Home»Cidade»Médicos voltam a atender metalúrgicos

Médicos voltam a atender metalúrgicos

Denúncia foi formalizada pela Associação dos Portadores de Doenças Ocupacionais e Acidentados do Trabalho de Mogi Guaçu e Região (CAAT).

5
Compartilhamentos
Pinterest Google+

Após três anos de restrição ao atendimento médico a funcionários da empresa Mahle Metal Leve, um acordo judicial foi feito. Por conta disso, médicos ortopedistas já voltaram a atender os metalúrgicos da empresa. O processo no Ministério Público do Trabalho, em Campinas, foi arquivado. A decisão de arquivamento foi emitida no mês passado.

Em fevereiro de 2014, a Gazeta acompanhou a discussão envolvendo trabalhadores e médicos que não concordavam com as restrições impostas pela empresa ao convênio. Médicos ortopedistas foram proibidos de atender funcionários e a emitir laudos aos trabalhadores. Mas somente em 2016 é que a denúncia foi formalizada pela Associação dos Portadores de Doenças Ocupacionais e Acidentados do Trabalho de Mogi Guaçu e Região (CAAT).

Segundo o presidente da CAAT, José Roberto de Souza, os trabalhadores procuraram a entidade e somente após conseguirem juntar documentos como negativas de atendimento e prontuários de tratamento é que a denúncia foi protocolada. “Tinha trabalhadores que eram acompanhados há 15 anos por um médico e não conseguia mais seguir com o médico de confiança. Isso foi uma grande vitória dos trabalhadores e da CAAT. Os trabalhadores com isso tem que saber que eles têm direitos e buscar a Justiça”.

José Roberto
José Roberto

No relatório de arquivamento, o procurador Everson Carlos Rossi relembrou documentos nos autos do processo ilustrando a situação, como pedidos de atendimento à Unimed por parte de trabalhadores lesionados, sentenças em reclamações trabalhistas e carta dos médicos. Um documento emitido pela empresa à cooperativa médica solicitando que determinados médicos não mais atendessem foi anexado ao processo.

Em defesa, a Mahle argumentou que em “nenhum momento interferiu no atendimento dos referidos médicos e que o documento emitido tratava-se de constatação estatística para fins de negociação de renovação contratual”. Já a Unimed alegou que os médicos foram afastados desse atendimento a pedido destes. Por sua vez, os médicos disseram que se sentiram pressionados, “eis que muitos outros médicos poderiam ser prejudicados caso ocorresse desentendimento entre a Unimed e a empresa”, alegaram.

Em audiência, as partes acordaram a liberação do atendimento dos médicos envolvidos e houve uma adequação de conduta o que resultou no arquivamento do inquérito civil. “Importante esclarecer que eventual direito individual daqueles que se sentiram ou se sentem prejudicados resta preservada”, pontuou o procurador. A ata da audiência foi remetida para a Vara do Trabalho de Mogi Guaçu.

A Unimed não vai se pronunciar sobre o caso.

 

Entenda o caso

Na época, houve um protesto na porta da empresa organizado pelo Sindicato da categoria. O presidente da entidade, na ocasião Alexandre Fernandes de Araújo, o Português, entendia que o objetivo da empresa era evitar que os trabalhadores fossem atestados com lesões de origem ocupacional, ou seja, provenientes das atividades realizadas no trabalho. Essa caracterização como doença relacionada ao trabalho possibilita que o trabalhador possa reivindicar seus direitos perante a Justiça do Trabalho no tocante aos pleitos indenizatórios. Embora tenha exposta a situação, a atual direção do SindMetal não formalizou a denúncia à Justiça do Trabalho, comentou Português.

O atual presidente, Benedito da Silva, informou que mesmo assim, nas reuniões com representantes da empresa procurava cobrar a normalidade dos atendimentos médicos.

Em entrevista à Gazeta, o médico ortopedista Antônio Sérgio Vasconcellos, um dos especialistas impedidos de atender, declarou ser contrário à decisão da empresa que afetava ele e mais cinco especialistas da mesma clínica. “Não somos a favor dessa atitude, mas não queremos prejudicar a Unimed, porque a Mahle ameaçou romper o contrato de assistência médica. Por isso, não estamos mais atendendo funcionários da Mahle e seus familiares”, esclareceu à época.

Post anterior

Queixa de moradores leva à fiscalização

Próximo post

Equipe do Judô mantém vitórias em competições