senhor e dizer: “boa tarde, chefe”.

Olha, são tantas histórias que as letras não conseguirão registrá-las. Talvez, resta-me tentar manter vivas as inúmeras qualidades que o senhor possuía. Como sempre gostava de dizer, era o fundador da cidade, pois se recordava dos tempos da rua da Boiada e da época em que se fechava a porteira na avenida 9 de Abril. Trabalhou e trabalhou muito, construiu uma papelaria que é conhecida na cidade toda e, dos meus avós até o meu irmão, compramos o material escolar na Papelândia. O senhor amou a Papelândia, a sua família, os seus amigos e a nossa Mogi Guaçu. São-paulino apaixonado, gostava de contar “causos” que me fazia viajar em um passado que eu não vivi.

Senhor Arlindo Marquesi, minhas palavras misturadas com o meu sentimento serão sempre de gratidão. Obrigado é o que posso registrar nesse pequeno artigo que quer ser uma homenagem pelo ilustre homem que o senhor foi. Nossa cidade perdeu um de seus melhores filhos, mas o seu legado está vivo em muitos homens e mulheres que, assim como eu, começamos nossa carreira profissional na Papelândia.

Eu tenho certeza que sua rotina não deve ter mudado muito, deve estar contando as histórias do Guaçu para Nosso Senhor, levantando bem de madrugada, e tenho certeza que todos aí devem ter aprovado o seu café. Ah, eu jamais vou esquecer quando o senhor comprava aquela rosca que eu gostava e me esperava para o café da tarde, após a missa. Peço que, de onde o senhor estiver, acolha essa minha pequena homenagem e estenda a sua mão e me abençoe. O bule está no fogão, o silêncio está em mim, mas eu sigo transformando os papeis e canetas em histórias de vida, assim como o senhor me ensinou. Um abraço, chefe.

 

Leandro Longo é professor e comerciante em Mogi Guaçu

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