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1º de Abril: Você também vai mentir? É verdade?

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São manchetes como estas que a Gazeta Guaçuana quer estampar em sua capa, desde que não seja no dia 1º de abril – Dia da Mentira. No próximo domingo – mesmo dia em que os católicos celebram a Páscoa – também será lembrado o tradicional e ambíguo 1º de abril, dia em que as mentiras são ditas em tom de brincadeira, sátira, provocação e até de susto. Quem ainda não caiu numa mentira dessas, pode se preparar porque em algum momento isso irá acontecer.

Quem já pregou uma mentira no dia 1º de abril recorda com descontração da brincadeira que considera divertida. De qualquer forma, este domingo (1º de abril) promete muitos memes nas redes sociais e no WhatsApp. Até mesmo alguns jornais pelo país devem, sim, arriscar alguma manchete ou reportagem mentirosa para marcar o Dia da Mentira. Claro que há quem abomine a brincadeira. Afinal, desde criança, ouve-se um dos principais ensinamentos na educação: não mentir. Nem de brincadeira. E para amedrontar o pequeno mentiroso, uma das consequências da desobediência já é adiantada: o nariz cresce. Olha só o Pinóquio!

Enfim, a brincadeira ainda resiste à tecnologia e rende muitas mentiras ao longo de todo 1º de abril. Praticamente tudo o que é dito neste dia recebe um olhar de desconfiança de quem ouve e um sorrisinho malandro de quem diz, aumentando a dúvida sobre a veracidade do que foi dito. Aliás, esse é o aval para entrar na descontração: pregar uma mentira que logo, em seguida, é revelada e não traz consequências ruins ou desavenças para os envolvidos.

 

PEGA NA MENTIRA

Ser alvo ou não da brincadeira faz parte da tradição

 A Gazeta foi às ruas saber quem já pregou uma mentira ou já caiu em uma, no dia 1º de abril. A regra da brincadeira é simples: quem conta a mentira tem que ter bom senso e não pode extrapolar para não prejudicar ninguém. A partir daí, é só deixar a imaginação rolar em busca da mentira que mais irá convencer e curtir a repercussão depois.

Everton
Everton

O gerente de produção Everton de Oliveira Cândido da Silva, 33 anos, conta já foi vítima do dia 1º de abril e o autor da brincadeira foi o filho, Adrian, 17 anos. Everton lembra que ficou muito nervoso quando o filho disse que havia feito uma tatuagem em seu corpo. “Eu fiquei muito bravo. Ele me mandou fotos e cada vez mais eu ia alterando meu tom de voz e dando broncas nele. Assim que ele percebeu que eu estava muito nervoso, revelou que a tatuagem era de hena e sairia logo da pele”, recorda.

Embora Everton tenha tatuagem no braço e não seja contra quem goste, ele frisa que já sentiu muito preconceito, principalmente em locais de trabalho por onde ele passou. “Sofri muito preconceito por ter tatuagem. Principalmente, em lugares onde trabalhei. Por isso, não quero que meu filho passe o mesmo que eu, Não quero que ele faça uma tatuagem”, alegou o pai.

Para Everton, o dia 1º de abril já faz parte da cultura do brasileiro e é saudável pregar mentiras, desde que haja limite para evitar ofensas e provocações. “Eu já contei algumas também. Mas, geralmente, eu sou quem mais cai nessa brincadeira. Um amigo me contou uma vez que tinha ganhado na loteria e só me revelou que era mentira quando insisti por várias vezes para que ele dividisse o prêmio comigo”, contou entre risos.

Já a operadora de caixa Daniele Costa, 27 anos, diz que sequer recorda da data de tanta correria que há em seu dia a dia. “Eu esqueço. Quando percebo, já passou”, lamenta. Mas ele recorda que sempre foi alvo das mentiras ditas pelas amigas no dia 1º de abril. Principalmente, de prêmios de loterias. “Sempre me diziam que tinham ganhado na lota ou qualquer outro jogo e eu também sempre usei esse mesmo tema para contar as minhas pequenas mentiras para os outros, mas logo eu revelava a verdade dizendo que não tinha ganhado nada. Nenhum centavo”, conta Daniele.

Danielle
Daniele

Mãe de Emanuele, 6 anos, Daniele acredita que os amigos da escola é quem vão reforçar essa brincadeira do dia 1º de abril. “Eles vão crescendo e vão entendo melhor como funciona e dai ninguém escapa, né (risos). Acho saudável porque descontrai , diverti, passa o tempo. Apenas não pode magoar ou ofender a outra pessoa”, pontuou Daniele.

E se o seu filho nascer no dia 1º de abril e ninguém acreditar que é verdade? Foi justamente isso que aconteceu com o empresário Evair Batista, 52 anos. Ele conta que uma semana antes de seu filho Rodrigo nascer, ele já havia dito para uma tia que a criança tinha nascido e ela foi até ao hospital visitar o bebê. “Não desmenti. Esqueci. E minha tia foi fazer a visita e ficou muito brava quando viu que era mentira. Depois quando ele nasceu no dia 1º de abril, eu contei para a família e ela não acreditava”, recorda Evair. “Mas também já caí em várias delas. Já me contaram que o carro tinha quebrado e precisavam da minha ajuda urgente, por exemplo. Acho uma brincadeira divertida e vamos continuar participando”, frisou o empresário,

Evair
Evair

Aliás, no próximo domingo, dia 1º de abril, o filho dele, Rodrigo, vai completar 32 anos, e toda família fará uma viagem para comemorar. “Mentira. Não vamos fazer nada. Nem a viagem”, descontrai Evair entre risos.

 

A ORIGEM

Como surgiu o Dia da Mentira

 A brincadeira surgiu na França, no reinado de Carlos IX (1560-1574). Desde o começo do século XVI, o Ano-Novo era comemorado em 25 de Março, com a chegada da primavera. As festas, que incluíam troca de presentes e animados bailes noite adentro, duravam uma semana, terminando em 1º de Abril.

Em 1562, porém, o Papa Gregório XIII (1502-1585) instituiu um novo calendário para todo o mundo cristão – o chamado calendário gregoriano – em que o Ano-Novo caía em 1º de janeiro. O rei francês só seguiu o decreto papal dois anos depois, em 1564, e, mesmo assim, os franceses que resistiram à mudança ou a ignoraram ou a esqueceram, mantiveram a comemoração na antiga data. Então, alguns gozadores começaram a ridicularizar esse apego enviando aos conservadores adeptos do calendário anterior – apelidados de “bobos de abril” – presentes estranhos e convites para festas inexistentes. Com o tempo, a brincadeira firmou-se em todo o país, de onde, cerca de 200 anos depois, migrou para a Inglaterra e daí para o mundo.

No Brasil, o Dia da Mentira começou a se popularizar em Minas Gerais, através do periódico “A Mentira”, que tratava de assuntos efêmeros e sensacionalistas do começo do século XIX. Este periódico teria lançado em 1º de abril de 1848 uma matéria que noticiava a morte do então imperador Dom Pedro II. Dois dias depois, o jornal teve que desmentir a publicação, porque muitos de seus leitores realmente acreditaram na notícia. (Com informações do Guia dos Curiosos).

 

multi dia mentira capa o impacto

POR AQUI – Em 1992, o jornalista Mauro de Campos Adorno Filho, era diretor do jornal O Impacto, de Mogi Mirim, e decidiu elaborar uma capa para a edição do 1º de abril daquele ano totalmente com manchete e chamadas mentirosas. Uma delas trazia a informação falsa que o então prefeito Jamil Bacar havia renunciado e seu vice, José dos Santos Moreno, o Mogiano, teria assumido a Prefeitura de Mogi Mirim. “A repercussão foi enorme. Alguns gostaram, outros não. Muitas pessoas acreditaram na mentira dessa manchete. Mas o jornalismo também pode lidar com essa brincadeira de maneira séria e saudável. Depois, na semana seguinte, o O Impacto fez a repercussão da capa mentirosa do 1º de abril e publicamos todas as opiniões favoráveis ou não à capa do jornal. Mas, até hoje, essa capa é lembrada pelos leitores de Mogi Mirim”, contou Mauro.

 

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