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200 anos: Fé Bahá’í: a religião em nome da Unidade

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Uma religião que acolhe todas as outras. É possível? Sim. A Fé Bahá’í promove a unidade entre as crenças e o mais interessante é a evolução dela ao longo do tempo. Krishna, Buda, Zoroastro, Moisés, Jesus Cristo e Maomé. Todos têm seu valor perante a Fé Bahá’í e todos os ensinamentos deixados por ele não são descartados, mas sim somados à mensagem dos bahà’ís. Fundada em 1844 por Bahá’u’lláh, a Fé Bahá’í traz a mensagem divina que dá novo significado às realidades espiritual e material, ensinando três unidades essenciais: a unidade de Deus, a unidade da religião e unidade do gênero humano.

Cada seguidor é chamado de bahá’í e eles têm a fé focada na unicidade de Deus e na igualdada entre todos os membros da humanidade, ou seja, como fomos todos criados pelo mesmo Deus, todos fazemos parte do mesmo mundo, fazemos parte de uma mesma família.

Na Fé Bahá’í, todas as religiões que apareceram antes e ainda existem são instrumentos de propagação de ensinamentos divinos, que comprovam que Deus revelou-se ao mundo por meio de vários mensageiros com o único propósito de guia a humanidade.

Em outubro, os bahá’i celebram o bicentenário do nascimento de seu fundador, Bahá’u’lláh. Há 200 anos, em 1817, em Teerã, ele nasceu e se tornou o mensageiro de Deus, numa religião que tem como principal foco a unidade entre os povos em nome do amor.

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Fernando, Juliana, Edison, Maria Rosa e Ana Carla explicam a Fé Bahá’í

200 ANOS

Bahá’í prepara comemoração do bicentenário de Bahá’u’lláh

Em Mogi Guaçu, pouco mais de 100 bahá’i já organizam as comemorações do bicentenário do nascimento de Bahá’u’lláh no próximo mês em todo o mundo. “É um ano muito especial para nós. Ele é um mensageiro de Deus recente e iremos celebrar esse marco com várias atividades que irão envolver, principalmente os jovens e as famílias. Ainda estamos definindo como elas serão realizadas para, enfim, divulgarmos”, explicou a bahá’í Juliana Shams.

Ela conta que Bahá’u’lláh tem sua importância histórica por ter se destacado no desenvolvimento religioso contemporâneo. “Muitas instituições e um crescente número de pessoas em todo o mundo estão dedicando tempo e atenção na pesquisa da vida e da obra deixado por nosso fundador”, pontua Juliana ressaltando que não há fotos de Bahá’u’lláh, nem mesmo na internet, porque ele não gostava de se expor. “Para ele, o principal era a mensagem que trazia. O mais importante era os ensinamentos que ele queria deixar e não sua própria imagem. As fotos que por vezes vemos na internet se trata do pai de Bahá’u’lláh”, reforçou.

Maria Rosa
Maria Rosa

A modernidade da Fé Bahá’í reflete nos principais pontos da religião: ela não possui dogmas, rituais, clero ou sacerdócio. Toda a liberdade faz com que muitos a procurem. Estima-se que em todo o mundo sejam 6 milhões de adeptos. Isso torna a Fé Bahá’í, segundo a Enciclopédia Britânica, a segunda religião mais difundida no mundo, sendo superada apenas pelo Cristianismo. “Não temos uma verdade absoluta. Ninguém converte ninguém. Vamos construir juntos a nossa fé. Cada um acrescenta seu aprendizado ao que o outro também já aprendeu”, esclarece a bahá’í Maria Rosa Augusto.

A Fé Bahá’í também não tem sede num único lugar, ou seja, não há um templo ou igreja. Eles se reúnem nas casas ou mesmo ao ar livre, conforme seja a proposta que irão apresentar. “Temos um local onde nos reunimos em algumas ocasiões para fazermos nossas orações, lermos a mensagem de Deus, mas não temos compromisso fixo com dias e horários para isso”, explicou a bahá’í Ana Carla Ortiz.

Todas as atividades oferecidas pelos bahá’í são gratuitas e abertas a todos. São diversas reuniões focadas em oração, meditação e conversas sobre vários temas. São feitos círculos de estudos e aulas de ensinamentos espirituais, inclusive para as crianças, além de grupos focados em pré-jovens. “A Fé Bahá’í tem essa tendência para o futuro e a própria religião se mostra sem extremismos e com respeito a todas as classes sociais, gêneros, raças, idades e crenças”, pontuou o bahá’í Edison Augusto.

Edison
Edison

MUNDO MELHOR
Bahá’í tem Educação como principal agente de transformação

 Uma das principais vertentes que a Fé Bahá’í defende com afinco como agente transformador da humanidade é a Educação. Investir nesse setor e difundi-lo dentro da religião é uma das práticas dos bahá’í que tentam envolver os jovens e crianças com suas famílias. “Por meio da educação podemos mudar o mundo para muito melhor. Desenvolver as capacidades para a evolução coletiva é uma das metas educacionais que buscamos. Com as crianças, por exemplo, ajudamos cada uma a criar seus próprios pensamentos, e não conduzimos conforme aquilo que queremos que elas pensem”, observou Juliana.

Juliana
Juliana

Para ela, trata-se de um ‘trabalho em ondas’ que vão atingindo a todos em todo o mundo. “Forma-se uma corrente aqui, mas que vai ter seus efeitos também percebidos em outros países. É como se fossem ondas que vão chegando. Buscamos desenvolver as potências de cada pessoa para que possa evoluir intelectualmente, materialmente e também espiritualmente”, completou.

Com os pré-jovens, a ação dos bahá’í é semelhante ao que é feito junto às crianças com o acréscimo de transformá-los em agentes de transformação de seu próprio meio. “Ajudamos com que os jovens percebam que eles podem mudar usa própria condição de vida e, consequentemente, todo o meio onde vive. Buscamos dar a eles o empoderamento, tratado no contexto atual, de forma que seja utilizado por todos estes jovens. Fazemos círculos de estudo para darmos apoio”, completou Juliana.

Um exemplo prático desse trabalho da Fé Bahá’í pode ser encontrado na EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “Maria Diva Franco de Oliveira”, no Jardim Rosa Cruz. Lá, equipe de voluntários vai começar a ajudar nas salas de aulas por meio de grupos de estudos que vão auxiliar os alunos que estejam com dificuldade de compreensão de alguma disciplina. “O objetivo é construir nos jovens essa mentalidade de voluntariado tão importante nos dias de hoje”, comentou Edison, que atua diretamente em trabalhos voluntários na “Maria Diva”.

Carla
Carla

Os adultos também são envolvidos por meio das famílias. Numa delas, os bahá’í identificaram um pai que faz brinquedos pedagógicos como hobby e depois faz doações. “É uma atitude nobre. Ele constrói brinquedos por hobby e faz doações. Ou seja, é importante colocá-lo em contato com a comunidade para que um fortaleça o outro. As famílias precisam estar próximas da comunidade e receber apoio espiritual e social”, concluiu Ana Carla.

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