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Santo Antônio: o bolo mais tradicional de junho

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Seja para casar ou pela devoção a Santo Antônio, a busca pelo tradicional bolo do santo casamenteiro aumenta a cada ano. E não importa se faz chuva ou se faz sol, quem quer comer um pedaço do tão famoso bolo enfrenta qualquer adversidade do tempo.

Na terça-feira, dia 13, dia de Santo Antônio, a chuva resolveu cair forte sobre Mogi Guaçu no fim da tarde, mas quem passou pela Praça Padre Longino Vastibinder, na Vila Paraíso, pode testemunhar pessoas que chegavam à Paróquia de Santo Antônio para comprar o pedaço de bolo e reforçar, assim, a devoção ao santo e, até mesmo, a fé em conseguir um tão sonhado casamento.

A tradição do bolo de Santo Antônio há anos vem passando de geração para geração e faz sucesso em milhares de paróquias em todo o Brasil.

E engana-se quem acha que a fé no santo casamenteiro prevalece apenas entre os católicos – que celebram a devoção a Santo Antônio. Muitos cristãos de outras religiões se rendem a degustação do tradicional bolo que conquista facilmente os mais exigentes paladares.

multi santo antonio

GRANDIOSO
90 metros

110 mil pedaços

550 formas

bolo multi santo antonio Neste ano, a Paróquia Santo Antônio, na Vila Paraíso, caprichou no recheio do bolo, que foi além dos ingredientes. Dentro da massa do bolo foram colocados três pares de alianças de ouro e outros três pares de alianças de prata, além de 420 medalhinhas de Santo Antônio. Todas benzidas. Quem encontrou o par de alianças, por exemplo, já podia até oficializar o noivado. Se fosse casado, a ideia era renovar os votos do matrimônio. Até terça-feira (13), ainda faltavam ser encontrados dois pares de alianças: um de prata e outro de ouro. “Ainda não apareceu quem ganhou, não”, comentou o pároco Denílson Secco, da Paróquia Santo Antônio.

Ele explicou que na hora de montar o bolo as medalhinhas são distribuídas no interior da massa bem como os papeizinhos que faziam alusão aos pares de alianças. “Quem encontra esses papeizinhos, entrega na secretaria paroquial e, então, retira o par de alianças conosco”, explicou.

Para o padre, a ideia é atrair cada vez mais fieis para a celebração de Santo Antônio e reforçar a tradição do bolo. “O Santo Antônio atrai pela devoção. O bolo é apenas um símbolo dessa fé e faz alusão ao casamento, já que atribuíram a Santo Antônio o título de casamenteiro. Em todo casamento tem um bolo”.

Padre Denilso
Padre Denilso

Neste ano, foram cerca de 50 pessoas para montar o bolo que teve 90 metros. Mas nem sempre foi assim. O bolo de Santo Antônio, na Paróquia da Vila Paraíso, começou com apenas três metros e foi se tornando grandioso ao longo dos anos, não apenas no tamanho, mas também na fé que representa aos milhares de fiéis que chegam, inclusive, vindos de outras cidades da região. “Recebemos pessoas de Mogi Mirim, Itapira, Jacutinga, Sul de Minas. Todos aproveitam e também experimentam o bolo, que recebe uma bênção especial antes de começar a ser vendido”, frisou Padre Denílson, lembrando que neste ano foram 550 formas de bolo.

Para quem acha que dá trabalho fazer um bolo tão imenso, o padre conta que tanto a massa quanto os recheios são comprados já prontos e, um dia antes de iniciar as vendas dos 10 mil pedaços, o bolo começa a ser montado. Cada pedaço custou R$ 3,50. “Chantily, massa, recheio, cobertura, tudo é comprado pronto ou semi pronto. Isso agiliza o trabalho, sem prejudicar a qualidade do bolo, que segue sendo saboroso e apreciado por muitos. É muito gostoso!”, assegurou o padre.


Pelo matrimônio ou pela devoção?

Quem está solteiro e quer casar confia na intercessão de Santo Antônio e para dar uma forcinha compra também um pedaço do bolo para reforçar a intenção de chegar ao altar de véu e grinalda. Foi com essa proposta de fé que a técnica em informática Hamira Américo Vilasboas, 20 anos, comeu o pedaço do bolo. Morando em Mogi Guaçu há apenas dois meses, a mineira de Pedraval, no Sul de Minas Gerais, está namorando Ulielton e já pensa em levá-lo ao altar. “Quero casar, sim, e vim comprar o bolo pensando nisso (risos). Também quero ter a sorte de encontrar a medalhinha de santo Antônio dentro do bolo. Vou ficar muito feliz, se isso tudo acontecer”, disse Hamira.

Hamira
Hamira

A estudante Maria Gabriela, 22 anos, também está solteira, mas diferentemente de Hamira, ela não quer casamento, não. Pelo menos, por enquanto. “Estou feliz solteira”, diz ela entre risos. “Mas compro o bolo todo ano. Pertenço à Paróquia de Santo Antônio e já é um costume mesmo participar das festividades nessa data”, comentou Maria Gabriela.

Maria Gabriela
Maria Gabriela

Quem já está casado, vê no bolo de Santo Antônio uma maneira de reforçar o amor entre o casal e renovar os votos do matrimônio. Mas a devoção ao santo também fala alto, principalmente no dia 13 de junho, quando se celebra Santo Antônio. É o caso do aposentado Pedro Simionato que participou da missa na Paróquia de Santo Antônio antes de garantir seu pedaço de bolo. Devoto, Pedro diz que sua intenção é principalmente pela saúde. “Há vários anos compro o bolo de Santo Antônio e me sinto muito bem participando dessa forma. Sou devoto e já encontrei a medalhinha dentro do bolo várias vezes. Minha oração é para ter saúde plena. Comer o bolo é apenas um gesto de fé e gratidão ao mesmo tempo”, diz ele.

Também por devoção a dona de casa Ana Maria Carvalho Lucas compra o bolo de Santo Antônio há mais de 15 anos. “É uma bênção de Deus. Quero muito encontrar a medalhinha este ano dentro do pedaço de bolo que eu comprar. Mas o que vale mesmo é a nossa fé de que tudo vai dar certo com a intercessão de Santo Antônio”, comemora.

Pedro
Pedro
Ana Maria
Ana Maria

LENDAS
Por que Santo Antônio é considerado como casamenteiro?

Da Redação

Batizado de Fernando Bulhões, Santo Antônio era um frade franciscano, nascido em 1195, em Portugal, mas viveu durante a maior parte de sua vida em Pádua, na Itália. Apesar de não ter em seus sermões nada específico sobre casamentos, Santo Antônio ficou conhecido como o santo que ajuda mulheres a encontrarem um marido por conta da ajuda que dava as moças humildes para conseguirem um dote e um enxoval para o casamento.

Reza a lenda que, certa vez, em Nápoles, havia uma moça cuja família não podia pagar seu dote para se casar. Desesperada, a jovem – ajoelhada aos pés da imagem de Santo Antônio – pediu com fé a ajuda do santo que, milagrosamente, lhe entregou um bilhete e disse para procurar um determinado comerciante. O bilhete dizia que o comerciante desse à moça moedas de prata equivalentes ao peso do papel. Obviamente, o homem não se importou, achando que o peso daquele bilhete era insignificante. Mas, para sua surpresa, foram necessários 400 escudos da prata para que a balança atingisse o equilíbrio.

multi santo antonioNesse momento, o comerciante se lembrou que outrora havia prometido 400 escudos de prata ao Santo, e nunca havia cumprido a promessa. Santo Antônio haveria fazer a cobrança daquele modo maravilhoso. A jovem moça pôde, assim, casar-se de acordo com o costume da época e, a partir daí, Santo Antônio recebeu – entre outras atribuições – a de “Santo Casamenteiro”.

Outra história que envolve a fama de Santo Antônio é a de que uma moça muito bonita que havia perdido as esperanças de arranjar um marido, apegou-se a Santo Antônio. Dizem que a mulher adquiriu uma imagem do santo e colocou-a em um pequeno oratório. Todos os dias, a jovem colhia flores e as oferecia a Santo Antônio sempre pedindo que ele lhe trouxesse um marido.

Mas passaram-se semanas, meses, anos, e nada do noivo aparecer.

Então, tomada pelo desgosto e pela ingratidão do santo, ela atira a imagem pela janela. Neste exato momento, passava um jovem cavalheiro que é atingido pela imagem do Santo. Ele apanha a imagem e vai entregar à jovem, que se apaixona por ele e atribui a sua chegada a fé em Santo Antônio.

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