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Editorial: É preciso decidir com o coração

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O assunto adoção sempre vem à tona nesta época do ano, pois no dia 25 de maio é comemorado o Dia Nacional da Adoção, criado em 1996 durante o I Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoio à Adoção. Mais de cinco mil crianças e adolescentes esperaram por adoção no Brasil. O número representa uma fatia mínima na população de pequenos brasileiros abandonados pelos pais, que chega a oito milhões. Nesse grupo, 25% deles estão nas ruas e os demais são criados por familiares ou adotados informalmente.

Os cinco mil pequenos na fila por pais adotivos enfrentam um outro problema que chega a ser irônico: o excesso de interessados em levá-los para casa. A média aponta que são cinco pais para cada criança e adolescentes aptos para adoção. Porém, a grande maioria de aspirantes busca recém-nascidos e sem problemas de saúde. Isso faz com que o ato seja ainda mais complicado e se arraste ao longo do tempo.

Exemplos não faltam e a própria Vara da Infância de Mogi Guaçu acompanha casos semelhantes. Neste fim de semana, a repórter Cláudia Helena Silva Marquezi trouxe matéria sobre o assunto e fez um panorama sobre a adoção na cidade. São 63 pretendentes cadastrados na Vara da Infância e apenas três menores aptos à adoção, sendo todos adolescentes. Um cenário que se repete na maioria dos municípios brasileiros, pois dificilmente eles ganharão um lar até completarem 18 anos.

Por mais que o perfil do interessado tenha mudado nos últimos anos, a cultura de adotar menores de cinco anos ainda é a que mais se vê. A imagem da família feliz sem relações biológicas esconde questões que os casais abertos à adoção precisam refletir. Por que não adotar crianças com mais de cinco anos ou adolescentes? Por que não criar filhos com alguma deficiência?

Iniciativas de conscientização têm sido promovidas pelos grupos que defendem e trabalham a questão da adoção. Porém, muitos tabus recorrentes ao tema ainda precisam ser quebrados, como a adoção de crianças mais velhas e principalmente adolescentes, os menos procurados. O tema adoção deveria estar mais presentes nas discussões da sociedade e não somente na época em que se comemora uma data.

O assunto precisa vir à tona sempre, ser discutido, debatido e transformado. Bem como o perfil e o comportamento de quem se faz pai ou mãe de alguém por escolha e opção, sem relações sanguíneas. Os responsáveis pelo assunto no município precisam envolver mais a sociedade, pois ainda faltam informações. São necessária também ações do governo e políticas de apoio.

No Brasil, a adoção é um processo lento e, muitas vezes, desgastante. Por isso, a informação se faz tão importante. A adoção precisa estar livre de qualquer tipo de preconceito. É um ato de amor irrestrito, que não pode estar preso a estereótipos ou condição física.30

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