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Artigo: Semana Santa de ontem

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A chegada do outono fechando o verão despede a quaresma do jejum e abstinências e traz uma Semana Santa convidando o cristão a oração e à penitência.

Sempre foi assim no tempo de “dantes” como diziam os antigos com sabedoria: a Igreja exigente com os católicos, da Paixão até o Domingo de Páscoa, rica em liturgia marcava os horários das celebrações.

Na quarentena de preparação havia a Via Sacra acompanhada por todos contemplando o Cristo nas quatorze estações, as dores do Calvário, e nós, as crianças de então, sempre presentes a essas cerimônias tão tristes, não sei se assistíamos por piedade ou obrigadas pelos pais.

Não havia aulas de um domingo a outro e isto era o “bom” na tristeza enxertada.   Eis chegado o “Domingo de Ramos” falando-nos da entrada de Cristo em Jerusalém; palmas e folhagens portadas por todos eram espalhadas pelas ruas por onde passaria a procissão.

E a Santa Semana assim se abria com o “roxo” entristecendo as demais cores. À noite Procissão dos Passos as ruas percorria com Cristo e sua cruz e a Virgem das Dores.

Um Lavapés na Santa quinta-feira era celebrado em Missa solene da Eucaristia, seguida de guarda ao Santíssimo a noite toda, revestida de respeito e melancolia.

Seguiam-se as cerimônias da Santa Semana e chegava a sexta-feira da Paixão revivendo as dores de Jesus. Às quinze horas Cristo era deitado ao chão em crucifixo antecipando ao Cristo elevado ao Calvário.

À noite velas acesas em procissão, o esquife carregado sob um pálio dourado, por senhores em ternos escuros, símbolo de respeito.

De distância em distância o canto da Verônica feria o ar e nos intervalos a banda a tocar músicas tristes e respeitosas. A Verônica desfraldava com o sudário a face de Cristo, sua coroa de espinhos e o olhar baço e sofredor.

Como era triste essa contemplação, mais ainda com o som estridente da matraca que acompanhava. As três Marias, de preto, rostos encobertos pelo véu, caminhavam seguidas pelos Apóstolos com faixa roxa atravessando o coração.

Mas ao clarear do sábado, então de Aleluia, judas eram malhados e queimados pelas ruas da cidade. Foguetes eram estourados em festividade, afugentando as dores dos dias sofridos.

Finalmente era chegado o Domingo de Páscoa com a procissão do Encontro, de madrugada. Mulheres carregavam o andor de Maria quando por São João a espada que lhe atravessava o peito era arrancada ao encontrar o Cristo Ressuscitado carregado pelos homens. Dava-se esse encontro no Largo da Matriz: um Cristo triunfante, expressão feliz e hinos de vitória por todos cantados.

E assim, sem Ovos de Páscoa, sem novidades, apenas imensa alegria nos corações, voltavam os guaçuanos a suas atividades após tantos rituais seguindo a tradição. E a mesma Páscoa depois de dois mil anos tem no Cristo a maior revelação: o homem vendo a face de um Deus humano, mas sumamente divino na Ressureição!

 

Anna Emília Chiarelli Bueno é professora aposentada

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