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Álbum de figurinhas: paixão sem limite de idade e geração

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Relatos dão conta que o hábito de colecionar álbuns de figurinhas no Brasil iniciou no ano de 1900. Indústrias e comércios preocupados em alavancar as vendas de seus produtos lançaram a ideia no país. Uma febre que, desde então, contagiou todas as idades e gerações.

O primeiro álbum de figurinhas do Brasil foi uma publicação da tabacaria Estrela de Nazareth e cada uma das 60 figurinhas correspondiam a bandeira de um país.

Mas as figurinhas só foram cair mesmo no gosto popular depois do lançamento do álbum de estampas dos sabonetes da recém-inaugurada Eucalol, em 1925. Foi uma estratégia de marketing da empresa para se fixar no mercado. Quem comprava uma caixa com três sabonetes tinha direito ao brinde: levar três figurinhas.

figurinhas balas futebol 1950Nos anos seguintes, vieram os famosos álbuns de balas – Balas Futebol, Balas Cinédia, Balas Fruna e Balas Ruth – que fizeram sucesso com o público infantil e, a exemplo do que aconteceu com a Eucalol, impulsionaram a indústria de doces.

Em 1961, veio a prova da consolidação do nicho das figurinhas no mercado de entretenimento infanto-juvenil: a fundação da italiana Panini. Os irmãos Panini eram, desde 1945, donos de uma banca de jornal, em Modena, na Itália.

Em 1954, fundaram uma companhia de distribuição de jornais que, mais tarde, daria lugar a fábrica de álbuns de figurinhas. O grupo é, desde então, líder mundial no setor. Com sede na Itália e filiais em mais de uma centena de países, a Panini fatura, anualmente, cerca de 650 milhões de euros, o que corresponde a R$ 1,7 bilhão.

O primeiro álbum oficial de figurinhas de futebol a circular no Brasil foi o da Copa de 1950, realizada também no Brasil. O produto tinha o patrocínio das Balas Futebol, mais conhecidas pelos álbuns de figurinhas do que exatamente pelo sabor açucarado dos confeitos.

Um dado curioso: o álbum foi lançado meses depois do fim da Copa de 50, quando a Seleção Brasileira protagonizou a maior derrota de sua história, perdendo o título em casa para o Uruguai. Porém, isso não impediu que o álbum virasse febre entre a criançada, alavancando as vendas da indústria de doces Americana, que fabricava as balas. E o campeão Uruguai estampava a segunda página, depois da seleção canarinho.

balas ruth

ENTRE GERAÇÕES

Pai e filho unidos na coleção

 Toda criança procura ficar o mais próximo possível de seus ídolos. Mas, muitas vezes, a distância impede o contato entre fã e ídolo. Então, a alternativa encontrada pelo jovem Gabriel Bueno, 10 anos, foi colecionar álbuns de figurinhas da Copa do Mundo e do Campeonato Brasileiro.

Gabriel começou na Copa do Mundo de 2014, mas também já colecionou o álbum do Brasileirão de 2016. “Gosto muito de futebol e gosto de acompanhar meus ídolos. Então, resolvi começar a colecionar os álbuns de figurinhas”, comenta o menino.

Gabriel e Wellington estão perto de completar o álbum
Gabriel e Wellington estão perto de completar o álbum

Nesta temporada de 2018, Gabriel declara que algumas figurinhas foram mais difíceis de serem adquiridas. O melhor jogador de futebol do Mundo, Cristiano Ronaldo, e o atacante da Seleção Brasileira, Firmino, estão entre elas. “Foi difícil eu conseguir as duas, mas consegui. Já estão coladas no meu álbum. Agora faltam poucas para eu completar. Meu pai me ajuda também. Aí fica mais fácil”, destaca Gabriel.

Aos 36 anos, Wellington Silva, pai de Gabriel, também já colecionou álbuns de figurinha quando era criança e agora se realiza oferecendo ajuda ao filho. “É muito gostoso ver a cara dele de satisfação ao ir completando o álbum. Não tem dinheiro que pague essa alegria”, pontua Wellington.

O pai de Gabriel destaca uma grande diferença de sua infância em relação ao do filho. “Na minha época, na coleção de álbuns existia os famosos bafinhos – quando batia um monte de figurinhas com a mão. Hoje só existem as trocas e compras”, apontou.

Mesmo com as diferenças entre as épocas, os dois colecionadores declaram gostar demais de viver este ambiente. “A cada pacote aberto vibramos com as figurinhas encontradas. Pouco a pouco vamos completando o álbum”, encerra Gabriel.

ambum figurinhas copa

SOLIDARIEDADE

“Começamos para ajudar os clientes”

 Um dos proprietários da Banca Planalto Verde, o comerciante Elisson de Miranda, 42 anos, confessa que iniciou o hobby de colecionar álbuns de figurinhas na Copa de 2006. O objetivo era ajudar os clientes a completar os álbuns. “Muitos clientes me procuravam para saber seu eu sabia de pessoas para fazer a troca de figurinhas. Daí nasceu a ideia de colecionar também para poder atender a demanda dos clientes”, comenta Miranda.

Além dele, o seu pai, Clewson de Miranda, 74 anos, também entrou na febre dos colecionadores de álbuns. “Nós iniciamos juntos e não paramos mais. A cada lançamento novo, já tínhamos o nosso”, declara Elisson.

Além de álbuns da Copa do Mundo, os proprietários da Banca Planalto Verde também colecionam álbuns do Brasileirão, Olímpiadas, Copa América, Novelas e Youtubers. “É uma febre que atinge todos e todas as idades. Seja do sexo masculino ou feminino. Quem começa não quer mais parar”, brinca Miranda.

Elisson e Clewson também destinam doações ao CAC
Elisson e Clewson também destinam doações ao CAC

Para oferecer um serviço diferenciado aos clientes, aos domingos, a Banca Planalto Verde monta uma tenda para reunir os colecionadores de álbuns, que trocam e comercialização as figurinhas. “Além da troca e comercialização das figurinhas, o mais gostoso é a socialização que ocorre entre as pessoas no local. Sempre nascem amizades que se prolongam para a vida toda”, aponta o proprietário da banca.

Os funcionários ficam em um local reservado com um tabuleiro cheio de figurinhas para fazerem as trocas e vendas. “Trocamos e vendemos as figurinhas. É muito legal está interação com os clientes”, enfatiza Elisson.

O ato social e de solidariedade também recebe atenção dos proprietários da banca. Uma caixa é reservada para receber doações que serão destinadas às crianças do CAC (Centro de Atendimento à Criança), no Jardim Planalto. Cada criança recebeu, de forma gratuita, um álbum e as figurinhas são doadas pelos clientes e proprietários da banca. “É um ato social e que atende ao sonho de várias crianças. A maioria dos clientes colabora, sim, com as doações”, finaliza Elisson.

DE PASSATEMPO A ‘VÍCIO’

“Meu noivo foi o culpado”

 A coleção de álbuns de figurinhas não é privilégio apenas do público masculino. Prova disso é Aline Silva Rossi, 31 anos. É verdade que Aline entrou na febre desta coleção um pouco forçada.

Aline e Rafael já investiram R$ 300 para tentar completar o álbum
Aline e Rafael já investiram R$ 300 para tentar completar o álbum

Seu noivo, Rafael Humeni, 31 anos, tinha o desejo de colecionar o álbum da Copa do Mundo de 2018 e Aline, então, entrou na brincadeira. “Ele me disse que tinha o desejo de colecionar o álbum. Aí, decidi ajudá-lo”, comenta Aline.

Aline conta que no início foi tranquilo, mas com o passar do tempo começou a virar um vício. “É impressionante. No começo eu ajudava, mas não ligava muito. Mas com o passar do tempo, a gente se envolve e começa a virar um vício. A gente não vê a hora de completar”, confessa.

Os noivos apontam que restam apenas 40 figurinhas para que o álbum seja completado e, para não estragá-lo, fizeram uma lista de figurinhas faltantes para não ficar conferindo o álbum toda hora.

“Usamos o álbum apenas para colar as figurinhas. Não queremos estragar as folhas. Ficar abrindo muitas vezes, criar orelhas e amassar as folhas”, comenta Humeni.

Até agora, os dois fizeram um investimento de R$ 300 para tentar completar o álbum, mas as figurinhas mais difíceis são os escudos dourados. A Seleção da França, segundo Aline, foi o time mais difícil de completar. “Já fizemos um investimento considerável para completar o álbum. E agora não faltam muitas. Neste momento, estamos mais trocando do que comprando”, pontua Aline.

ambum figurinhas copaA febre ficou tão séria que Aline até troca suas figurinhas no ambiente de trabalho e também com os vizinhos. “Entrei de vez nessa onda. Não vejo a hora de ver o álbum finalizado”, enfatiza.

Mesmo com outras opções de álbuns, Aline e Rafael declaram que irão permanecer colecionando apenas os álbuns das Copas do Mundo. “Vamos manter o hábito de colecionar, mas apenas os álbuns das Copas”, destaca Humeni.

 

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