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Artigo: Franco Montoro, cem anos depois

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Em tempo jubilar de seu centenário de nascimento, o ex-governador André Franco Montoro continua personalíssimo em sua grandiosidade de homem público admirado, íntegro, capaz e responsável, vale dizer, por um ciclo expressivo da maneira de se fazer política com determinismo ousado, convicto de sua notável influência exercida em sua carreira.

Meus constantes contatos com Montoro governador, estreitados em tantas jornadas motivadas por idas e vindas pelas causas de Mogi Guaçu, foram sempre um desdobramento visualizado em conquistas que tinham o comando de Franco Montoro deputado estadual, federal, senador, ministro de Estado e, como ele sempre acentuava, porta-voz de Causas de São Paulo, do Brasil e do povo brasileiro. Montoro, gosto de dizer, analisava o que eu lhe pedia enquanto refirmava o convite para permanecer ao seu lado, aliado aos propósitos que soube empalmar sem se desligar jamais daquela têmpera triunfal de um homem público especial, predestinado e confiável.

Obstinado e de ideias transparentes, recordo Montoro, em 1983, ao receber as responsabilidades do governo de São Paulo, em meio a um cerimonial festivo porque fora eleito pelo voto popular, legitimado pelos paulistas e sob tensões fiscalizadoras da ditadura militar que terminaria em 1985.

O governo federal, mal acostumado com as sombras totalitárias do militarismo terminal, teria infiltrado “olheiros” inconvenientes no governo que Montoro começava a presidir. Mas o novo governador respondera com transparência logo robustecida por medidas surpreendentes e saneadoras, acima de tudo tendo a senha insuspeita de honestidade.

Montoro, apesar de culto, sociólogo e possuidor de cabedal jurídico vasto, pastichava suas lembranças acentuando sua condição de jovem pobre, abnegado e, como repetia com um sorriso, ser filho de um tipógrafo. Cursou Direito e Sociologia, fez-se professor universitário da PUC e lá semeou sua consistência fundamental em ideário político que o conduziu à consagração brilhante que está em seu legado de homem público.

Deve-se a Montoro o primeiro clamor nacional pela redemocratização do país e a agilização popular dos comícios das Diretas Já, ao lado de Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Mário Covas, Leonel Brizola e outras pessoas que subiram ao palanque da liberdade para exigir democracia.

Montoro é nome da Faculdade Municipal de Mogi Guaçu, uma gratidão da cidade ao seu benfeitor de tantos benefícios. A visão administrativa de Montoro se acentuou, como governador, ao descortinar o mecanismo gerencial do governo, a partir de sua influência pragmática e objetiva. Pavimentou 4 mil quilômetros de estradas vicinais e redescobriu o mapa interiorano com a modernidade de estradas que antes eram de chão batido.

Aufere-se à dinâmica administrativa de Montoro no governo paulista pelo conjunto da obra, em todos os sentidos, pontilhada de um estilo modernizado, tal qual a diretriz de seu criador.

Nos livros de sua autoria, editados ao longo de uma vida intelectual intensa e vasta, Montoro deixou um legado de alta escolaridade universitária e influente, com subsídios às novas gerações. Ele soube disponibilizar as alternativas seguras que lhe permitiam decidir com soberania e luz própria.

O detalhe é que ele nunca subestimou aqueles que estavam próximos, pois era defensor do diálogo amplo e farto em propostas multiplicadoras. Montoro, para mim, foi um dos mais brilhantes homens públicos que São Paulo conheceu. Deixou uma semeadura cujas lições estão assimiladas pelas novas gerações.

 

Mário Vedovello Filho é cirurgião-dentista, professor universitário e ex-vereador em Mogi Guaçu

 

 

 

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