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Artigo: A condenação de Lula

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Eu esperava a condenação de Lula. No entanto, fiquei surpreso com a drástica sentença. Para mim, ao aumentar a pena de 9 anos e 6 meses, que não o condenava à prisão, para 12 anos e 1 mês, a intenção dos três desembargadores foi única e exclusivamente a prisão de Lula. Só essa intenção já demonstrava como seria o julgamento! Houve, como era de se esperar, repercussão. Uns vibraram com o resultado. Outros, o contestaram. Vamos transcrever a opinião desses últimos.

Veríssimo, em artigo no Estadão, comenta: “Mark Weisbrot dirige o Centro de Pesquisa Econômica e Política, em Washington. Ele escreveu um artigo para o New York Times de ontem [24/1], sobre o julgamento de Lula, com o título “A democracia brasileira é empurrada para o abismo”. Weisbrot não acreditava na imparcialidade (sic) da corte e, no seu artigo, lembra que o juiz que presidiria o painel de apelação já tinha chamado a sentença original do Sérgio Moro de “tecnicamente irreparável” e sua chefe de gabinete já publicara no seu Facebook uma petição pela prisão do ex-presidente, antes de saber o resultado (sic) da apelação. (…) Weisbrot cita dois exemplos do que chama de evidente parcialidade (sic) de Moro, quando este autorizou a condução coercitiva do Lula  — que se oferecera para depor voluntariamente – só pelo espetáculo midiático, e depois a publicação da gravação de uma conversa entre Lula e a presidente Dilma, proibida por lei. Quanto às acusações que resultaram  na condenação de Lula a nove anos de prisão, tecnicamente irreparáveis segundo o presidente do painel de apelação, Weisbrot diz que elas nunca seriam levadas a sério (sic), por exemplo, no sistema judicial americano. Nos Estados Unidos, o julgamento em curso do Lula poderia ser exemplo do que eles chamam de “kangaroocourt”, um tribunal irregular reunido unicamente para condenar (sic), e danem-se as provas. (…) Só espero que poupem o país da imagem do Lula arrastando correntes com os pés”.

O jurista Streck diz sobre o julgamento: “Os votos vieram prontos (sic). Nem disfarçam!”. Ele, no texto, observa: “há um momento do julgamento de Lula que o presidente da turma diz: “Terminamos a primeira fase. Faremos um intervalo de 5 minutos e, na volta, o relator lerá seu voto” Ups. Ato falho? O relator lerá seu voto? E as sustentações? Lembro que, no julgamento  mitológico de Orestes, os jurados não tinham o voto pronto. Cada um votou depois de ouvirem a defesa e a acusação. É incrível como, no Brasil, 2.500 anos depois, os votos vêm prontos e não levam em conta nada do que foi dito nas sustentações orais. Nem disfarçam (sic). Afinal, por que manter, então, esse teatro? Se a decisão está tomada? Isso não é um desrespeito a quem sustenta? Insisto: o ensino jurídico no Brasil tem futuro? Ficções da realidade e realidade das ficções! E pior: há milhares de professores que, por aí afora, não protestam contra isso tudo”.

Dom Angélico Sândalo, bispo emérito de Blumenau (SC), afirmou: “Lula é perseguido e foi condenado sem provas (sic)”. Na opinião dele, nesse “julgamento” de Lula está havendo uma pressa impressionante [eu escrevi a jato]. Aceleram (a ação judicial) por quê?”. Respondo: Tudo indica que é para impedir sua candidatura à Presidência, que as pesquisas, todas, apontam-no como franco favorito!

Reinaldo Azevedo é anti-Lula ferrenho. Sua opinião é, portanto, insuspeita. Em artigo à FOLHA, ele diz: “Lula está sendo vítima de um julgamento de exceção. Se atravessamos o umbral, está decretado o fim da segurança jurídica”.  Para mim, a condenação de Lula foi política e não jurídica. Lamentavelmente!

A jornalista Eliane Cantanhede, no Estadão, ironiza: “Lula não tem a mínima condição de ser candidato nem a ministro do Trabalho na vaga de Cristiane Brasil”. Será que realmente Lula não poderá ser candidato? A conferir.

 

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

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