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A mil por hora: eles têm a velocidade como paixão

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Adrenalina e emoção são dois sentimentos fundamentais na vida de quem gosta de velocidade. E não se trata da correria do dia a dia, não. É a velocidade nas pistas mesmo que atrai e desperta a paixão pelas competições. E daí tanto faz ser de carros, motos ou caminhões. O que vale é sentir o prazer de ver carros atingindo 300 km/h nas corridas da Fórmula 1, no autódromo de Interlagos, em São Paulo, por exemplo. O ronco dos motores, a tão esperada largada no início das competições e, claro, as ultrapassagens hipnotizam os apaixonados pela velocidade e os levam ao ápice dessa relação barulhenta, porém cheia de desafios e de muita adrenalina.

CORRIDAS

Na TV ou no autódromo, o que importa é assistir

 Desde os 11 anos de idade, o engenheiro ambiental Kleiton Guilherme Setin assistia às corridas de Fórmula 1 pela TV e cada vez mais sua paixão pela velocidade ia aumentando. A vontade de estar dentro do autódromo ouvindo de perto o ronco dos motores era a principal vontade que ele já nutria, mas demorou a realizar. “Demorei muito para ir num autódromo. Tinha o tabu do preço que diziam ser muito caro, que era muito complicado e acabei adiando”, recorda Kleiton.

Kleiton
Kleiton

Até que em 2013, ele decidiu ir sozinho ao autódromo de Interlagos, em São Paulo, assistir à Fórmula 1, e se surpreendeu com a organização do evento e ficou ainda mais apaixonado por este esporte de velocidade. “Um ingresso vale para 6ª feira, sábado e domingo. Então, fui para lá na 6ª feira e me deparei com o comitê de boas-vindas que te integra ao ambiente. Vi de perto todas as equipes, andei por todo aquele ambiente e me identifiquei mais ainda com tudo aquilo. Foi uma experiência sensacional”, contou o engenheiro.  

Mas foi com o ronco dos motores que Kleiton mais se encantou. “Nossa! Poder ouvir de perto aquele barulho todo dos motores funcionando é adrenalina pura. É o som que mais gosto”.

Daí em diante, Kleiton passou a assistir corridas direto nos autódromos sempre que pode. “Porque quem gosta de velocidade também gosta daquele ambiente, das preliminares. Existe um glamour, a beleza dos carros, toda aquela movimentação contagia quem gosta desse esporte. Não tem como não se apaixonar”, observa.

A próxima adrenalina Kleiton irá sentir neste fim de semana, quando irá assistir a Stock Car direto do autódromo Vello Città, em Mogi Guaçu, neste domingo (6). “Estou preparado e ansioso. Vai ser muita emoção, principalmente porque vou ver o Rubinho Barrichello disputando. Ele é o piloto para quem eu sempre torci e sou seu defensor ferrenho. Ele é um dos principais pilotos da Stock Car e somente não conseguiu mais visibilidade na Fórmula 1 por causa do Schumacher, que o inibiu”, avaliou Kleiton.

multi velocidade kleiton

E quando não é possível estar num autódromo, ele não abre mão de assistir às corridas pela televisão. Toda vez que tem a transmissão de uma competição de velocidade, lá está Kleiton em frente à TV acompanhando cada volta no circuito. Seja de carros, motos e até de caminhões, como a Fórmula Truck, ele não perde os olhos de sua paixão: a velocidade. “É difícil explicar. É um misto de emoção com precisão, porque é tudo muito disciplinado. Cada ultrapassagem é um êxtase diferente. Só quem gosta de velocidade consegue entender esse sentimento”.

Kleiton ainda tem claro na memória as lembranças da morte do piloto Ayrton Senna, em 1994. A cena triste e chocante é a única tristeza que ele traz à tona quando fala sobre os encantos da velocidade. “Foi horrível. Eu estava assistindo a corrida e parece que de lá para cá eu fiquei mais ligado ainda a este esporte”, comentou.

BEM MAIS PERTO  

Prazer pela velocidade fez Dib se tornar fiscal de pista

 E quando o prazer pela velocidade ultrapassa os limites de ficar apenas assistindo as corridas das arquibancadas ou da tela da TV? O empresário Dib Antônio quis ir além. Ele tornou-se fiscal de pista e vive bem mais perto toda a emoção e a adrenalina que a velocidade traz. “Tem que gostar muito, porque a dedicação e a responsabilidade são grandes. Mas compensa pelo prazer de estar ali acompanhando de pertinho esse esporte que gosto tanto desde criança”, frisou Dib.

Dib
Dib

Tão logo soube que a Mitsubishi havia construído um autódromo em Mogi Guaçu, ele já demonstrou interesse em conhecer e, para isso, decidiu fazer o curso de fiscal de pista oferecido pela própria Mitsubishi e, agora, trabalha quatro horas para a empresa. “O fiscal de pista é subordinado ao diretor de prova que é o responsável civil pelo evento. Tudo o que acontecer na pista é de responsabilidade deste diretor. E os fiscais de pista são os ‘olhos’ do diretor de prova. O fiscal de pista cobre 100% da pista e não permitimos que ninguém entre nela sem a permissão do diretor de prova. Nem imprensa, nem mecânico, nada”, explicou Dib.

Vivendo tão intensamente o clima de velocidade, o mais fascinante seria poder pilotar numa pista de autódromo e Dib chegou bem perto disso. Não pilotou, mas esteve dentro de um carro super potente da Mitsubishi: o Lancer Evo 10, quando a empresa ofereceu um curso com o ex-piloto Ingo Hoffmann. A bordo do carro, Dib andou na pista do Vello Città o dia todo.

“Foi uma sensação incrível, bastante emocionante. A gente sempre está do lado de fora da pista e daí estar correndo nela é muito prazeroso, principalmente dentro de um carro tão potente”, observou Dib.

Embora as retas do Vello Città sejam curtas – cerca de 800 metros apenas – , na ocasião deste curso, Dib e o piloto atingiram até 210 km/h. “A gente pisa muito e depois tem que frear muito também. Nesse curso, o Ingo Hoffmann falou para nós que qualquer carro anda, mas que parar são só os bons”, contou Dib.

multi velocidade dib

Ele que sempre gostou de velocidade e recorda de quando assistia às corridas de motocross, durante sua infância, agora já entende como é parte do funcionamento técnico do automobilismo. Ao se torna fiscal de pista, Dib pode afirmar que velocidade não é brincadeira e exige muita responsabilidade de quem a pratica. “Nossa principal função é garantir a segurança e o controle da prova para o diretor de pista. Sinalizar com antecedência para o posto anterior para que próximo piloto que vier saiba que tem acidente na pista, por exemplo, e assim ele possa reduzir um pouco a velocidade”, pontuou Dib.

Os fiscais de pista também podem eventualmente pedir a punição os pilotos que porventura cometerem uma atitude antidesportiva. Para isso, os fiscais comunicam o fato ao diretor de prova e ele é quem define a punição que será dada ao piloto. “Às vezes, uma ultrapassagem irregular ou o piloto fecha outro, enfim… algo que não está previsto, acionamos a bandeira amarela, chamamos para o box. O primordial é garantir a segurança do piloto e da prova”, concluiu Dib.

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