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Ajudar paciente com câncer é meta de associação

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“Associação para Pessoas com Câncer – Lucas Tapi”. Este é o nome da mais nova entidade assistencial de Mogi Guaçu que nasce do propósito de apoiar pacientes e familiares daqueles que enfrentam a doença. Este ideal é compartilhado pelas empresárias Ana Paula de Faria Tapi e Maristela Ferreira Lopes, a Estela, que não demoraram a agregar outros voluntários à causa.

Mas, ao contrário de outras iniciativas parecidas que têm como dificuldade um espaço para o desempenho do trabalho, a nova entidade já está respaldada. Isto porque, Maristela doou um imóvel que está sendo cuidadosamente preparado para receber os pacientes e acompanhantes.

TRABALHO VOLUNTÁRIO

Estela há tempos buscava cumprir este desejo

Maristela e Ana Paula
Maristela e Ana Paula

A casa doada para a Associação para Pessoas com Câncer – Lucas Tapi funcionará em imóvel no Jardim Planalto Verde. O imóvel é um marco na vida de Maristela Ferreira Lopes, a Estela, pois foi o primeiro construído depois da empreitada positiva dos negócios da família. Trata-se de uma confortabilíssima casa de quase 300 metros² e que, agora, passará a receber os pacientes que fazem tratamento do câncer no Hospital Municipal “Dr. Tabajara Ramos”, assim como os acompanhantes. A proposta é que o local sirva de apoio na pausa pós-quimioterapia até a viagem de volta para casa. Afinal, o setor de oncologia local atende paciente de toda a região.

Mas o que leva uma família a doar um imóvel tão valorizado? O cumprimento de um antigo desejo. Estela conta que depois de mudar-se para a nova casa, durante um momento em que estava sozinha na sala principal, ela conversou com Deus e disse a ele que se o negócio da família continuasse sendo abençoado, usaria aquela casa para servir ao próximo. À época, pensava em algo voltado à alimentação. Mas, o tempo passou, a família mudou-se e aquele desejo ficou adormecido.  

O imóvel vazio foi disponibilizado para venda ou locação, mas passado mais de um ano não houve proposta de negócio. “Um dia conversando com uma vizinha ela falou que a casa estava fechada há mais de um ano. Eu pensei, nossa uma casa tão boa, o que será que está acontecendo?”, comenta. Quase que instantaneamente veio à Estela a promessa feita, ali, na sala da antiga residência da família. Era o que ela precisava para começar a cumprir com o prometido.

Através de uma amiga em comum, Stela conheceu a empresária Ana Paula de Faria Tapi que já desenvolvia trabalho voluntário no Centro Infantil Boldrini, em Campinas. Era mais uma etapa da realização de seu desejo que começa a se desenhar. Afinal, Ana Paula mostrou a ela que o trabalho de acolhimento que existe naquele hospital era necessário aqui, em Mogi Guaçu. E a localização da casa destinada ao trabalho voluntário fica a poucos metros do HM. “Era a mão de Deus”, pontua Estela. A partir de então, a ideia começou a ganhar forma e voluntários e, por sua vez, o trabalho a ganhar contornos concretos. A parte burocrática está toda acertada, a casa começa a ser equipada e a meta é inaugurar em breve. A data só não foi definida porque depende de algumas pequenas pendências que estão sendo resolvidas. Faltam as poltronas, conhecidas como cadeiras do papai, para equipar um dos quartos. É nelas que descansarão os pacientes/acompanhantes.

multi casa lucas tapiStela é muito questionada sobre o porquê da doação do imóvel do Planalto Verde. E isso se faz ainda mais latente em parte daqueles que sabem que a família possui outro imóvel, em bairro próximo. “Para Deus sempre o melhor. Quando conversei com o meu marido sobre a doação, expliquei que precisava ser aquela casa. E ele não fez nenhuma objeção, assim como nenhum dos meus três filhos”, justifica com os olhos brilhando ao ver o desejo ganhar forma. Quando residia no Planalto Verde, ela chegou a se deparar – e a ajudar – acompanhantes de pacientes que não tinham sequer dinheiro para a compra de um pão junto ao balcão da padaria. Acabar com esta angustia é a meta desta ação voluntária.

LUCAS TAPI

História de dor transformada em amor

Não é à toa que a Associação para Pessoas com Câncer terá o nome de Lucas Tapi. Trata-se daquele que moveu uma causa e pediu aos pais que dessem continuidade a ela. Isto quando estava em tratamento no Centro Infantil Boldrini e observou que muitos pacientes não tinham com o que brincar. Ou seja, poucos possuíam as condições que a família dele para manter-se ali, durante o tratamento e ainda comprar brinquedos. “Lucas ficou um ano, um mês e um dia em tratamento. Deus colocou este anjo em minha vida”, comenta a mãe do menino, Ana Paula de Faria Tapi. O falecimento aconteceu em 2013.  

multi casa lucas tapiO pequeno Lucas tinha apenas 11 anos quando fez o pedido à família que reside em Vargem Grande do Sul e há seis anos desempenha trabalho voluntário no Centro Infantil Boldrini. Com isto, as festas de Natal, Páscoa e Dia das Crianças ganham o reforço de toda rede de auxílio formada pela família Tapi e amigos. Os pequenos pacientes ganham presentes e os voluntários sorrisos. E, desta forma, o desejo de Lucas Tapi se renova a cada ação. Foi em uma visita ao hospital que Ana Paula e Estela se conheceram e começaram a amadurecer o projeto para Mogi Guaçu, ano passado.

“É uma benção poder fazer este trabalho porque é dor transformada em amor. Deus me deu a graça de poder fazer tudo que precisava pelo Lucas”, pontua Ana Paula. É com o conhecimento adquirido nos anos de voluntariado junto ao Boldrini que Ana Paula ajuda a construir a proposta de trabalho da Associação para Pessoas com Câncer – que leva o nome do filho. Toda a mobília da casa é adquirida com doações, sendo que a meta é ter quarto com cama, outro com poltronas e outro voltado para a enfermagem.

APOIO

Casa será local de acolhimento e assistência

multi casa lucas tapi

A Associação para Pessoas com Câncer – Lucas Tapi não oferecerá pouso, mas acolhida aos pacientes e acompanhantes que moram em outras cidades e precisam de um descanso após as sessões de quimioterapia e a ida para casa. Isto porque, em geral, os municípios oferecem o transporte, mas é preciso aguardar. “Vamos oferecer café da manhã e café da tarde, um descanso na cama, na poltrona, a possibilidade de tomar um banho, enfim um acolhimento”, detalha Ana Paula de Faria Tapi. A casa conta ainda com lavandeira.

Outra proposta é assistir as famílias no sentido de que saibam dos direitos dos pacientes com câncer. Por isso, a associação contará ainda com advogados para auxiliarem nesta outra forma de levar ajuda às pacientes e familiares. O espaço contará com enfermeira e sala de enfermagem, psicóloga e assistente social. Há intenção de estender este auxílio aos pacientes em tratamento no Hospital São Francisco que, apesar de atender conveniados, não quer dizer que não exista a necessidade deste tipo de suporte.

Atualmente, associação não tem nenhuma parceria governamental, dependendo apenas da ajuda de voluntários, mas irá à busca de apoio do comércio e das empresas em geral. Entre os que abraçaram a causa há outros que, assim como Ana Paula, conheceram o Centro Infantil Boldrini e sentiram na pele a importância do tratamento e do acolhimento no sentido de apoio emocional. É o caso do advogado Diego Sattin Vilas Boas que também teve um filho em tratamento no hospital campineiro. O menino tinha quatro anos quando foi diagnosticado com tumor nos rins. Hoje, com seis anos, está curado e o pai traz sua ajuda profissional à associação. 

Somam-se a eles ouros empresários e profissionais de várias áreas que formam cada elo desta corrente do bem que busca ajudar a amenizar a dor da luta contra o câncer. E ainda a desenvolver ação voltada à importância do diagnóstico precoce, outro ponto que faz toda a diferença nesta empreitada no combate à doença.

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