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Artigo: Aécio vira réu

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Por 5 votos conta 0, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou tornar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) réu na ação que o acusa de corrupção e obstrução (nesta última acusação, recebeu quatro votos). A principal acusação foi Aécio ter recebido 2 milhões de Joesley. Ele alega que foi um empréstimo para pagar seus advogados. Entretanto, nunca vi um empréstimo por malas de dinheiro, que foram transportadas pelo seu primo Fred. Nunca! Luís Roberto Barroso, em seu voto, também pensa assim: “No mundo dos negócios lícitos, o pagamento de R$ 2 milhões em quatro parcelas de R$ 500 mil se faz com transferência bancária ou cheque (sic). Nos dias de hoje ninguém sai por aí com malas de dinheiro, a não ser que haja alguma coisa errada”.

Antes do julgamento, Aécio escreveu um artigo para a Folha, dizendo entre outras coisas sobre sua conversa com Joesley, gravada: “Permeti-me usar um vocabulário inadequado e fazer brincadeiras injustificáveis e de enorme mau gosto (sic), das quais me arrependo profundamente. Lamento, especialmente, o que esse episódio acarretou para outras pessoas”. Um senador nunca deveria usar palavras inadequadas. No Plenário, tais termos seriam punidos. Um arrependimento tardio: o mal está feito! Sobre o dinheiro emprestado por Joesley, reconhece: “Errei em aceitá-lo. Mas não cometi nenhum crime.” Como não? Barroso tem razão: “ninguém sai por aí com malas de dinheiro, a não ser que haja alguma coisa errada”. Errou, sim! Em outro trecho de seu artigo, Aécio confessa: “Fui ingênuo, cometi erros (sic) e me penitencio diariamente por ele. Mas não cometi nenhuma ilegalidade”. Aécio ingênuo? Ao contrário é esperto. Quase escrevi: espertalhão…

O Professor Marco Antonio Carvalho Teixeira, em artigo publicado no ESTADÃO, comenta: “Não há como ignorar implicações políticas – Três anos e meio após ter obtido cerca de 51 milhões de votos e afirmado que havia perdido a eleição presidencial para uma “organização criminosa”, Aécio Neves virou réu por crime de corrupção passiva e de obstrução da Justiça. (…) Todavia, de imediato, não há como ignorar prováveis implicações políticas que essa decisão pode ter para as eleições que se avizinham. Destaco duas. (…) A primeira se refere à eleição ao governo de Minas Gerais. O PSDB mineiro tenta vencer o PT e retomar o governo estadual com a candidatura do atual senador Antonio Anastasia, ex-governador e figura pública fortemente vinculada a Aécio. (…) A segunda implicação tem a ver com a eleição presidencial e tende a representar um fator de preocupação para o PSDB. São Paulo e Minas Gerais são colégios eleitorais em que os tucanos esperavam abrir vantagem de voto sobre os seus concorrentes, o que compensaria a baixa presença eleitoral do partido em outros Estados. (…) Em baixa em São Paulo e agora com a ampliação do desgaste da principal liderança tucana em Minas, a presença de Alckmin no segundo turno, caso se confirme uma baixa votação nesses dois Estados, tende a ser duvidosa (sic)”.

Sobre a condenação de Aécio, Alckmin declarou: “Decisão judicial se respeita e lei é para todos”. Com essa declaração, o presidenciável tucano procura amenizar a repercussão da condenação de Aécio. Conseguirá? A conferir. Notícia na imprensa: Seis ex-presidentes do metrô de São Paulo e membros de governos do PSDB viram réus. Notícia péssima para Alckmin: MP abre inquérito contra ele por improbidade administrativa em São Paulo. Será que a Justiça iniciou um período de caça aos tucanos? A ver!

 

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

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