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Tabagismo: Sim, é possível parar de fumar

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Ele fumou durante 30 anos. O metalúrgico José Luiz de Toledo chegou a fazer o cálculo de quanto dinheiro havia gastado comprando maços de cigarro durante três décadas e o resultado da conta assustou. “Eu queimei uma casa! Gastei cerca de R$ 180 mil nesses trinta anos só comprando cigarro”, concluiu.

Tanto dinheiro foi porque José Luiz começou fumar aos 14 anos, numa época em que o cigarro era visto como status social. Fumar era charmoso, bonito. E, por isso mesmo, custava muito caro. Naquela época, por volta de 1986, marcas como Jhon Player Spacial, Hollywood, Carlton, Marlboro faziam sucesso nos comerciais de TV e atraiam milhares de consumidores. Um deles foi José Luiz. “Aos 20 anos, eu cheguei a fumar três maços de cigarro por dia. Tudo começou na minha adolescência, principalmente aos fins de semana, quando a gente se reunia com os amigos e queria fazer bonito com o cigarro na mão. Comecei fumando escondido, mas minha mãe logo percebeu por causa do cheiro que ficava em mim. Depois meu pai descobriu, mas daí eu já trabalhava e tinha meu próprio dinheiro para comprar os cigarros”, contou.

José Luiz
José Luiz

José Luiz admite que parar de fumar não é fácil e exige muita determinação. Ele mesmo tentou parar com o vício em 2008, mas não conseguiu ultrapassar a marca dos 20 dias sem o cigarro. “Eu quase fiquei louco. Até que cheguei numa festa e não resisti ao ver os outros fumando. Aceitei um cigarro e voltei a fumar”.

Mas a cobrança da família persistia e, nessa recaída de José Luíz, a esposa Valdiva e os filhos Erika e Luiz aumentaram a pressão para que ele deixasse o cigarro de vez. “Eles me cobravam direto para que saísse de perto deles ‘com essa porcaria’, fica ‘tudo fedido’ e eu sempre dizia que um dia eu iria parar, mas isso não acontecia”, recorda.

Hoje, aos 45 anos, José Luiz comemora sua determinação. Há 13 meses (um ano e um mês) ele não fuma e ainda ajuda os fumantes que querem parar com o vício do cigarro dando seu exemplo em palestras. “Em março de 2016, eu decidi de fato que eu tinha de parar de fumar. Não tinha alternativa. Meus exames já apontavam que meu pulmão estava com alguns pigmentos e as chances de endema pulmonar eram muito grandes. Outra coisa são as empresas que vê o fumante como prejuízo para ela, porque ele para toda hora para fumar”, pontua José Luíz.

Ele participou do “Programa Municipal de Controle do Tabagismo” oferecido gratuitamente pela Secretaria Municipal de Saúde. “Primeiro, fiquei um mês participando das conversas com a psicóloga. Depois fui para a triagem, que me exigiu muita determinação e, em seguida, comecei a fazer o tratamento terapêutico com o médico que me indicou o uso do adesivo para suportar a abstinência da nicotina”.

José Luiz conta que não foi fácil. Ele aumentou o consumo de água de garrafinha, escovava os dentes várias vezes por dia e mascou muito chiclete de canela. “O hábito de levar a mão à boca é muito forte. Para levar o cigarro à boca, o fumante faz o movimento cerca de 300 vezes por dia”, comentou.

multi tabajismo

E quem também comemorou a decisão de José Luiz e o fim do tabagismo na vida do marido foi a esposa Valdiva. Com o dinheiro que ele gastava comprando maços e maços de cigarro por mês, ele passou a comprar eletrodomésticos para a casa deles. “Ela sempre me pedia alguns itens e daí disse para ela: vamos comprar porque vou pagar com o ‘dinheiro do cigarro’”, conta José Luiz, entre risos.

Sem cobranças. Sem dores nas pernas devido à má circulação, com a respiração melhor e sem o cheiro ruim do cigarro, ele confessa que a presença de outro fumante próximo a ele já incomoda. “O cheiro da fumaça me dá dor de cabeça”.

CONSCIENTIZAÇÃO

Número de fumantes está reduzindo a cada ano

 Em Mogi Guaçu, 156 mortes por ano ou 13 mortes por mês são por causa do tabagismo. A estimativa é de acordo com o número de habitantes da cidade. O perfil do fumante em Mogi Guaçu prevalece entre as mulheres e com idade acima dos 30 anos. Os dados foram dados pelo médico sanitarista da Vigilância Epidemiológica de Mogi Guaçu, Paulo Silva, que também coordena o Programa Municipal de Controle do Tabagismo.

Na próxima quarta-feira, dia 31, será comemorado o Dia Mundial sem Tabaco. A data é lembrada desde 1987, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) a definiu como um alerta sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo. Especialistas em saúde confirmam que o uso do cigarro é a maior causa evitável de morte globalmente.

Paulo Silva
Paulo Silva

E a comemoração do Dia Mundial sem Tabaco dá sinais de que está surtindo resultados positivos. De acordo com o médico sanitarista Paulo Silva, o número de fumantes vem caindo com o passar dos anos. “Antigamente, a cada três pessoas, uma fumava. Hoje, a cada oito pessoas, apenas uma é fumante. Entre os jovens, a cada 10 deles apenas um faz uso do cigarro”.

O médico ainda alerta: em média, os fumantes têm 14 anos a menos de vida, mas Paulo Silva pondera explicando que é compreensível que o fumante enfrente grandes dificuldades para abandonar o cigarro de vez. No entanto, ele ressalta que mesmo assim é possível conseguir se livrar do tabagismo. “É uma mudança de comportamento. São três dependências: a química, a psicológica e a comportamental. A principal delas é a psicológica, porque a química é driblada pelo uso dos medicamentos”, comparou.

 

Nicotina

Paulo Silva explica que a vilã do tabagismo ainda é a nicotina e não adianta dizer que o cigarro tem baixos teores ou que a pessoa não ‘traga’. A mucosa da boca absorve todas as substâncias que compõem o cigarro. “Os de baixos teores são piores, porque o fumante irá ter de fumar mais e mais cigarros para atingir os miligramas de nicotina que ele precisa para suprir sua dependência”.

A nicotina é a responsável pela produção da dopamina, que produz a sensação de prazer que, por sua vez, alivia o sofrimento psíquico. Por isso, causa a dependência do cigarro. “A falta da nicotina no organismo traz as crises de abstinência e a pessoa que tenta parar de fumar sente irritabilidade, dores de cabeça, tontura, falta de sono, nervosismo. Mas todos estes sintomas duram aproximadamente 21 dias depois vão diminuindo e os medicamentos ajudam muito a controlar tudo isso”, explicou o médico.

multi tabajismo

Se o fumante deseja realmente parar com o vício do cigarro, Paulo Silva orienta para que busque ajuda e apoio no Programa Municipal de Combate ao Tabagismo. Gratuito, ele é feito em três unidades em Mogi Guaçu: no Caps AD, no Parque Cidade Nova; na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Ypê II e na própria Vigilância Epidemiológica, que fica à Rua Paula Bueno, no Centro. “O tratamento dura um ano. Nos primeiros três/quatro meses, os encontros são semanais. Depois, tornam-se mensais. Temos o acompanhamento da psicóloga Rosemeire Donegá e é feita uma triagem para o uso da medicação que é fornecida gratuitamente pelo Governo Federal. Os grupos são motivacionais, porque sem motivação o fumante não consegue se livrar do tabagismo mesmo que fizer uso da medicação. É preciso se motivar”, concluiu Paulo Silva.

multi tabajismoAvalie seu grau de dependência ao cigarro*

 1-Quanto tempo depois de acordar você fuma o primeiro cigarro?

– dentro de cinco minutos = 3 pontos

– entre 6 a 30 minutos = 2 pontos

– entre 31 e 60 minutos = 1 ponto

– após uma hora = 0 ponto

 2-Você acha difícil não fumar em lugares proibidos, como igrejas, cinemas, ônibus, lanchonetes…

– sim = 1

– não = 0

3-Qual cigarro, durante o dia, traz mais satisfação?

– o primeiro da manhã = 1

– outros = 0

 4-Quantos cigarros você fuma por dia?

– menos de 10 = 0

– de 11 a 20 = 1

– de 21 a 30 = 2

– mais de 31 = 3

5-Você fuma mais frequentemente pela manhã?

– sim = 1

– não = 0

6-Você fuma mesmo doente, quando precisa ficar de cama?

– sim = 1

– não = 0

 

Confira seu grau de dependência do cigarro:

 0 a 2 pontos = muito baixo

3 a 4 pontos = baixo

5 pontos = médio

6 a 7 pontos = elevado

8 a 9 pontos = muito elevado

*Fonte: Programa Municipal de Controle do Tabagismo

multi tabajismo

XÔ, CIGARRO!!

Conscientize-se dos benefícios que você terá ao parar de fumar:

 

  1. Após 20 minutos a pressão sanguínea e o pulso voltam ao normal;
  2. Depois de 24 horas a nicotina e o monóxido de carbono são

eliminados;

  1. Após 72 horas sem fumar, a respiração se torna mais fácil e a disposição em geral aumenta;
  2. Após um ano sem cigarro, o risco de infarto do miocárdio se reduz à metade;
  3. Redução significativa de despesas com a compra de cigarros;
  4. Depois de 10 anos sem fumar, o risco de câncer de pulmão diminui para a metade e de infarto do miocárdio fica igual ao de quem nunca fumou.
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