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Dois são condenados por homicídio no ‘Boa Vista’

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Em julho de 2014, o pedreiro Helton Pereira do Nascimento, de 31 anos, foi brutalmente assassinado, no Jardim Boa Vista. Ele foi morto após ser espancado e golpeado com facão. Ele teria sido morto pelo ‘tribunal do tráfico’ por ter furtado drogas. Na época, três pessoas foram presas acusadas de participação no crime.

O trio, preso desde 2014, foi a julgamento nessa quinta-feira (11). Foram onze horas de julgamento. O júri, formado por sete pessoas da comunidade, decidiu pela condenação de dois dos acusados.

O juiz da Vara Criminal, Daniel Romano Soares, condenou João Marcelo Nalim a 16 anos de reclusão e William Virgolino Horta a pena de 14 anos. O réu Jefferson Cristiano de Oliveira foi absolvido por falta de provas. Após o julgamento, que acabou às 20h, ele voltou ao Centro de Detenção Provisória (CDP) /Campinas e o alvará de soltura foi expedido ontem (12).

O advogado de defesa de Jefferson Cristiano, Natalino Polato, explicou que o Ministério Público ainda pode recorrer da decisão. Isso porque, o promotor Rafael Amâncio Brioso sustentou em sua tese a condenação dos três por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e que impossibilitou a defesa da vítima.

Polato explicou que Jefferson Cristiano foi preso à época acusado de coautoria no crime, mas que sempre negou participação. Na época, na delegacia, chegou a contar que apenas tinha participado de uma briga envolvendo Helton. “Mas ele negou isso em juízo e como não havia testemunhas e provas de lesão corporal, o júri concordou com a defesa e o juiz o absolveu por falta de provas”, contou Polato.

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Anulação do Júri

O advogado Marcondes Bersani vai ingressar com recurso de apelação com o objetivo de anular o júri.  Ele defendeu João Nalim e pedia a desclassificação do crime de homicídio para o de lesão corporal, assim como ocorreu com Jefferson Cristiano. “Os dois estavam na mesma situação e  pela disparidade de decisão dos jurados contrário às provas dos autos do processo em relação ao João é que haverá o recurso”, argumenta o advogado. João nega a participação no crime.

Bersani explica que a pena de João Nalim foi maior porque William na época era menor de 21 anos e confessou o crime, o que atenuou a pena.

A reportagem não conseguiu falar com a advogada de William, Maristela Ferreria Rocha Silva, mas foi apurado que ela também vai recorrer da decisão e teria alegado no julgamento que o réu agiu em legítima defesa.

 

Na época

Helton era usuário de drogas e o seu assassinato teria sido motivado por uma desavença sobre entorpecente. O pedreiro foi espancado e teve o corpo atingido por golpes de facão. Uma testemunha ouvida pela polícia contou que a vítima foi morta porque furtou drogas. Segundo a testemunha, William Virgolino Horta, o Didi, com 18 anos na ocasião, descobriu o furto e juntou outras três pessoas para fazer justiça.

O “tribunal do tráfico” do Boa Vista sentenciou Helton à morte. Uma roda de “justiceiros” se formou em volta da vítima e começou o linchamento. Desmaiado, foi arrastado para uma área verde do bairro, onde recebeu golpes de facão pelo corpo e pancadas na cabeça. Na época, aventou-se a participação de quatro pessoas.

A família da vítima recebeu a notícia na hora do espancamento. Valmir Pereira do Nascimento, 55 anos, também pedreiro, saiu à procura do filho pelo bairro e vizinhança, sem sucesso. Foi somente no dia seguinte que o pai decidiu procurá-lo na mata, local frequentado por usuários de drogas. Lá encontrou o filho todo ensanguentado, já sem vida.

A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e a Polícia Militar chegaram aos nomes de Jefferson Cristiano de Oliveira, o Tremelique, de 23 anos, no mesmo dia. Ele teria dito a policiais civis que ajudou a arrastar a vítima para o meio do mato e foi embora. Didi foi detido dias depois pela Guarda Civil. Também deu a mesma versão de Tremelique.

Nalim, à época com 25 anos, foi preso dias depois do crime por guardas civis da Romu (Ronda Ostensiva Municipal).

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