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Acidentes domésticos podem ser evitados

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A morte do apresentador Gugu Liberato, 60, acende um sinal de alerta para os acidentes domésticos. No último dia 20, Gugu sofreu uma queda em sua mansão, em Orlando, nos Estados Unidos. O acidente aconteceu quando o apresentador subiu no forro da casa para arrumar o ar-condicionado e caiu de uma altura de aproximadamente quatro metros após o piso de gesso ceder. Na queda, Gugu bateu a cabeça e sofreu ferimentos graves que o levaram a ter a morte encefálica.

Ao contrário do que se imagina, ocorrências como esta que aconteceu com o apresentador são comuns e poderiam ser evitadas se medidas de segurança simples fossem tomadas. A Gazeta conversou com a filha de um comerciante de Mogi Guaçu que também faleceu após sofrer um acidente doméstico. Débora Anunciato compartilhou a experiência que teve na família há quatro anos.

Já o médico Yalle Fernandes Carcioffi do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) falou sobre os principais riscos dentro de casa e passou orientações de segurança que evitam os acidentes domésticos.

ACIDENTAL

Comerciante morreu após cair de escada

Assim como Gugu Liberato, o comerciante guaçuano João Anunciato, 67, era um homem saudável e ativo que teve a vida interrompida de forma inesperada ao sofrer uma queda acidental dentro de casa. Outra triste coincidência é que o comerciante faleceu no dia 28 de novembro de 2015, ou seja, no mesmo mês do apresentador. Quatro anos após a morte do pai, Débora Anunciato, 28, disse que reviveu todo o drama que passou ao ver as notícias do acidente sofrido por Gugu. “Foi como se eu tivesse vivendo de novo aquele momento, não tem como explicar”.

Débora contou que o pai estava em uma escada de mais ou menos cinco metros de altura envernizando a tabeira da casa quando sofreu a queda. “Não dá para ter certeza do que exatamente aconteceu porque ele caiu de costas e a escada estava em cima dele”. No entanto, ela disse que tudo indica que ele tenha se desiquilibrado ou a escada tenha quebrado. “O impacto foi muito forte porque na hora ele já teve hemorragia interna”.

A jovem contou que na hora do acidente, apenas a mãe estava em casa com o pai. “Ela ouviu um barulho e quando saiu para ver ele já estava desacordado, inconsciente”. De imediato, uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi chamada e compareceu rapidamente na casa do comerciante acidentado. “Eles tentaram tudo o que podia, ficaram cerca de 40 minutos tentando entubar ele, mas não foi possível por conta da hemorragia”.

Em seguida, João foi levado para a Santa Casa, onde teve a morte constatada duas horas após a queda. “Foi tudo rápido”, pontuou. Débora lembra que o pai sempre teve o hábito de fazer reparos em casa. “É aquela velha história, a gente sempre fala para ter cuidado, mas a verdade é que você nunca imagina que vai acontecer com você, tanto que a gente já tinha um conhecido que tinha passado por essa situação, mas você nunca imagina que vai acontecer na sua casa”.

Para a filha do comerciante, é um grande susto ver alguém saudável e ativo morrer de uma hora para a outra em um acidente doméstico. “Se a pessoa está doente você já tem uma ideia de que ela pode morrer, não que seja menos dolorido, mas quando é alguém que não tem nada é muito sofrido, a gente tenta encontrar uma explicação, mas não tem”, confidenciou.

Débora disse que se lembra do pai como sendo um homem muito guerreiro, que morreu sendo feliz. “Tudo que precisava fazer ele fazia, muito trabalhador e de caráter. Vivia alegre e sorrindo”. Tendo vivido uma experiência de fatalidade dentro da própria casa, a jovem conta que a lição que fica é com relação a segurança. “Meu pai estava em um lugar alto sem nenhuma segurança e a gente tem o costume de achar que não vai acontecer nada e está aí uma questão que a gente tem que começar a pensar mais”. Com isso, Débora deixou uma mensagem de alerta as pessoas. “Não adiante falar para não fazer porque as pessoas vão fazer, então, procure estar equipado, se for usar uma escada alta procure equipamentos que vão te segurar no caso de um desiquilíbrio, por exemplo”.

ORIENTAÇÕES

Medidas simples evitam acidentes graves

O médico socorrista do Samu de Mogi Guaçu Yalle Fernandes Carcioffi já presenciou muitos acidentes por queda: por alturas maiores, por andaimes e por queda da própria altura. Segundo ele, os mais comuns são as quedas da própria altura, em que a vítima cai do próprio nível em que se encontra. “Acontece a situação de tropeçar e cair”.

Carcioffi pontua que os idosos são as principais vítimas. Isso porque, a maioria deles apresenta uma condição debilitada por conta da idade. Já a queda de alturas de outros níveis, ou seja, de pontos mais altos, como aconteceu com o comerciante João Anunciato e o apresentador Gugu, ocorrem com menor frequência, mas geralmente são mais graves. “Até hoje já presenciei muitos casos, alguns muito graves com trauma crânio- encefálico, mas felizmente os acidentes em que estava presente não ocorreram a morte da vítima. Mas isso depende muito do modo, da intensidade e do local em que houve o trauma”, explicou o médico.

Independente da idade, o melhor a se fazer é prevenir e de acordo com Carcioffi, isso pode ser feito com hábitos simples de prevenção primária, como manter o ambiente iluminado, utilizar pisos antiderrapantes, retirar tapetes soltos ou com dobras, colocar corrimãos em escadas e banheiros e não utilizar sapatos que facilite que ocorra um escorregamento. “Essas instruções valem para todos, mas principalmente para os idosos que são as principais vítimas”. E quando for preciso fazer um serviço em local alto, a orientação é buscar por equipamento de segurança que vão garantir que a pessoa não sofra uma queda em caso de um desiquilíbrio ou quebra de escada, cadeira ou andaime.

Escoriações leves são os ferimentos mais comuns nos acidentes domésticos e entre os mais preocupantes estão: fratura de fêmur e quadril, além do trauma crânio- encefálico. Em caso de ocorrer algum acidente de queda da própria altura ou de quedas maiores, o médico orienta a ligar para o 192. “O médico regulador do Samu acionará uma viatura adequada para o socorro da vítima, e se preciso for vai explicar o que deve ser feito até a equipe chegar”.

Acidentes mais comuns

 

Quedas

Uma das mais frequentes causas de mortes ou de acidentes domésticos graves envolvendo idosos e também as crianças. Pesquisas comprovam que cerca de 90% dos acidentes domésticos são causados por quedas graves. Deve-se estar sempre atendo às condições do ambiente onde circulam crianças pequenas e idosos, principalmente com relação a organização e liberação dos acessos e áreas de circulação.

 

Asfixia por engasgamento

Geralmente mortes ou acidentes causados por asfixia acomete as crianças menores de 9 anos, mas também isso pode ocorrer com idosos, porém, com uma frequência muito menor. Por isso, é importante evitar deixar objetos pequenos ao alcance das crianças.

Intoxicações

É importante ter a conscientização que a intoxicação pode ser tanto alimentar quanto com produtos químicos, de higiene pessoal, de limpeza e de medicamentos. Ocorre com maior frequência com crianças. É fundamental prestar atenção aos alimentos ingeridos principalmente com relação ao estado de conservação se já estivem abertos ou com a data de vencimento fora do prazo de validade. Evitar deixar produtos químicos e remédios acessíveis às crianças e também de idosos que necessitam de maior atenção.

 

Afogamentos

Afogamento também são um tipo de acidente doméstico e um grande perigo maior para as crianças pequenas. Se por acaso, você tem uma piscina ou banheira em casa, evite deixá-la com água e procure mantê-la sempre coberta.

 

Queimaduras

As queimaduras são tão comuns quanto como as quedas e podem ocorrer com maior frequência em crianças, mas também é bastante comum a ocorrência com idosos. É extremamente importante manter crianças longe da cozinha, principalmente nos horários de preparo das refeições e adotar cuidados redobrados mantendo as panelas com seus cabos voltados para trás, bem como atentar que forno ligado agrava a possibilidade de queimadura por contato direto ou pela abertura da porta do mesmo.

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