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Editorial: O lixo é nosso

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O título deste editorial não é uma alusão ao momento atual da política brasileira, na qual sofre um desgaste que trará ainda muito mais instabilidade ao país. O título é referente ao lixo doméstico que é despejado diariamente no aterro sanitário do município.

Não é de hoje que o lixo se constitui num dos desafios mais completos do mundo e que não encontra soluções adequadas na proporção em que o problema só cresce. Os brasileiros jogam fora 76 milhões de toneladas de lixo e 30% poderiam ser reaproveitados, mas só 3% vão para a reciclagem. Em 10 anos, o número de municípios que implantaram programas de reciclagem aumentou de 81 para mais de 900, mas isso não representa nem 20% das cidades.

No aterro sanitário de Mogi Guaçu são despejadas diariamente 180 toneladas de lixo doméstico. A coleta é feita com regularidade e o aterro sanitário é certificado. Apesar disso, o município ainda deixa a desejar quando o assunto é coleta seletiva. Quando irá surgir uma campanha eficaz que amplie o nível de engajamento da população para com a coleta seletiva? Os números atuais revelam um envolvimento social quase mínimo.

Existe um descaso generalizado e não se pode restringi-lo às classes sociais menos favorecidas. É só observar os reservatórios de lixos de prédios ou condomínios de classe média/alta para se ter uma ideia da falta e cuidado com o lixo entre essa parcela da população. Isso mostra que o município falha em ‘ensinar’ seu morador a cuidar do seu lixo, seja por meio da coleta seletiva ou separando o material orgânico. Falta educação ambiental!

É raro encontrar na cidade recipientes coloridos com placas indicativas de lixos orgânicos ou inorgânico ou separações de acordo com material plástico, de papel ou metal. Atualmente, a Cooper 3R é a única responsável por recolher o material reciclado na cidade e, por isso, recebe recursos da Prefeitura. Além da entidade, existem os catadores de sucata que também realizam esse trabalho casa a casa. Mas ainda é muito pouco para mudar o comportamento do guaçuano quando o assunto é coleta seletiva e diminuição do lixo no aterro sanitário local.

De acordo com especialistas, os projetos mais exitosos são aqueles que combinam modelos diferentes de coleta. Unem entregas voluntárias, postos de coleta, cooperativas de reciclagem e recolhimento porta a porta. Parte dessas iniciativas depende da motivação individual, mas o Poder Pública precisa criar mecanismos para que essa mudança de comportamento realmente aconteça e isso só irá acontecer se houver boa vontade política em colocar em prática campanhas de conscientização e projetos que atinjam toda a população. Está na hora de a Prefeitura sair da zona de conforto que é o de buscar o lixo nos bairros e levar para o aterro sanitário. É preciso mais do que isso.

A Política Nacional dos Resíduos Sólidos é uma lei aprovada há quase sete anos no Brasil. Sabe-se que promover a coleta seletiva custa caro, cerca de três vezes mais que a tradicional, mas essa é uma despesa que precisa ser pesada numa balança de precisão. O lixo está diretamente vinculado ao meio ambiente, à qualidade do solo, à economia e aos problemas de saúde pública.

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