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Artigo: Ainda que eu passe pelo vale das sombras…

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No vale das sombras, o mal é vão temer. Se vos tenho a meu lado, por quê desfalecer”? Esse verso era muito cantado nas liturgias de uns anos passados e o salmista comprova a presença divina sempre a socorrer o povo em situações delicadas e de extrema dificuldade. Essas sombras e dificuldades parecem permanecer em nossos ambientes, principalmente na política. Sombras de insegurança, violência, corrupção, desrespeito, falta de educação.

Ao mesmo tempo precisamos constatar que soluções mágicas não existem e que se queremos chegar a algum lugar precisamos caminhar, nos desinstalar, nos desacomodar e colaborar para que mudanças aconteçam. Bater panelas, fazer passeatas, podem ajudar se não ficar só no oba-oba das ruas e passar da gritaria para um processo de assumir responsabilidades comunitárias e sociais. Nossa cidade, nossa comunidade dependem de nossa participação para crescer, se modernizar e se transformar em casa de todos, mas, sem a colaboração de cada um, nada se transforma. Talvez não tenhamos ainda atentado para o fato de que somos “seres políticos” e que a não participação na política é uma omissão que interessa aos que fazem da politicagem o seu meio de vida. Quando falo de política não me refiro à política partidária e sim aos nossos esforços por empreender diversas maneiras de construir cidadania e respeito aos seres humanos e fazer respeitar seus direitos. Esse tipo de participação nos foi sugerido durante a Campanha da Fraternidade a fim de que quanto mais soubermos e participarmos dos diversos conselhos e também entidades, mais poderemos colaborar com políticas publicas que elevam a qualidade de vida do nosso povo.  Não se trata de “pisar em ovos”, mas de levar “luz” para esses vales tenebrosos de praticas políticas desastrosas para as cidades e para o país.

Quando o povo participa muitas estruturas estremecem, pois o povo paga pela estrutura, por vezes ineficiente, de certos setores governamentais. Por exemplo, gastamos demais com gabinetes parlamentares e arcamos com o absurdo caos no sistema de saúde pública; bilhões são gastos em propinas e desvios de verbas públicas, enquanto escolas e professores não têm o mínimo necessário para formar os governantes de nosso amanhã. Questionar essas situações não nos coloca contra esse ou aquele, querer saber tais respostas nos põe a favor de nosso povo, da vida que maravilhosamente insiste em viver.

É por isso que nosso Senhor nos ensina a fazer sempre o bem, buscar a justiça do seu reino e viver na verdade que liberta. Perseverar no bem e na verdade nos faz caminhar em meio e tantas situações de escuridão e de incertezas. É certo que Deus caminha conosco, é certo que a nossa responsabilidade é inquestionável e que os políticos não podem receber de nós uma “carta branca” para fazer o que bem ou mal entendem. Se não nos interessarmos mais pela política, os espertos vão continuar se interessando.

Cuidemos de nossa “casa comum”, o lugar em que vivemos, nossa cidade, nossa comunidade e da natureza que generosamente proporciona o essencial para nosso viver. Não temos o que temer, pois “o Senhor vai conosco. Seu amor nos sustenta” (cf. Sl 23).

 

João Paulo Ferreira Ielo é pároco na Igreja Matriz Imaculada Conceição   

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