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Artigo: A desinformação sobre a ditadura militar

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A população, em sua maior parte, está desinformada sobre a ditadura militar. É o que constatou uma pesquisa da Globo, como vamos ver a seguir. Amilton Pinheiro, em reportagem ao Estadão (4-6) faz essa revelação: “Antes de lançar a supersérie “Os Dias Eram Assim”, que estreou em 17 de abril, a Globo fez uma pesquisa interna com grupos específicos da população com o objetivo de saber quais eram as informações que tinham sobre um dos períodos mais sombrios (sic) da história recente do país, o regime militar instaurado em1964.

“A falta de informação que pudemos detectar nos grupos pesquisados é alarmante (sic)”, revelou por e-mail ao ESTADO o novelista Sílvio de Abreu, diretor de gênero de dramaturgia diária da emissora”.  Sílvio de Abreu disse: “Um povo que não conhece a sua história está fadado a repeti-la”. (…) O ator Marco Ricca, que interpreta o personagem mais identificável com aquele período – o delegado Amaral, encarregado de prender e torturar opositores da ditadura –,  também ficou surpreso com o resultado e espera que o drama ajude o público a conhecer melhor aquele momento. Reconhece, porém, os limites de uma obra dramatúrgica feita para a TV. “Acredito que “Os Dias Eram Assim” não possa aprofundar todos os temas que levanta, mas espero que consiga atingir o objetivo de explicar melhor o golpe de 64 para grande parte da população que ainda desconhece o que aconteceu”. Tomara!

No mesmo jornal e no mesmo dia, o escritor Mario Vargas Llosa, prêmio Nobel de Literatura, comenta a morte de um ditador. Ele escreveu: “Manuel Antonio Noriega, um dos mais corruptos (sic) e brutais entre os ditadores que já penalizaram a América Latina, acaba de morrer de câncer no cérebro na Cidade do Panamá, onde estava preso desde 2011, após cumprir 17 anos de prisão nos Estados Unidos e 5 anos na França por violações dos direitos humanos, colaboração com o narcotráfico, roubo, tortura, lavagem de dinheiro e mais uma longa lista de crimes”. Adiante, o escritor constata: “Os ditadores saídos de quartéis, como Pinochet, Noriega ou Videla, já parecem pertencer a uma América Latina de outras eras, que, por sorte (sic), tem agora, de uma ponta a outra, governos civis nascidos de eleições mais ou menos livres”, acrescentando: “É verdade que, em muitos casos, se trata de democracias corroídas pela corrupção que às vezes cedem à tentação populista, mas, ainda assim, deve-se levar em conta que uma democracia medíocre e demagógica é mil vezes (sic) preferível a uma ditadura. Por isso, é muito interessante observar o que ocorre no Brasil.

A extraordinária mobilização popular que mandou para a cadeia boa parte da elite política e um bom número de empresários desonestos não busca uma “revolução socialista”, mas, sim, aperfeiçoar a democracia (sic), livrando-a dos que a estavam corrompendo, destruindo-a por dentro, com alianças mafiosas que enriqueciam verdadeiras gangues de empresários e políticos, boa parte dos quais se encontra, graças a juízes valentes e honestos, no calabouço ou a ponto de ir parar nele”.

Tenho um lema semelhante ao do escritor: “A pior das democracias é melhor do que a melhor das ditaduras, sejam elas de esquerda ou de direita”. Outra observação minha: “Defensores da Ditadura Militar Estão na Contramão da História”. Um esclarecimento: Mário Vargas Llosa é um conservador e de direita, mas um fervoroso defensor da democracia!

 

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu

 

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