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Editorial: Mexer no vespeiro

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Nesta semana, a Prefeitura e a Câmara deram sinais de que vão iniciar as discussões em torno das regras que regem a gratuidade na tarifa do transporte público. O assunto não é novo, mas só agora deve tomar corpo, pois anualmente a Viação Santa Cruz, responsável pelo transporte coletivo na cidade, pede a revisão no valor de sua tarifa. Atualmente, o usuário paga R$ 3,78 e para a empresa detentora da concessão do transporte público o preço na catraca deveria ser de R$ 4,40.

Uma tentativa de minimizar esse valor seria a diminuição das gratuidades. A Prefeitura, por meio do secretário de Obras e Viação, Salvador Franceli, iniciou um estudo para apresentar algumas mudanças. Apesar de não ter divulgado nenhum número, a maioria dos passageiros que faz uso do transporte coletivo no município não paga a tarifa. Por meio deste estudo a Administração Municipal quer criar novas regras que continuem beneficiando o usuário, mas que limitem o benefício por entender que muitos aposentados que não pagam pela tarifa ganham salários considerados altos.

Em audiências públicas realizadas anteriormente representantes da Viação Santa Cruz já defendiam que o grande vilão do valor da tarifa é a gratuidade. Assim, quem paga pela viagem acaba pagando um preço maior para usar o transporte público como forma de compensação por quem não paga. Com um amplo estudo em mãos, Salvador Franceli já faz o meio de campo para convencer os vereadores a aprovarem as mudanças quando elas chegarem à Câmara por meio de Projeto de Lei.

O assunto é complexo e realmente merece atenção e cuidado do Poder Público. É preciso transparência para que os maiores interessados não sejam prejudicados e que a mudança seja para beneficiar a maioria. É dever do Poder Público estimular o uso do transporte público, desde que viável economicamente e, sobretudo, com decência para o passageiro.

Espera-se que com essa discussão os números e dados da empresa sejam divulgados e realmente discutidos de forma pública, pois, atualmente, a sociedade, em especial quem usa o transporte público, fica incapaz de debater os itens que constam das planilhas de custos e os valores a ela atribuídos. O sistema, portanto, acaba se tornando blindado às discussões, críticas e propostas, algo avesso ao princípio democrático. 

Na outra ponta desta discussão está o usuário e pode ser que essa alteração seja necessária para uma mudança de comportamento do guaçuano que cada vez menos utiliza o transporte público. Um preço justo poderia fazer com que elevasse o número de usuários, assim como a empresa poderia ter mais condições de aumentar a frequência dos ônibus circulares nas ruas e fazer melhorias mais constantes nos veículos. Resta saber se a Prefeitura está realmente preparada para mudar as regras da gratuidade, pois certamente deixará muitos usuários descontentes. Por outro lado, a alteração poderá beneficiar, sim, quem realmente precisa do transporte público todos os dias para se locomover. Um transporte digno e eficiente para todos.

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