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Editorial: Ainda falta muito

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A reinserção de presos e ex-presos no mercado de trabalho ainda é um desafio de políticas públicas que o Brasil precisa enfrentar. Esta é uma tarefa a ser encarada pelos governos, pelas empresas e pela sociedade.

Nesta edição, a Gazeta traz uma matéria sobre os dois anos de funcionamento da penitenciária feminina no município e pela primeira vez uma equipe de reportagem conseguiu autorização para entrevistar detentas. A repórter Karina de Araújo trouxe as histórias de quatro das 1045 mulheres que ocupam os pavilhões da unidade prisional. As reeducandas, escolhidas pela direção da unidade, concordaram com a entrevista e contaram o que esperam ao sair do sistema prisional e todas foram enfáticas ao afirmar que pretendem retomar a vida com a família. Mas fica a pergunta: Como retornar para o convívio com a sociedade sem emprego?

O país vive hoje o pior índice de desempregados dos últimos anos. Já são mais de 14 milhões de brasileiros desempregados. Este fato, agregado ao preconceito, torna mais difícil o retorno esperado por essas mulheres.

Os governos não avançam em políticas públicas de reinserção porque a sociedade ainda vê com preconceito esta alternativa, considerando-a um ‘desperdício’ de dinheiro público. Mas desperdício é deixar como está. A população carcerária no Brasil é composta fundamentalmente por jovens entre 18 e 29 anos. Vale a pena deixá-los sem futuro?

Este cenário precisa mudar e depende basicamente de ações do Estado em conjunto com a iniciativa privada. Tal fato já vem ocorrendo de forma pontual. Em Minas Gerais, por exemplo, uma parceria entre o setor privado e o Governo Estadual garante capacitação e contratação de egressos do sistema penitenciário. Em 2009, o Conselho Nacional de Justiça e o Supremo Tribunal Federal lançaram a campanha “Começar de Novo” para sensibilizar a população para a necessidade da recolocação no mercado de trabalho. À época, a campanha foi amplamente divulgada, mas não teve vida longa.

É necessário um trabalho contínuo para que os egressos do sistema prisional não voltem a cometer delitos. Desigualdades sociais, má distribuição de renda e falta de oportunidade alimentam as altas taxas de delinquência e criminalidade no país.

Atualmente, apenas cinco empresas oferecem emprego para as detentas que cumprem pena no regime fechado e semiaberto na unidade prisional guaçuana. A reinserção é importante para que essas mulheres não voltem ao mundo do crime e, por isso, a importância de se mudar esse cenário.

As vantagens financeiras para as empesas já são de conhecimento da maioria dos empresários. O que ocorre atualmente é a vontade política de governos, empresas e sociedade em enfrentar a violência e a criminalidade por meio da inclusão social pelo trabalho.

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