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AIDS: Mogi Guaçu registra 295 casos em 10 anos

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É fato que a contaminação pelo vírus HIV deixou de ser uma sentença de morte. Isto por uma série de fatores: diagnóstico, acompanhamento médico e tratamento. A Aids é uma doença incurável. A transmissão do vírus se dá pela prática de sexo sem proteção, especialmente. Nestes últimos 10 anos, Mogi Guaçu registrou um total de 295 casos, sendo 192 no sexo masculino e 103 no sexo feminino. O primeiro caso data de 1988. Somado todo este período, o número de casos chega a 394.

A enfermeira da VE (Vigilância Epidemiológica), Rosa Maria Pinto, relata que os casos predominam na faixa etária de 20 a 59 anos, mas há um aumento de registros entre os mais jovens: 15 a 19 anos, assim como entre os mais idosos: acima de 59 anos. O comum em todas estas faixas etárias é a falta do uso do preservativo. O sexo sem proteção é uma prática habitual, seja entre heterossexuais ou homossexuais, apesar das insistentes campanhas do Ministério da Saúde sobre o tema.

Este ano, o Governo Federal, através da lei 13.504, criou o Dezembro Vermelho. Trata-se de campanha nacional de prevenção ao HIV/Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis. Com isto, durante este mês as unidades de saúde irão intensificar ações de conscientização.

GRATUITAMENTE

Preservativos são distribuídos em todos os postos de saúde

multi aids rosa saude
Rosa acompanha os casos na cidade

Não é por falta de acesso aos preservativos que a população tem ficado exposta ao vírus HIV com a prática de sexo sem proteção. Todas as unidades de saúde fazem distribuição gratuita de “camisinhas”. Basta entrar na unidade e retirar. Aliás, em muitos postos de saúde, os preservativos ficam sobre a bancada da recepção de atendimento. “Temos preservativos em grande quantidade nas unidades de saúde”, pontua a enfermeira da VE, Rosa Maria Pinto.

Outro agravante desta situação é que o não uso do preservativo tem contribuído para o aumento de outras doenças sexualmente transmissíveis, entre elas, a sífilis. No caso do HIV, Rosa atenta que os avanços em termos de diagnóstico e tratamento têm contribuído – e muito – para a qualidade de vida do portador do vírus. “O diagnóstico pode ser feito durante o pré-natal ou nos exames preventivos”, diz, observando que os médicos solicitam o exame.

Uma vez detectada a contaminação, o tratamento e o medicamento são garantidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O paciente passa a ser assistido pelo Sadis (Serviço Ambulatorial de Doenças de Interesse Sanitário), que funciona no prédio da VE (Vigilância Epidemiológica). “Antes disso, o paciente faz os exames de carga viral e chega à consulta com o resultado em mãos”, explica Rosa. Ela observa que não existe alta médica para o tratamento de contaminação pelo vírus HIV. O tratamento é contínuo, com medicação diária (antirretrovirais).

O primeiro caso de contaminação do vírus HIV foi registrado pela VE local em 1988. E acometeu uma mulher que já faleceu. Rosa tem experiência de 25 anos da VE e recorda que os pacientes chegavam muito debilitados, portanto, não apenas com o vírus, mas já doentes. Com os avanços da medicina, as melhorias foram gerais, o que inclui a transmissão vertical, ou seja, da mãe para o feto, que pode ser evitada. Mas nem sempre foi assim. Tanto que nos dados da VE há cinco casos, sendo um adulto/jovem e quatro adolescentes que integram a estatística da contaminação vertical. 

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UNAIDS

Apesar da evolução nas formas de tratamento e prevenção, a Aids continua a ser uma preocupação dos brasileiros. Segundo dados do Programa Conjunto das Nações Unidas (Unaids), 15 mil pessoas morreram em decorrência do vírus HIV, o causador da AIDS, em 2015, somente no Brasil.

A Unaids ainda indica que a população vivendo com a doença no país passou de 700 mil, em 2010, para 830 mil, em 2015, fazendo com que o Brasil respondesse por mais de 40% das novas infecções na América Latina. Entre os adultos brasileiros, os novos casos subiram 18,91% em 15 anos. No mundo, em média, 1,9 milhão de adultos a cada ano foram infectados com HIV desde 2010.

VÁRIAS IDADES

Casos predominam na população com idades entre 20 a 49 anos

Os casos de Aids notificados por faixa etária da doença nesta última década (2008/2017) apontam maior incidência na faixa etária de 30 a 39 anos, com 88 casos, seguida daqueles com idade entre 20 e 29 anos: 79 casos. E os números não são muito diferentes naqueles com idade entre 40 e 49 anos: 76 casos. Na faixa etária de 50 a 59 anos houve 33 casos. Menor número de casos é observado nas faixas etárias de 15 a 19 anos (sete casos), 60 a 69 anos (nove casos), 70 a 79 anos (dois casos) e 10 a 14 anos (um caso).

vigilancia epidemiologicaOs dados da VE também apontam os casos notificados, segundo a categoria de exposição, o que evidencia os heterossexuais e homossexuais, com 175 e 43 casos, respectivamente.

Há algumas categorias consideradas pela VE, como homossexuais usuários de drogas (um caso), bissexual (14 casos), bissexual usuários de drogas (um caso), heterossexual usuário de drogas (11 casos), usuários de drogas (cinco casos) e os ignorados (45). Neste período, não houve registro de casos por transfusão, sendo relatado apenas um em toda esta década, no ano de 2007.

Em relação aos óbitos, ocorreram um total de 47 mortes, sendo 38 em decorrência da Aids, três por motivos ignorados e seis por outras causas.

ESTATÍSTICA

Casos de Aids nos últimos 10 anos

Pelos dados estatísticos da VE, em 10 anos foram registrados 295 casos de HIV/Aids, sendo o ano de 2016 com o maior índice: 55. Incluindo o ano de 2017, o que completaria 11 anos de avaliação, esse total salta para 337.

Isto porque, 2017 teve o registro de 42 casos. Nestes 10 anos, a cada ano foram registrados mais de 20 casos. A contaminação ainda é mais presente no sexo masculino.

Quadro_Casos de Aids

 

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