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Alternativas de acesso ao mercado de trabalho

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Ingressar no mercado de trabalho é uma tarefa nada fácil aos jovens, mas este acesso é facilitado por associações não-governamentais e sem fins lucrativos que buscam espaço junto às empresas. Em Mogi Guaçu, esta tarefa é desempenhada pelo Camp (Centro de Aprendizagem Metódico Profissionalizante) e o CIEE (Centro de Integração Empresa Escola).

Há ainda duas formas de ingresso no trabalho: estágio e a aprendizagem.

O programa de aprendizagem é voltado para o público com idade entre 14 e 24 anos. É obrigatório que todo aprendiz participe do curso de aprendizagem composto por aulas teóricas e práticas.

O estágio é uma oportunidade de trabalho oferecida aos estudantes do ensinos médio/técnico ou superior para trabalharem em uma empresa por um período determinado, de tempo limitado.

MOTIVAÇÃO

Serviço de convivência é outra vertente do Camp

Além da atividade voltada ao jovem aprendiz, o Camp (Centro de Aprendizagem Metódica Profissionalizante) desenvolve ainda o “Serviço de Convivência”, que é um programa subsidiado pelo CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) e Conselho Municipal de Assistência Social.

O objetivo é atender adolescentes com idade a partir dos 14 anos, que esteja estudando e que resida em área de vulnerabilidade social. A clientela é encaminhada pelos Cras (Centros de Referências em Assistência Social), Creas (Centro de Referência Especializada em Assistência Social) ou Conselho Tutelar que compõem esta rede de assistência à criança que conta ainda com o CMDCA (Conselho Municipal de Direitos da Criança e Adolescente) e o Conselho Municipal de Assistência Social.

Marisol
Marisol

Estes adolescentes frequentam o Camp nas segundas e quintas-feiras, durante o período de 2h30, no decorrer de um ano. O programa foi iniciado este ano e abrange 50 adolescentes. Durante este período, eles têm várias atividades, como oficinas, palestras, passeios e dinâmicas, passando por temas transversais que vão desde a higiene pessoal a como se portar no ambiente de trabalho.

A psicóloga Marisol Raquel Piloto Lourenço comenta que uma vez por mês, a equipe recebe os pais desta clientela que também têm orientações gerais e apresentam feedback do trabalho que é desenvolvido com os filhos. “Os próprios jovens comentam que ficam mais motivados a estudar e a fazer planos para o futuro. E os pais confirmam estas mudanças”, relata frisando que é feito ainda trabalho de orientação profissional vocacional. Marisol diz que eles fazem uma autoavaliação e nestes seis meses de trabalho percebem que mudaram.

FECHANDO NO VERMELHO

Atendimento do Camp caiu pela metade

Se a crise chegou ao mercado de trabalho, a situação não é diferente para o menor aprendiz. A afirmação é da coordenadora do Camp, Cássia Aparecida Zamariola Murilo Lanzi. Os números mostram esta redução. Atualmente, 158 jovens aprendizes são assistidos pela instituição, mas este número já chegou a 350. Com a redução há dois anos, o Camp encerra no vermelho o balanço anual.

Vale observar que mais do que a aprendizagem profissional, o Camp desempenha trabalho focado no social. As empresas não têm encargos trabalhistas. “É a contribuição das empresas que mantém o Camp”, diz Cássia referindo-se àquelas que buscam o trabalho do menor aprendiz.

Cassia
Cassia

Com as empresas reduzindo gastos e enxugando a folha de pagamento, o social também é afetado, observa Cássia referindo-se à oferta de oportunidades para o jovem aprendiz. “Dependemos das empresas para ampliarmos o atendimento”, pontua. Há ainda a considerar o fato de várias empresas terem programas de estágio, excluindo o jovem aprendiz que é outra proposta.

A coordenadora faz questão de frisar que o Camp não é uma agência de emprego, pois não visa apenas colocação do jovem no mercado de trabalho, mas a prevenção da vulnerabilidade social. “Aqui eles aprendem a dizer não para as coisas ruins. E a construir uma história de vida diferente”, pontua, lembrando que o trabalho é gratuito, ou seja, sem custo às famílias.

Rosângela
Rosângela

A assistente social Rosângela Aparecida Pereira relata que nem sempre as famílias entendem este perfil de trabalho do Camp, pois chegam à instituição e até mesmo citam nomes de empresas que gostariam que o filho trabalhasse. Isto sem falar que a “falta” de vagas também é motivo de muitas queixas. “Mas a gente até compreende porque sabe do quanto querem uma colocação para o filho”, pondera.

Este ano, por exemplo, foram feitas 700 inscrições e apenas 84 foram atendidos, após triagem que considera a questão sócia financeira da família. O total de 158 jovens assistidos neste ano abrange aqueles que ingressaram no ano passado, visto que o período de contrato é de 15 meses. O chamamento destes jovens acontece em duas ocasiões anuais, sendo que neste segundo semestre devem ser ofertadas 70 vagas, ou seja, 14 a menos que no 1º semestre.

O Camp foi fundado em abril de 1971. Neste período atendeu 8.303 jovens, sendo 4.006 meninas e 4.297 meninos.

NA CRISE

Estágio é opção para empresas inovarem

O programa de estágio tem crescido porque é uma alternativa para as empresas mudarem este olhar, vendo o acesso do estagiário como a oportunidade de inovação. A observação é feita pelo supervisor do Programa de Estágio e Aprendiz do CIEE (Centro de Integração Empresa Escola), Fernando Paim Neto.

Fernando
Fernando

A argumentação de Neto se baseia no fato do estágio oferecer ainda às empresas a oportunidade de buscar talentos neste momento crise em que precisa manter o trabalho e as atividades, mas precisa considerar os custos. “Estes jovens têm trazido experiências positivas às empresas, inclusive às empresas públicas se beneficiam muito do programa de estágio”, disse pontuando que a Prefeitura é uma das maiores parceiras do CIEE.

Neto lembra que o estágio é diferente do trainee, que é programa ofertado pelas empresas. Afinal, o trainee visa o acesso de jovens formados que passarão por vários setores da empresa para serem efetivados em um cargo de confiança. No estágio, a empresa não tem custo e o jovem está estudando. “A cultura das empresas tem dificultado muito o estágio porque ainda há setores muitos resistentes em abrir oportunidade ao jovem para que obtenha experiência”, analisa.

O estágio ofertado pelo CIEE, por exemplo, abrange três segmentos: indústria, comércio e serviços. Destes três, o comércio é o que apresenta maior resistência em abrir vagas de estágio. Neto explica que o CIEE tem bom retorno das ações porque as visitas às empresas são ininterruptas, em média, de sete a oito por dia. “No estágio, o jovem pode ficar até dois anos na empresa, trabalhando 30 horas semanais, recebendo bolsa auxílio e auxilio transporte. A parte burocrática é toda de competência do CIEE”, frisa.

O CIEE é uma organização não governamental e sem fins lucrativos. Criada há mais de 50 anos, há sete anos conta com uma unidade em Mogi Guaçu, sendo que recentemente atende em nova sede no Jardim Planalto Verde. A finalidade é ofertar às empresas privadas e públicas a oportunidade de captarem jovens pelo Programa de Estágio e o Programa Aprendiz Legal.

OUTRO PERFIL

“Aprendiz Legal” é totalmente gratuito aos jovens do programa

O Aprendiz Legal se destina aos jovens com idade de 14 a 24 anos incompletos que estejam estudando ou tenham concluído o ensino médio em escolas da rede pública. O valor da remuneração é de um salário mínimo. Estes jovens participam de capacitação uma vez por semana, sendo que a falta ao curso é descontada na folha de pagamento e a desistência do mesmo implica na perda da vaga.

multi mercado trabalho fernandoNeto explica que se trata de programa de aprendizagem voltado para a preparação e inserção de jovens no mundo do trabalho, que se apoia na Lei 10.097/2000. A Lei determina que empresas de médio e grande porte contratem jovens de 14 a 24 anos para capacitação profissional (prática e teórica), cumprindo cotas que variam de 5% a 15% do número de funcionários efetivos qualificados. É facultativa a contratação de aprendizes pelas microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP).

Por conta das cotas é que Neto avalia que o programa não sente a crise, pois as empresas têm cotas a serem cumpridas.

A partir deste semestre, o CIEE passará também a oferecer trabalho de conteúdo pedagógico para o programa visando postura, comportamento e ética. Até mesmo uma assistente social passará a integrar a equipe. O CIEE também receberá clientela enviada pelo CRAS, através de projeto desenvolvido com o Conselho Municipal de Assistência Social. O trabalho com o grupo de jovens será realizado pelo período de seis meses, sendo que após esta etapa passam a integrar o cadastro que fica disponível no sistema para as empresas. A partir da solicitação de vagas de aprendiz, o CIEE faz o encaminhamento.

O CIEE abrange 25 municípios e este ano está com 1.800 estagiários e 520 aprendizes.

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