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A origem da comemoração do Dia Internacional da Mulher

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Outra vez chegou o oito de março, dia escolhido para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Sempre que estamos perto deste dia uma polêmica sobre o porquê desta data, quais fatos levaram a escolha pelo dia oito. A data foi institucionalizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) somente em 1975, mas já era comemorada há muitos anos.

Em todos os períodos históricos encontramos mulheres que desafiaram os limites estabelecidos pelas sociedades, delimitações que diziam o que pode fazer ou não uma mulher – ainda hoje, em alguns lugares do mundo, uma mulher estudar é romper este limite.  Entretanto, somente no século XIX é que os movimentos de mulheres tomaram maiores proporções levando à grande repercussão no início do século XX. Um exemplo é o caso das sufragistas britânicas e estadunidenses, as mulheres que exigiam o direito de votar.

Cada país com sua história e um ponto comum, é justamente nos movimentos socialistas que as mulheres começaram a se organizar pela primeira vez para exigir direitos iguais aos dos homens – nada mais que isso. Em 1910 aconteceu a segunda Conferência Internacional de Mulheres em Copenhague (Dinamarca), na qual foi aprovada a proposta de instituir de um Dia Internacional da Mulher, sem data definida. No ano anterior o dia tinha sido comemorado em 28 de fevereiro por mais de milhão de pessoas na Áustria, Dinamarca, Alemanha, Suíça e Estados Unidos. No ano seguinte foi celebrado em 19 de março, novamente com forte adesão feminina.

Em 1917, a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome na Rússia agravada pela participação do país na Primeira Guerra Mundial foi o estopim para queda do Czar. E é aí que o dia 8 de março (no nosso calendário gregoriano) surgiu de fato. As mulheres organizadas estavam com fome, tinham passado por um rigoroso inverno russo e reivindicavam pão e a saída da Rússia da guerra. Essas mulheres tornaram-se símbolo de ação para transformação social. Com a Revolução de Outubro a data passou a ser comemorada anualmente, influenciando outras nações que comemoravam entre fevereiro e março a adotarem o oito de março.

A maior parte da pauta atual do movimento feminista é mais recente, foi colocada (e ainda não atingida) pela filósofa francesa Simone de Beauvoir (1908-1986) no livro “Segundo sexo” publicado em 1949. O livro traz pela primeira vez temas biológicos, psicológicos e sociais que envolvem ser mulher em nossa sociedade.  Em 2018 ainda há muito para debater e fazer em relação aos direitos da mulher. O Brasil é o sétimo país mais violento com as mulheres de uma lista com mais de 80 países, todos os dias 12 mulheres são assassinadas, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada em nosso país. No ano passado, Mogi Guaçu teve 8 casos de feminicídios (termo utilizado para definir crime hediondo, assassinato de mulheres motivados por sua “condição” de mulher que envolve violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher, de acordo com o código penal). Em tais condições a comemoração da data é uma forma de reforçar esta luta histórica por direitos iguais.

 

Samantha Lodi é professora, membro do Coletivo Educacional de Mulheres: Maria Lacerda de Moura, do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e da Academia Guaçuana de Letras

 

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