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A recuperação dos fios e da autoestima

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Olhar-se no espelho e ficar satisfeito com a imagem. É o que buscam aqueles que se submetem ao transplante capilar. Esta clientela é formada em sua maioria por homens, mas as mulheres também estão sujeitas à calvície. Mas o transplante capilar vai além dos fios dos cabelos.

Com a técnica é possível corrigir falhas nas sobrancelhas e na barba. Quem explica detalhes do procedimento é o médico João Gabriel Nunes de Souza, 34, proprietário de clínica especializada e que coloca Mogi Guaçu em destaque nesta área.

FIO A FIO

Transplante demora de 5 a 10 horas

Antes de falar de transplante é importante lembrar que é diferente do implante. Isto porque, no implante são utilizados fios artificias. No transplante é aplicado material biológico de um lugar em outro, ou seja, fios do próprio paciente. Em geral este material é retirado da nuca ou das partes laterais da cabeça porque são protegidas geneticamente. “São mais resistentes à queda”, explica João Gabriel.

A técnica utilizada pelo médico é o FUE (Follicular Unit Extraction) na qual são coletados os folículos (conjunto de fios) sem deixar cicatrizes. “Após a retirada, o material é conservado em temperatura de 1º a 5º graus Celsius. No transplante são utilizados em média 12 mil fios, portanto, até 4,5 mil folículos”, detalha o médico. O procedimento leva de cinco a 10 horas.

João Gabriel adianta que adota sistema de anestesia sem agulhas, na qual o anestésico é introduzido por pressão e o paciente não sente dor. Além disso, ele explica que todo o procedimento é feito sem cortes e não deixa cicatriz. E durante todo o tempo, o paciente permanece consciente. O médico explica que o procedimento é como um plantio, onde com o auxilio de micro lâminas faz as “covinhas” para a introdução dos fios.

Como o procedimento é longo, o paciente tem pausa para refeição e até mesmo para massagem. “O pós-operatório é muito tranquilo e no dia seguinte o paciente está liberado para o trabalho”, comenta João Gabriel. A primeira lavagem dos fios transplantados é feita no Centro Médico Capilar, no Jardim Bela Vista. Depois o paciente assume a tarefa. Após 30 dias, todos os fios caem. Dentro de três meses os novos fios começam a nascer e, após um ano, o resultado final já pode ser observado.

João Gabriel lembra que etapas importantes do procedimento são o planejamento da linha frontal e a marcação da área doadora para a intervenção. E, claro, antes de seguir para o transplante, o paciente tem a cabeça raspada. Mas o médico se preocupou até mesmo com esta etapa, montando uma barbearia na clínica.

A equipe médica conta ainda com o cardiologista Daniel Ricardo Neves de Souza e a dermatologista Renata Vasconcelos que tem especialização em tricologia. Estes e todos os demais profissionais garantem o atendimento integral ao paciente.

DESMISTIFICAR

A busca por transplante é tão grande que a agenda de João Gabriel só tem vaga para abril de 2020. Por dia são atendidos três pacientes. O procedimento custa entre R$ 12 mil e R$ 16 mil e pode ser parcelado em até 10 vezes. Neste valor está incluído o translado (aeroporto/clínica), pois a maioria dos pacientes desembarca no aeroporto de Viracopos, em Campinas.

João Gabriel conta que não foi por acaso que escolheu Mogi Guaçu para instalar a clínica. Afinal, é daqui, da cidade, e quer colocá-la no roteiro dos municípios referência em transplante capilar. E quer ainda desmistificar a ideia de que o transplante é caro e o resultado obtido é artificial.

Outro ponto importante para o médico é que os calvos não precisam mais recorrer a outros países para terem acesso à técnica. Isto porque, ainda é comum os pacientes recorrerem à Turquia, país referência mundial em transplante capilar.

AVALIAÇÃO MÉDICA

Transplante capilar é opção quando tratamento não apresenta resultado

O transplante capilar é uma técnica aplicada no paciente quando os tratamentos não apresentam resposta positiva. Ou seja, antes de indicar o transplante, o médico faz análise do couro cabeludo para verificar a possibilidade de tratamento. Em geral, na calvície desencadeada por fator genético não há alternativa que não seja o transplante. E a idade mínima para o procedimento é de 22 anos.

O médico João Gabriel comenta sobre a questão genética

90% dos pacientes que buscam pelo transplante são homens, conforme explica o médico João Gabriel. Com isto, os outros 10% são preenchidos por mulheres e não apenas para repor os fios dos cabelos, mas também para  correção na sobrancelha. “Nas mulheres a calvície pode ser provocada pelo estresse e alimentação, ou seja, fatores que contribuam para esta alteração. Há ainda a queda de cabelo provocada pelo uso de produtos químicos, deficiência de vitaminas e alterações hormonais”, detalha.

Os vilões da saúde capilar feminina podem estar no uso excessivo de química, no uso inadequado de xampus e nas progressivas. O médico lembra que são os desequilíbrios dos hormônios da tireoide e do ovário que podem provocar esta alteração. “Identificar a causa é o mais difícil”, atenta.

Aliás, João Gabriel cita que há mais de 200 causas para a queda de cabelo. No homem, a questão genética é a mais latente. Portanto, quem tem pai, avô e tios calvos têm tendência é futuro candidato ao procedimento. Todavia, não adianta correr para transplantar os fios logo quando as entradas começarem a se destacar. O médico recomenda aguardar estabilizar a calvície.

OUTRA TÉCNICAS

Métodos antigos deixavam cicatrizes no couro cabeludo

As técnicas mais antigas de transplante capilar deixavam cicatrizes e, por isso, nem sempre o procedimento era visto com bons olhos. Quem se expos a esta intervenção comenta que o resultado obtido é muito diferente do que se chega com o FUE.

O assessor de João Gabriel, Wesley Coelho, 39, fez seu primeiro transplante capilar na Turquia, há nove anos. Há dois anos refez a área frontal já pela nova técnica. E, agora, fará o processo de micro pigmentação capilar para cobrir as cicatrizes deixadas pelo primeiro procedimento.

“Falo de calvície há quatro anos”, diz sobre o canal no Youtube, o Planet TV. Wesley conta que a calvície chegou forte aos 22 anos e, claro, antes de fazer transplante passou por vários tratamentos.

E foi também na Turquia que o médico João Gabriel se interessou por transplante capilar. Ele estava no país a passeio, mas ficou curioso ao se deparar com grupos de brasileiros e saber que estavam no país para fazer transplante capilar. Foi quando decidiu fazer especialização em tricologia. “Conheci os procedimento em clínicas na Turquia, Chile e nos Estados Unidos”, comenta.

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