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Artigo: Doa a quem doer

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A água suja vai sendo decantada. A depuração atinge as ranhuras viciadas que estão corroendo os alicerces da República constrangida, debilitada. A primeira vítima dessa abusiva punhada de deterioração é o democracia, cujos alicerces institucionais invioláveis há muito se tornaram instrumento de brinquedos, como num parque de diversões para políticos e homens públicos oportunistas e, em grande parte, comprometidos com a corrupção e a bandalheira.

Poucos se atêm ao tamanho da corrupção que grassa por todos os quadrantes antes amparados pela normalidade. O rombo é enorme, deficitário para o desequilíbrio de uma nação que vê o mercado de trabalho estrangulado e disperso, empurrando os brasileiros para “bicos” informais por conta de modestos e insuficientes quebra-galhos.

Assumo a posição de inconformismo fazendo eco com pessoas lúcidas que sabem discernir os pontos nevrálgicos de uma crise pesada. Ouço a toda hora os discursos laudatórios e açodados de figurões que invadiram a tribuna das eloquências dissonantes para falar para um confuso deserto das contradições.

A crônica política da atualidade cede ao sotaque repetitivo da Lava Jato, essa guilhotina que apareceu no caudal das investigações para, como penso, fulminar os infratores engajados na volumosa trapaça. Um cenário quase inacreditável, recheado de polpudas quantias em dinheiro beneficiadas em dólares, euros e reais, dependendo das conveniências dos inquilinos da fraude. Tudo se esvoaça como num sorteio ardiloso, quando os contemplados engordam suas riquezas diante do semblante entristecido de um qualidade de vida em baixa e em meio aos bolsões de miséria explícita. Fome e desespero contrastam com iates, jatinhos executivos  e voos fretados para as cidades do primeiro mundo.

Minha ótica se cansou de tantas desilusões diárias que se oferecem dentro de uma sociedade sem regras e saturada de oprimidos e abandonados, empurrados para o desconforto da  marginalidade por vezes faminta e esquecida.

A Lava Jato tem sido, até agora, a única e saneadora alternativa para botar um freio nessa histeria corrupta que navega em cima da impunidade. Nas ruas, encontro o Zé Povinho, cabisbaixo e silencioso, a me perguntar se todos os milhares de corruptos irão para a cadeia. Se a roubalheira sórdida e persistente terá seu ciclo lacrado para sempre.

A verdade é que a classe política, receosa, está improdutiva, perdendo-se em debates ditados por desinteresse e decepção. Faltam lideranças. As atuais estão omissas, recuando em busca de um brilhantismo modelado nos políticos mortos de uma geração que não se escondeu.

A corrupção no Brasil tem o nome de Odebrecht/ JBS e está envernizada do cinismo deslavado de políticos beneficiados. É uma corrupção endêmica, espraiada na dimensão do território pátrio. As investigações, a esta altura e depois de identificar corruptos e corruptores não podem sofrer manobras maquiavélicas com o risco de ser desvirtuadas. Está chegando a hora do desfecho de uma operação que servirá para acordar o Brasil e mostrar o caminho da soberania hoje ameaçada.

 

Mário Vedovello Filho é cirurgião-dentista, professor universitário e ex-vereador em Mogi Guaçu

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