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Festas populares: tradição dos ‘Arraiá’ é resgatada

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As festas populares, também conhecidas como manifestações populares, que abrangem uma determinada região ou país são baseadas em costumes e na tradição cultural de um povo. No Brasil, essas festas acontecem de janeiro a janeiro, de Norte a Sul do país, com muitas atrações culturais, pessoas trajando roupas típicas, muitos quitutes, danças folclóricas e música regional. Nesta época do ano, as festas juninas e julinas são as mais realizadas pelo país afora e, principalmente por instituições e entidades.

Em Mogi Guaçu, moradores da Rua São José dos Pinhais, no Jardim Ypê III, decidiram se unir e realizar anualmente uma grande festa. Pelo terceiro ano consecutivo, eles atraem moradores até de outros bairros para a tradicional festa junina. O próximo evento será no dia 10 de junho, a partir das 19h30. São esperadas cerca de 700 pessoas.

festa_junina (3)O arraial da São José ficou conhecido como “Arraiá ce é loko frigideira”. Mas de louco não tem nada, a galera é muito unida e organizada. “A ideia surgiu em uma janta entre amigos e vizinhos. A nossa motivação foi relembrar as festas que há muito tempo havia aqui, na rua. Eram feitas pelos moradores mais antigos”, relembra uma das organizadoras, Stella Aquino.

Para celebrar como tem que ser, não pode faltar a reza do terço, que é oferecida aos três santos juninos – Santo Antônio (dia 13), São João (dia 24) e São Pedro (dia 29).  Tem queima de fogos, o casamento caipira e a quadrilha ao som de um bom sanfoneiro e de um violeiro. “Esse ano a festa conta com um novo e saboroso cardápio que inclui caldos e canjica, além de bolos, doces, cachorro-quente, pipoca,  algodão doce, chocolate quente, quentão e vinho quente, que já estavam sendo servidos nos anos anteriores e sem custo algum”.

Para não faltar comida, os moradores se cotizam e compram os ingredientes e ainda aceitam doações que são feitas anualmente por apoiadores da festa entre comerciantes, empresários e políticos que nem moram no bairro, mas se encantaram com a iniciativa.

 

Aproximação

Stella comenta que o ‘Arraiá’ não mudou em nada a relação entre vizinhos, apenas refletiu a união de anos de convivência amistosa. “Fomos sempre unidos, somos a ‘Família São José’ da Rua São José dos Pinhais”, brinca.

Mas para as crianças mudou muita coisa. “Inclusive, a diversão. Conheceram a cultura que estava esquecida e criaram responsabilidades, porque cada criança é responsável  pela arrecadação de prendas pelo bairro”.

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As atrações que mais chamam a atenção são o casamento caipira e a quadrilha. “Para nós é importante continuar a festa para manter esta tradição, a diversão, a caridade e não deixar a cultura morrer”, resumiu Stella em nome dos vizinhos e organizadores.

PAU DE SEBO

Brincadeira é sucesso entre moradores

 

Outra tradição resgatada por moradores dos Ypês é a escalada do pau de sebo. A terceira edição ocorreu no Sábado de Aleluia, no mês de abril. Quem conseguir escalar ao topo fica com o prêmio. Eram prendas como dinheiro, brinquedos e assados.

O comerciante Julherme Correa trocava uma ideia com os vizinhos sobre a falta de brincadeiras de rua e de atividades recreativas e de lazer no bairro. “Hoje a Cultura é centralizada e vai quem pode e queríamos trazer algo perto de casa”, comentou.

pau_de_sebo (6)Além do pau de sebo dos adultos, há também um menor para as crianças. “Para ser feliz não precisa de muita coisa e, sim, de coisas boas. Não fizemos nada de novo, só algo que estava esquecido. E para as crianças queremos mostrar que nada é fácil, incentivamos com as brincadeiras que o sentido da vida é lutar, se esforçar para conseguir algo”.

Para resgatar brincadeiras de rua, houve até corrida com carrinho de rolemã. Os prêmios são arrecadados em parceria com comerciantes que ajudam na arrecadação dos prêmios e atualmente já conseguiram apoio da Secretaria de Esportes e Turismo.

 

Resgate Cultural

Para a arte educadora Maria Angélica Urbano, o resgate de uma cultura popular é importante. “É muito importante que consigamos renovar tradições, porque o folclore é vivo e recebe muitas interferências do mundo moderno tecnológico. Como o contar histórias que voltou com uma força tão grande, espero que as festas voltem a acontecer nos bairros para unir as pessoas. A busca pelo coletivo é urgente e várias comunidades no mundo tem conseguido essa proeza”.

Maria Angélica recorda de quando criança que também gostava de participar das festas em seu bairro, algo que não existe mais. “Hoje é algo mais institucional em entidades e escolas. Foi se perdendo com o tempo e era muito prazeroso conhecer quem morava perto de você, porque essas festas aproximavam as pessoas. Hoje os mais novos não encaram essas festas como tradição, algo a ser preservado”.

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Além do resgate cultural, Maria Angélica aponta que o trabalho em coletividade traz outros benefícios. Afinal de contas, a tecnologia tem seus benefícios, mas afasta em algumas vezes as pessoas do convívio social. “A gente sempre reclama que estamos sem tempo e quando cada um faz sua parte e organiza festas como essas mostram que só vamos conseguir fazer as coisas na coletividade e não individualmente. E que podemos fazer algo para mudar a pracinha e o bairro todo”.

Maria Angélica como estudiosa das tradições populares lembra que as comemorações juninas tiveram início há muitos séculos na Europa. “Antigamente no dia 24 de junho era comemorado pelos pagãos  a festa do Solstício de verão, o dia mais longo do ano que marcava o inicio da época do plantio em comemoração à grande fertilidade da terra, às boas colheitas. Essas festas eram conhecidas como ‘Joaninas’ e receberam esse nome para homenagear João Batista. Mais tarde passaram a comemorar a festa dos três santos. Por isso, festas no mês de junho = festa junina”.

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MAPA CULTURAL

As maiores festas juninas do Brasil

 

Da Redação

São João é o festejo popular mais comemorado pelos brasileiros depois do Carnaval. As celebrações, em homenagem aos santos católicos Santo Antônio, São Pedro e o próprio São João, movimentam o calendário a partir de maio, tem seu ápice no mês de junho, e terminam em agosto. Do total de mil eventos cadastrados no Calendário Nacional de Eventos Turísticos, do Ministério do Turismo, 54 são dedicados à festa que combina religiosidade popular, comidas típicas, danças típicas e muita música regional, movimentando o turismo país.

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São João de Caruaru (foto) disputa com Campina Grande o título de maior festa de São João do mundo

O Nordeste é a região que concentra o maior número de festas e as maiores atrações do período. Entre os grandes eventos que abrangem praticamente todo o mês de junho – de 4 a 26 – estão as festas de Caruaru (PE), Campina Grande (PB) e Mossoró (RN). Todas as capitais da região comemoram o São João com shows populares, além dos tradicionais arraiás, nos bairros, e os festivais de quadrilhas juninas. Outras capitais com tradição nos festejos são Aracaju (SE), Teresina (PI), e Salvador (BA).

Campina Grande e Caruaru disputam o título de quem faz o maior e melhor São João do mundo e atraem multidões ao longo do mês de junho. São apresentações e atrações que vão dos ícones da cultura local aos grandes nomes da música nacional. Ainda no Nordeste, os festejos de São Luís (MA) também se destacam pelo rufar dos tambores e diferentes sotaques da música local em uma celebração que mistura festa junina com Boi-Bumbá.

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