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Artigo: A pressa é a inimiga

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Todos os dias somos surpreendidos com acontecimentos que tentam minar nossa confiança e aumentar a sensação de medo e insegurança. A crescente onda de violência e desrespeito pela vida humana também faz crescer as buscas desordenadas de soluções rápidas para problemas antigos. E o pior é que sofremos da síndrome de “Pôncio Pilatos”, ou seja, lavamos as mãos e esperamos que só as autoridades tomem medidas para resolver certos dramas que afetam a todos.

Quando vejo as notícias de fome, guerra, abusos de menores, corrupção e desvio de dinheiro público, imagino que somente leis e punições não resolvem porque os maus costumes estão arraigados dentro dessas pessoas que se acostumaram no mal ou não lhes foi dada outra oportunidade de ver e viver a vida. As leis existem e muitos encontram brechas na lei para se safarem de seus crimes; as regras existem, mas sempre há uma exceção; falamos em bem e não o fazemos; cobramos rigor e não somos rigorosos conosco mesmos. Não haverá mudança do mundo se esta mesma não se iniciar por mim! E como já ouvimos, “o que eu desejo que os outros me façam, devo eu fazer primeiro” (cf. Mt 7,12)

Escutei o Papa dizendo que “o desânimo não é cristão”, e de fato, quem desanima a população com propagandas massivas de sensacionalismo e violência, além de levar a uma certa perda da esperança, pervertem os direitos fundamentais das pessoas e as fazem refém de um medo doentio e usam dos meios disponíveis para semear a tensão, a divisão, a desconfiança e o temor a respeito das outras pessoas. Grandes meios de comunicação adoram uma desgraça ou tragédia para aumentar sua audiência, incentivar a discórdia e insuflar os quebra-quebra. Em seguida vem a proclamação do caos.

Um cuidado que se faz urgente é nos livrar da pressa para responder ao que acontece agora e que vem de tempos antigos. Não cuidar do recurso natural que Deus nos deu nos leva a assistir a destruição e degradação do ser humano e do meio no qual vive. A busca desenfreada de prazer a qualquer custo, o desejo insaciável de riqueza sem pudor, a falta de sensibilidade com os semelhantes parece esfriar o coração humano e o empobrece em relação ao que acontece em volta de nós. “Se um membro sofre, todos sofrem”, afirma são Paulo; não é cristão dizer “não tenho nada com isso”…. E lá vem a pergunta: como mudar tudo isso?

Mudanças efetivas devem seguir o plano da “semente”. Ela não tem pressa; desenvolve o seu programa de vida, espera o sol, a chuva, o adubo. Persevera no bem e por isso se transforma numa boa planta. E para nós, neste momento em que vivemos, encontrei uma animadora palavra do profeta Isaías que nos desafia a ser perseverantes no bem que diz:- “Aquele que pratica a justiça e fala o que é reto, que despreza o ganho explorador, que se recusa a receber suborno, que fecha os ouvidos para não ouvir a voz do crime, fecha os olhos para o mal não praticar. Esse morará nas alturas, o seu pão e seu sustento lhe serão assegurados”. (cf Is 33,15-16) As soluções que buscamos precisam ser trabalhadas com perseverança no que produz o bem para todos e não só bem-estar para alguns.

A pressa, além de ser inimiga da perfeição, é também sinal de descaso, pois quem ama nunca se atrasa, ao contrário, persevera no amor e faz o bem e constrói fraternidade e comunhão.

 

João Paulo Ferreira Ielo é pároco da Igreja Matriz Imaculada Conceição

 

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