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Acertar as contas é meta para muitos consumidores

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Todo fim de ano é a mesma empolgação: vontade de ir às compras, escolher uma roupa nova para as festas de confraternização, um brinquedo novo para o filho, ou eletrodoméstico para a casa e, até mesmo, um celular novo… Que tal? Pois é. A ideia de ir às compras no mês de dezembro atrai muitas pessoas, mas nem todas podem realmente satisfazer essa vontade. E o motivo é a restrição do nome nos órgãos de proteção ao crédito.

Seja no SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) ou no Serasa (Centralização de Serviços dos Bancos), o impasse está lá: nome negativado, impossibilitado de comprar a prazo no comércio local ou de conseguir aquele empréstimo numa agência bancária. Com o nome no vermelho, o consumidor tem apenas duas saídas imediatas: compra à vista ou desiste da nova aquisição.

Como o pagamento à vista é difícil de ser feito e ninguém quer deixar de ir às compras no fim do ano, outra possibilidade de resolver o impasse é negociar a dívida, principalmente com o comércio local e tentar quitar as contas para se ver livre dos boletos atrasados e, enfim, poder comprar novamente, desta vez, com as facilidades do crediário.

calculadoras-todos-os-tipos“ACERTANDO AS CONTAS”
Acimg oferece facilidades para recuperar crédito 

Em Mogi Guaçu, a Acimg (Associação Comercial e Industrial de Mogi Guaçu) por meio do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) contabiliza que a cidade tenha 88 mil dívidas – apenas no comércio – e 33,5 mil devedores que estão com os nomes negativados, ou seja, com restrições para compras a prazo nas lojas de Mogi Guaçu.

Pensando nesses consumidores e ajudá-los a resolver essas pendências e contribuir para que a economia gire com mais fluxo de caixa neste fim de ano, a Acimg fez uma parceria com a Boa Vista SCPC, que é a provedora do banco de dados da Associação Comercial. De acordo com o superintendente da Acimg, Adenilson Júnior dos Reis, o objetivo é ‘limpar’ o nome de quem está inadimplente e criar oportunidades para que o consumidor pague sua dívida atrasada. “Nos primeiros dias tivemos muita procura de pessoas querendo saber qual é o valor total da dívida e como poderá quitá-la. À vista ou parcelado. Quando o pagamento é feito de uma única vez, à vista, não há cobrança nem de juros, nem de multa. Mas se o pagamento for parcelado, os juros e a multa serão cobrados. O parcelamento pode ser feito em até cinco vezes”, explicou.

Adenilson
Adenilson

O programa no qual a Acimg está inserido é o “Acertando as Contas”. Por enquanto, a quitação dos débitos ainda está tímida, mas a estimativa é de que este índice aumente com a aproximação do pagamento do 13º salário. “Tivemos entre 15% e 20% de procura, mas as quitações de fato ainda foram poucas. Mas tenho de ressaltar que o consumidor precisa lembrar que ele terá a volta do crédito para comprar a prazo. Nesta época do ano, poder ir às compras sem restrição no crédito é muito mais vantajoso”, frisou Adenilson.

O “Acertando as Contas” vai até o próximo dia 25 até às 18 horas. O consumidor inadimplente que está com o nome negativado deve ir até à sede da Acimg, à Rua XV de Novembro, nº 60, no Centro, das 8h00 até às 18h00. Lá, ele saberá qual é o valor total de sua dívida e qual a melhor forma de pagá-la e ter o nome ‘limpo’ novamente. “É importante explicar que caduca apenas o registro no SCPC após cinco anos consecutivos. A dívida continuará lá, existindo para o SCPC. Portanto, mesmo após o registro caducar, é válido o consumidor pagar a dívida. Até porque, atualmente, já está sendo emitido o ‘score’, que é quando o comércio e agências bancárias têm toda a ‘vida’ do consumidor em mãos: quando ele quitou as dívidas em atraso e se ainda há pendências para serem sanadas”, concluiu Adenilson.

 

Consumidores admitem ter restrição no nome e lamentam situação 

Aline
Aline

 Ter o nome restrito no SCPC ou no Serasa é mesmo uma dor de cabeça para muitos. A Gazeta foi às ruas conversar com os consumidores sobre o assunto e não demorou muito para encontrar várias pessoas que enfrentam esse problema. As causas são várias: desemprego, divórcio, falta de controle financeiro e imprevistos que comprometeram o orçamento familiar.

Grávida de oito meses e mãe de um menino de 11 anos, Aline Almeida de Oliveira, está sentindo na pele as dificuldades de ter o nome restrito no SCPC. Após separar-se do marido, as dívidas ficaram fora de controle e ela tenta aos poucos ‘limpar’ o nome no comércio da cidade. “Em algumas lojas eu já consegui pagar tudo. Mas em outras os juros estão muito alto e eu não tive condições de pagar. Neste fim de ano minha intenção é negociar o máximo que eu puder para começar 2018 sem dívidas pendentes”, disse Aline que por causa da gravidez está desempregada.

No entanto, o cenário não é diferente para quem está empregado. Imprevistos que ocorreram ao longo do ano tumultuaram a estabilidade financeira da auxiliar de serviços gerais, Ana Emília Silveira dos Santos. Com o salário pago pelo INSS atrasado e tratando de problemas de saúde, ela deparou-se com a necessidade de deixar algumas ‘contas’ no comércio em atraso e lá foi seu nome para a restrição no SCPC. “Estou tentando liquidar essa dívida. É pequena, numa loja só e vou aproveitar, sim, esse programa da Associação Comercial. É uma maneira de ajudar a gente a resolver esses problemas”, observou Ana Emília.

Ana Emília
Ana Emília

Mas quando a dívida é com os bancos a negociação é mais longa e exige paciência, além de muita argumentação. A diarista Priscila de Freitas é um exemplo. Casada, mãe de dois filhos, ela cobra R$ 100 a faxina e tenta vencer a crise com a renda que obtém do seu trabalho. Porém, ela confessa que se livrar a dívida bancária está muito difícil e lamenta que as negociações sejam tão complicadas. “O valor que eu devo nem é tão alto, mas os juros que o banco está cobrando são altíssimos e elevam demais o valor final da dívida. Por isso, que eu não consegui pagar até agora. É uma pena que não tenho um programa de negociação que facilite um pouco para quem está restrito no Serasa”, comparou.

Priscila
Priscila

E quem não reside em Mogi Guaçu lamenta que o programa “Acertando Suas Contas” não seja válido em outros municípios. Morador em Conchal, o autônomo Durvalino Ferreira Antonio, admite que está com o nome restrito no SCPC, porém no município vizinho. Ex-vereador em Conchal, ele disse que viu sua renda mensal diminuir enquanto as contas para serem pagas continuavam as mesmas. “Acaba que a gente deixa uma dívida ou outra para trás. Esse ano de 2017 foi muito difícil, não consegui melhorar o valor do meu orçamento e está difícil negociar com o comércio na cidade onde moro”, pontuou Durvalino.

Durvalino
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