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Artigo: A morte do jornalista Carlos Chagas

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Morreu no dia 26 de abril de 2017, aos 79 anos (no dia 20 de maio faria 80), o jornalista e escritor Carlos Chagas, ex-diretor do Estadão. Como escritor, Carlos Chagas escreveu vários livros. Entre eles, “Resistir é Preciso”, Paz e Terra, 1975, no qual reuniu vários artigos publicados no Estadão. No Prefácio, o ex-senador Paulo Brossard, morto em 12/4/2015, aos 90 anos, escreveu que o “livro retrata, com serenidade e lucidez, um dos períodos mais difíceis da vida pública brasileira. E da Nação [Ditadura Militar]”. Chagas foi porta-voz do ditador Costa e Silva. Então escreveu o livro “113 Dias de Angústia” – Impedimento e Morte de um Presidente [Costa e Silva], que foi proibido de circular em 1970, por ordem do ministro da Justiça, Alfredo Buzaid. Só foi reeditado em1979, nove anos depois!

Carlos Chagas publicou ainda “A Guerra das Estrelas (1964/1984) – Os Bastidores das Sucessões Presidenciais”. L&PM, 1985. Também prefaciado por Paulo Brossard.  Na Orelha do livro, essa explicação: “Este trabalho é um marco na nossa história recente. Pela primeira vez um livro expõe as vísceras do viciado (sic) jogo das sucessões militares. Um jogo – como se verá – de cartas marcadas, de traições, de lances tragicômicos (sic), de valores próprios, onde 4 estrelas era a condição mínima, básica para alcançar  o trono”. Explica também que Chagas, como ex-secretário de Imprensa de Costa e Silva, poderia escrever o que realmente ocorreu nos “bastidores das Sucessões Presidenciais”. Ele estava por dentro do que acontecia nos bastidores do Poder. Brossard , no Prefácio, afirmou: “Lê-se o livro como quem lê um romance. (…) Contudo, o livro não dá prazer. Ao contrário, pela sua objetividade, chega a ser triste, porque retrata um país que não gostaríamos que fosse o nosso. Pela sua veracidade, porém, pela sinceridade com que foi escrito, não é apenas informativo; também é educativo, na medida em que descreve o que não deveria ter ocorrido e o que jamais deverá voltar a ocorrer (sic). Ficará como documento de uma época, que durou vinte anos, durante a qual se falou em “verdadeira democracia”, e muito se praticou a anti-democracia, a autocracia na sua expressão mais insolente e abusiva. (Carlos Chagas) dá-nos agora esta “Guerra das estrelas”, guerra, mas de estrelas nada celestiais (sic)”.

Para se ter uma ideia do que é esse esclarecedor livro, eis o seu índice: 1) A Tomada do Poder [a queda de Jango]; 2) Castello Quis ser o Primeiro e Único (sic); 3) Costa e Silva Ganhou na Força (sic); 4) Médici, por ser o mais Obscuro; 5) Aparece Geisel, o Onipotente; 6) Figueiredo Vem a Trote.  Para se conhecer a fundo como se deu a escolha desses 5 “estrelas”, ou como diz o sub-título:  “Os Bastidores das Sucessões Presidenciais”, precisa-se ler esse histórico livro de Carlos Chagas.

Na reportagem sobre a morte dele, a jornalista Ligia Formenti (Estadão, 27/4) citou a opinião do fotógrafo Orlando Brito: “Ele [Carlos Chagas] era tão brilhante que, no início de carreira, ainda novo, foi chamado para trabalhar como porta-voz do então presidente Costa e Silva. Ele se tornou um dos grandes defensores (sic) da liberdade de imprensa, na época em que a censura (sic) se instalou no Brasil”.

Com a morte de Carlos Chagas, perdemos um historiador. Aprendi muito com seus livros e seus artigos, revelando a verdadeira face da Ditadura Militar! Que, como escreveu Brossard, “jamais deverá voltar a ocorrer’. Ditadura Nunca Mais!

 

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

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