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Baleia Azul: O que está por trás deste ‘jogo’?

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A professora Ângela Aparecida Silva Basílio está atenta. Mãe do adolescente Pedro Henrique Basílio, de 15 anos, ela se mantém atualizada sobre os tipos de jogos on line nos quais o filho está conectado e ainda quais são os vídeos que ele mais acessa no You Tube. O comportamento de Ângela sempre foi este: estar próxima ao cotidiano de Pedro Henrique. Por isso, quando as notícias sobre o ‘jogo’ suicida “Baleia Azul” ganhou repercussão na mídia ela já estava com sua opinião formada sobre os riscos que os desafios do tal jogo traz para os adolescentes que se envolvem no “Baleia Azul”. “Acima de qualquer proibição ou espionagem, nada supera um relacionamento baseado na confiança. Ela é a chave para protegê-lo. O Pedro passa muito tempo na internet com jogos on line e sempre tento me atualizar do que está acontecendo”, diz Ângela.

Pedro e a mãe
Pedro e a mãe

O que atualmente é conhecido como “jogo”, na verdade, é uma sequência de troca de mensagens em redes sociais com desafios a serem cumpridos. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados “curadores”, propõe 50 desafios aos adolescentes, dentre eles está a mutilação de braços e mãos, além da ingestão de remédios e saídas repentinas de casa em horários tardios. O “curador” é quem envia ao participante do jogo os 50 desafios que ele deve cumprir diariamente até chegar ao último, que induz ao suicídio.

Para Ângela, quem está disposto a se mutilar ou cometer certos crimes não fará isso somente por causa de um jogo. “Assim que as notícias sobre o ‘Baleia Azul’ estouraram na mídia tive várias conversas sobre este assunto com o Pedro e muitas delas, inclusive iniciadas por ele mesmo que também gosta de saber sobre o que está acontecendo no mundo. Acredito e defendo que o diálogo sempre será a melhor solução”, observou.

MUITO DIÁLOGO 
Psicóloga chama atenção para a importância da prevenção

 Prevenir ainda é a melhor solução. Esta dica é dada pela psicóloga Tamara Ramos de Melo Santos. Ela explica que proibir o uso do computador pelos filhos ou até mesmo impedi-los de jogar games pode não ser o caminho ideal e mais eficiente. “A família tem que ser o suporte nesse momento. É preciso trazer estes assuntos, como depressão e suicídio para as conversas familiares. Orientar os filhos, buscar ouvir suas emoções. Não adianta ter uma conversa punitiva. O diálogo é primordial. Procure conhecer quais os tipos de jogos os filhos estão participando, quais sites acessam no computador”, pontuou Tamara.

Tamara
Tamara

A psicóloga ressalta que o jogo da Baleia Azul é um desafio que precisa ser procurado por quem quer participar e essa atitude de buscar por esse tipo de jogo já pode ser indício de que a pessoa está enfrentando algum problema emocional. “Muitas vezes, as pessoas não sabem lidar com o que sentem. Quem está com saúde emocional equilibrada não vai buscar esses desafios. Os adolescentes são os mais vulneráveis porque eles estão em busca de pertencer a um grupo, estão construindo sua personalidade, estão confusos com relação às suas próprias emoções e tanto a família quanto a escola precisam formar uma rede de apoio para esses jovens”.

Conversar sobre suicídio ainda é um tabu entre as pessoas e os núcleos familiares evitam falar sobre o tema. Porém, o Brasil é o país com maior número de suicídios e as ocorrências são registradas principalmente entre o público adolescente devido à vulnerabilidade a qual está exposto. “Quem se mata é porque está passando por um sofrimento muito grande. Os suicidas não são pessoas corajosas ou egoístas. Eles enfrentaram um sofrimento muito grande para conseguir agir dessa forma tão radical. O momento é para nos atentarmos e olharmos mais para esse tabu. Os índices de suicídios sempre existiram, mas agora é que estamos olhando para eles por causa desses jogos desafiadores”, advertiu Tamara.

Para a psicóloga, o jogo da Baleia Azul deve servir para ampliar a causa de valorização da vida. “Não podemos apenas ficar discutindo superficialmente o jogo em si. Isso não irá mudar nada e sequer irá melhorar a nossa sociedade. Precisamos conversar sobre estes assuntos com nossos adolescentes”, reforçou.

Imagem - Multi - Box 3 - ABRE - CópiaPor outro lado, os pais devem ficar atentos ao comportamento de seus filhos. Isso porque, muitos dão sinais de que precisam de ajuda por meio de seu estilo comportamental. Porém, é fundamental que os pais ou responsáveis saibam diferenciar comportamentos exagerados de outros que os adolescentes escolhem para definirem sua personalidade. “Se este adolescente está muito triste constantemente, ou se está muito alegre, a qual grupo ele está buscando pertencer e, principalmente, se há sinais de mutilação pelo corpo, mesmo que sejam pequenas”, advertiu a psicóloga completando que quadros depressivos geralmente estão por trás destas atitudes comportamentais.

EM DISCUSSÃO
Escolas não registram casos concretos, mas seguem atentas

Além da família, as escolas também têm o papel de alertar, orientar e se atentar aos comportamentos dos estudantes adolescentes. Desde o bullying passando por preconceitos raciais até questões mais radicais como incentivos ao suicídio, todas as problemáticas emocionais vão aparecer – também – nas escolas. Até porque, é justamente neste núcleo que os adolescentes mais se encontram e buscam sua identidade. “Eles querem se inserir nos grupos e vão buscar em qual deles se identificam mais. A escola trabalha com essas diferenças e tenta da melhor forma administrar os conflitos. As equipes gestoras das escolas estão atentas a todas estas questões que envolvem o cotidiano dos alunos”, observou o supervisor de ensino da Secretaria Municipal de Educação, Paulo Paliari.

Paulo
Paulo

Na rede municipal de ensino, Mogi Guaçu tem cerca de 3 mil alunos com idade entre 11 e 14 anos matriculados do 6º ao 9º ano do ensino fundamental II. Somente do 8º ao 9º ano são 1.600 alunos que já são considerados pré-adolescentes. De acordo com Paliari, embora seja um alto número os coordenadores e professores da rede municipal ainda não identificaram nenhum caso concreto de adolescentes envolvidos com o jogo “Baleia Azul”. “Mas estão todos atentos. A repercussão deste assunto já chegou até a direção das escolas e os professores estão trazendo esse tema para discussão nas salas de aula. O principal é sempre reforçar a valorização da vida. Porque as redes sociais causaram uma revolução e, embora tenha um lado bom, também tem seus perigos e isso precisa ser mostrado aos adolescentes e conversado exaustivamente”, frisou.

JOGO SUICIDA

Polícia Federal e Civil seguem investigando casos suspeitos

Se em Mogi Guaçu ainda não há confirmações de casos concretos relacionados ao jogo “Baleia Azul”, o mesmo não ocorre em outras cidades do país. Pelo menos três mortes suspeitas já estão sendo investigadas pela Polícia Federal por ter indícios de envolvimento com o desafio suicida. As mortes foram registradas em Arcoverde/Pernambuco, em Belo Horizonte e Pará de Minas, ambas em Minas Gerais. A determinação para que as investigações sejam feitas foi dada pelo Ministério da Justiça. Além das três mortes, outros casos nos quais adolescentes aparecem com mutilações sérias pelo corpo também chamam a atenção das polícias dos Estados do Paraná, Maranhão e Amazonas que iniciaram investigações.

multi baleia azulNo Rio de Janeiro, a Polícia Civil investiga quatro casos suspeitos, todos envolvendo adolescentes na prática do jogo. Duas vítimas foram confirmadas. A Polícia Civil carioca recebeu 101 denúncias por meio do Disque Denúncia. Outros dois casos suspeitos – um em Duque de Caxias e outro na Capital – ainda estão em análise. A delegacia mandou um ofício para a Secretaria de Educação da cidade da Baixada e também para a Secretaria de Saúde do município do Rio pedindo informações para chegar às famílias das vítimas.

Ainda no Rio de Janeiro, uma das vítimas do “Baleia Azul” apresentou nesta segunda-feira (24), as redes sociais para policiais da DRCI (Delegacia de Repressão a Crimes de Internet). A menina de 15 anos mostrou as conversas que teve com dois “curadores” do jogo (imagem acima). Um se comunicava em português e outro em inglês. As duas pessoas ainda não identificadas levaram a menina a praticar mutilações no próprio corpo e a orientaram a se suicidar. A jovem só não se matou porque a mãe conseguiu salvá-la.

À imprensa carioca, a menina contou que recebia as orientações de como se mutilar às 4h20. A partir desse horário, ela já poderia realizar sua “tarefa” – como cortes na mão, ao longo das veias do braço e o desenho de uma baleia em gilete no antebraço, que fez a menina desmaiar no banheiro. Ela também contou que recebia uns vídeos “estranhos e coloridos” que estão postados no YouTube.

Mutilação nos BraçosJá em Porto Alegre, entre os dias 8 e 19 de abril foram registradas oito tentativas de suicídio de adolescentes junto à rede de atendimento municipal, sendo que, em quatro houve referência direta ao “Baleia Azul”. Sete jovens continuam internados em hospitais. (MDT com informações do Ministério da Justiça e do site Extra, do Rio de Janeiro)

ORIENTAÇÃO

Atenção para alguns sinais que podem indicar que o adolescente esteja envolvido com o “Baleia Azul”

 

  ·         Mutilações na palma da mão
  ·         Ele assiste filmes de terror/psicodélicos com frequência
  ·         Mutilações nos braços – cortes grandes com desenhos de baleia ou qualquer outro animal
  ·         Desenhos de baleia
  ·         Posts em redes sociais com os dizeres #iamwhale (“Eu sou uma baleia”)
  ·         Sair de casa em horários estranhos
  ·         Cortes nos lábios
  ·         Furos nas mãos com agulhas
  . Arranjar brigas frequentemente

·  Falar sobre morte e suicídio, mesmo que indiretamente, como vontade de “sumir”, “desaparecer”, “ir embora”;

·  Isolamento (afastar-se da família, dos amigos);

·  Perda do interesse em atividades que costumava fazer;

·  Perda do interesse nas pessoas;

·  Mudanças no hábito de sono (insônia ou aumento das horas dormindo);

·  Mudanças dos hábitos alimentares (perda ou aumento de apetite);

·  Irritabilidade, crises de raiva;

·  Piora no desempenho escolar,

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